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FOME | ROXANE GAY

 

 

A história da Roxane conta como a literatura a salvou. Mas não só. Como ela magoou o seu corpo para se refugiar. Como ficou obesa ao encontrar na comida algum conforto. Como é viver num corpo gordo e todos os preconceitos com os quais convive regularmente.

 

Ela foi violada por um grupo de rapazes numa cabana de uma floresta onde era impossível ser ouvida por mais alguém. Tinha apenas doze anos. Carregou o peso dessa experiência em silêncio, sem contar nada aos pais ou amigos. Passou a maltratar o seu corpo de forma a ficar invisível aos olhos dos outros. Sentia-se um lixo, a sua auto estima era nula. Na escola, era objeto de gozo por parte dos colegas.

 

Este livro apesar de curto, contém uma história de vida difícil, tornando-se numa leitura impactante e num livro necessário. Espero que seja traduzido brevemente em Portugal.  Li em ebook em português do Brasil. É revoltante ver como roubaram a juventude da Roxane. É angustiante ver como conseguiu esconder dos pais esta situação. Não imagino a dor destes pais quando descobriram a verdade. Não sei como terá sido voltar atrás no tempo e escrever este livro. Deve ter sido tão duro.

 

Neste livro temos um ponto de vista muito diferente do que estamos habituados. Ser magro não traz felicidade, ser gordo não é toda a verdade sobre alguém. É apenas um corpo. Porque continuamos a colocar os gordos em posições desconfortáveis? Porque temos de estar todos dentro de um padrão? Não temos. Só verdades atrás de verdades.

 

“É chocante perceber que até Oprah, uma mulher com sessenta e poucos anos, uma bilionária e uma das mulheres mais famosas do mundo, não esteja feliz consigo mesma, com seu corpo.”

 

Devíamos parar com estes preconceitos. Devíamos parar de tentar emagrecer os gordos sem autorização. Devíamos parar de os armar em médicos ou nutricionistas instagrammers cheias de dicas saudáveis para os outros. Não precisam da nossa opinião. Nem da nossa bênção. Devíamos parar de apregoar que só os magros podem ser felizes.

 

A verdade da Roxane incomoda. 

 

 

FOOD PHARMACY | LINA NERTBY E MIA CLASE

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Este livro é ideal para tirar dúvida básicas em relação à alimentação diretamente relacionadas com várias doenças. Não é um livro profundo, com estudos científicos, com dados e nomes muito complicados. É um livro descomplicado, com receitas simples e versáteis e uma explicação divertida sobre a importância dos legumes, da curcuma, do gengibre. Resumindo, é um livro que pode realmente mudar a tua forma de pensar em relação aos alimentos e à tua saúde. Quem sabe te provoque pequenas mudanças e atraia algum interesse por estas questões. 

 

A edição vale muito a pena, é belíssima, muito cuidada, está super bem organizada e as fotografias são muito apelativas. O tom de brincadeira das autoras fez-me sentir a descomplicação que tantas vezes fomentamos. Apesar de elas colocarem tudo o que aprenderam com outro médico, faz muito sentido e está de acordo com o tenho aprendido com as nutricionistas funcionais. Está totalmente alinhado com aquilo que acredito e defendo. Mas nem sempre cumpro. No entanto, tenho bebido o meu sumo verde quase todos os dias, de forma a ingerir os nutrientes provenientes dos legumes. Tenho seguido algumas receitas, fiz a sopa e apesar de ter achado estranho, senti o seu poder na minha energia. 

 

As listas de alimentos que elas colocam no livro são úteis e de fácil consulta. Os alimentos que têm mais e menos fertilizantes e quimicos. Pequena listas de substitutos. Três testes simples que pode fazer sozinho. 

 

Se estão com algumas dúvidas, se querem mudar alguns hábitos, este livro pode muito bem ser o indicado. Mas atenção, tens de te entregar com a mente aberta. Podes não gostar muito do que vais ler, diz muitas verdades que as pessoas tendem a ignorar com medo das mudanças. 

OS LIVROS MAIS MARCANTES DA MINHA VIDA

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Os livros mais marcantes são aqueles que marcaram um período da minha vida. Não são necessariamente os meus preferidos da vida. Mas podem coincidir ligeiramente. Os livros mais marcantes mexeram tanto comigo, e apesar de não serem obras primas, acabaram por preencher as minhas artérias de sangue quente, emoções, dores de barriga e lágrimas. Até à data de hoje nunca mais saíram da minha cabeça. Podia ser uma lista interminável porque deixo-me envolver muito, mas fiz a devida seleção com cuidado, de forma muito representativa.

 

Vamos a uma lista dos livros mais marcantes da minha vida. Daqui a uns anos voltamos a falar.

 

Menina do Mar, Sophia de Mello Breyner

O meu professor de português fez-me amar este livro. Para além de ter sido muito importante para mim, fez-me representar a peça em Lisboa para várias escolas enquanto caraguejo. É uma história apaixonante que me fez amar o teatro e escrever uma peça que mais tarde a minha turma apresentou na escola. Levo esta memória comigo.

 

A História Interminável, Michael Ende

Descobri a fantasia com este livro. Lembro-me de ficar completamente fascinada e quase acreditar nesta história como real. Era muito pequena, lia livros da biblioteca e era a primeira vez que ouvia falar em dragões. Sério. Este é o livro que recomendo para quem quer começar a ler fantasia. É um bocadinho infantil para os adultos, mas mesmo assim arrisco recomendar a toda a gente.

 

O Mundo de Sofia, Jostein Gaarder

Fiz a transição de livros adolescentes para os livros adultos com este. É um livro de realismo mágico muito interessante que nos mete a pensar. E a desejar que algum coelho nos escreva cartas. Acho que sempre gostei de filosofia por causa deste livro. Chega a um ponto que é aborrecido, mas valeu a pena, foi o momento de viragem.

 

Diário de Anne Frank

Foi o primeiro livro perturbador que eu li. Lembro-me de ter ficado bastante emocionada e de alguma forma chocada. Desconhecia totalmente a história da segunda guerra, era muito nova.  Ler os relatos desta menina foi realmente assustador. Dor, sofrimento, juventude roubada, maldade dos humanos, mortes. Tu estás um meio pequeno, as pessoas parecem todas muito doces e boas, de repente dás de caras com um livro que mostra o pior do mundo. Marcante, muito marcante. O primeiro livro sobre a Segunda Guerra Mundial nunca se esquece. 

 

À Espera de Godot, Samuel Beckett

Este livro fez-me repensar a vida e transmitiu de forma certeira o sentido da vida. Tive uma epifania. Se já sentia a vida como curta para tudo o que queria fazer, este livro sacudiu-me de tal forma que ainda está muito presente em mim. Li-o há cerca de seis anos. Adorava ver esta obra no teatro. Para além, quem conhece este blog desde o inicio sabe que tenho uma história de vergonha alheia devido a este título. 

 

A Mulher CertaSándor Márai

Estava a começar o namoro com o meu atual marido quando peguei neste livro. Envolvi-me de tal forma com a escrita deste autor que acabei por comprar mais livros dele. É de uma sensibilidade incrível. As personagens são muito credíveis e interessantes. Imaginem uma pessoa apaixonada, no meio de um triângulo amoroso a ler sobre outro triângulo amoroso. Apesar do contexto social ser completamente diferente, senti algumas palavras como minhas. Acredito que os livros nos escolhem e que ler o livro certo no momento certo fará do livro uma experiência impressionante. Para além disso, um dia peguei no livro e tinha um bilhete apaixonado dentro dele. Este livro marcou-me imenso como podem perceber. Até deu origem ao nome de um blogue que tive em tempos.

 

Sangue Frio, Truman Capote

Imaginem uma mulher grávida a ler sobre o assassinato de uma família inteira de forma horrenda. Imaginem uma escrita crua e perspicaz. Imaginem todos os detalhes de forma muito realista e envolvente. Lembro-me de morrer de medo de estar sozinha em casa. Vivia numa casa com acesso à rua pela varanda. Ainda hoje sinto os efeitos deste livro.

 

Todos os livros da Elena Ferrante

Estes livros representam-me. Primeiro, a forma como falam na maternidade é a forma como eu vejo a maternidade. A forma como Elena Ferrante coloca uma mulher mais velha a falar sobe os seus filhos, que cresceram e passaram a ser do mundo, é a forma cruel de nos mostrar que os nossos filhos podem ser muito injustos perante o cansaço de uma mãe. As personagens Lila e Lena são de factos muito parecidas comigo. Cresceram num lugar pequeno com sonhos grandes, tal como eu.  A relação delas com a professora, com a mãe, com os rapazes, uma com a outra. Para mim uma história novelesca muito próxima da minha verdade. Se calhar, não é tão novela assim. Se calhar os outros só não tiveram uma vida tão entusiasmante. Sou eu ali. E não existem livros que sejam mais eu do que tudo o que a Ferrante escreveu. Acho que seria doloroso regressar a estes livros, mas vontade não me falta.

 

Um Quarto Só Para Si, Virgínia Woolf

Este livro deixou-me de boca aberta. Foi como abrir a porta para um mundo novo. Para uma forma de ver a vida que eu conhecia, mas ao mesmo pensava que só eu pensava assim. Foi sentir-me abraçada por um amiga. Um sossego no coração. Estás no bom caminho, disse-me a Virgínia Woolf e quando o fez foi no momento certo. Obrigada. Foi o livro que me proporcionou a liberdade que eu precisava para defender os meus ideais. 

 

O Clube dos Poetas Mortos, NH Kleinbaum

Provavelmente será o livro mais curto desta lista. E talvez o menos conhecido. Todos se lembram do filme, mas raramente ouviu falar no livro. Certo? Se viste o filme, não esperes uma cópia quando pegares neste livro. Não é. Mas a mensagem está toda ali, as personagens e as dúvidas que carregam também. Chorei muito com ele. Li quando estava grávida e uma pessoa fica sensível ao quadrado, mas principalmente porque me atingiu em cheio. Bolas, vou ser mãe, não somos eternos e a juventude é um fósforo. Lembro-me de fechar o livro, sair da cama e ir até à esplanada conversar com os meus amigos que bebiam felizes. De barriga grande, mas fui. Hoje tenho um clube literário com um nome influenciado neste livro. 

 

 

Teria mais títulos para indicar nesta lista. Não sei conter o entusiasmo. Mesmo quando uma pessoa pensa que perdeu o entusiasmo ou sente um distanciamento qualquer, os livros recordam-me que estão aqui, tudo não passa de uma história passageira. Ainda hoje, uma pessoa me dizia "Cláudia, ontem foi o seu dia". Ainda pensei que a rádio tinha declarado o dia de ontem como sendo o dia da Cláudia, mas não. "Sim! Foi o Dia do Livro!". E lá vem o meu sorriso. E o calor. E o feriado. E tudo fica bem. Se calhar, isto é mesmo o meu propósito. 

 

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#2

YOUNG ADULT NO MEIO DA POLÉMICA

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Tenho um projeto este ano, ler um Young Adult por mês. Ou seja, livros destinados ao público jovem. Primeiro, porque gosto. Segundo, porque acho interessante ver o mundo com uma perspetiva diferente (dos jovens que um dia os meus filhos serão). Terceiro, os assuntos são sempre atuais, consigo acompanhar o mundo (os seus preconceitos e mudanças).

 

Já saí muito surpreendida, desiludida, e apesar de todos os preconceitos existentes em relação ao género, tem sido um projeto que tenho feito com muito gosto. Não acho de todo que os livros para jovens adultos sejam pouco profundos ou desnecessários. Acho que têm um papel importante para criar novos leitores e trazer assuntos necessários. A narrativa é apelativa e prende, marcada pela diversidade e representatividade. Facilmente os jovens sentem representados os seus dramas, questões e paixões.

 

Os meus filhos são muito pequenos, mas a minha irmã é uma jovem leitora. Foram os livros Young Adult que a apaixonaram. Primeiro Divergente, depois Os Jogos da Fome. Ver o seu entusiasmo com os livros é maravilhoso. Também a incentivei bastante nos primeiros passos como leitora. Durante as férias ela devorou vários livros. E quando chega a Feira do Livro ela já tem uma lista de desejos preparada. Tivesse eu dado um Saramago ou um Eça para as suas mãos talvez tivesse destruído uma paixão antes de começar. Toda a gente sabe quem vence entre as séries televisivas e os livros.

 

Sempre que vou a eventos literários noto um julgamento por parte dos escritores portugueses. E apesar de os amar de coração, não consigo entender quem julga um público que desconhece. Os leitores de literatura portuguesa contemporânea não podem ser os mesmos leitores de best sellers e young adult? Os leitores de young adult não podem ser leitores de clássicos? Estamos restringidos a estereótipos?  Livros com qualidade não podem ser best sellers? 

 

“Livros que não provocam nada no leitor não são literatura, são outra coisa qualquer”, dizia uma jornalista num evento em que estive presente. E eu fiquei a pensar naquilo. Já li clássicos que não me fizeram pensar, nem senti uma réstia de emoção. Já li literatura contemporânea adulta que não me disseram nada. Já li best sellers que me fizeram chorar ou sentir um murro no estômago. “A Vida de Pi”, “A Rapariga que Roubava Livros”, “Eleanor & Park”, “O Ódio que Semeias” são alguns exemplos.

 

Leitores julgam leitores.  Há uns tempos vi um vídeo de uma pessoa que dava a opinião dela em relação a um livro de uma escritora muito querida (e aí tudo bem, cada um com os seus gostos), mas ela não falava apenas da obra, ela menosprezava os gostos literários das pessoas que falam bem da autora em causa. Só faltou dizer o nome da pessoa em causa. Ter uma opinião em relação a determinado livro é natural. Criticar as escolhas dos outros leitores é pretensiosismo. Lemos o que quisermos, o que nos apetece e não somos leitores inferiores a ninguém. O que vamos respeitar se não respeitarmos as escolhas literárias dos outros?

 

Eu leio de tudo. Leio imensos livros de autoajuda, hoje chamam de desenvolvimento pessoal para atenuar as coisas, li Paulo Coelho, Margarida Rebelo Pinto, Crepúsculo, 50 Sombras de Grey. Já recebi vários comentários com julgamento em relação às minhas escolhas. Acabaram por desaparecer depois do vídeo em que falei no assunto.

 

No meu último vídeo sobre perguntas e respostas, abordei um bocadinho a minha opinião em relação à evolução de leitores. Não acredito muito nisso da evolução dos leitores. Ups. Normalmente não concordam com a minha opinião, e levam a mal quando afirmo: “nem todos evoluem”. Acredito em leitores de fases. Acredito no desenvolvimento de critérios que desenvolvem o teu gosto pessoal. Li muita literatura clássica quando era pequena, assim como literatura contemporânea para adultos. E segundo os especialistas, a evolução natural seria continuar a ler clássicos (Ulisses, Moby Dick, Dom Quixote). Mas eu passei a ler fantasia, thrillers e romances contemporâneos. Se calhar, recuaste na evolução. Não, continuo a ler clássicos. Pois. Leio conforme a fase da vida em que estou. Conforme a minha curiosidade por determinado livro. Ou simplesmente porque sou influenciada por opiniões alheias.

 

Esta semana, houve uma polémica com uma empresa de experiências de distribuição de livros no Brasil, a TAG Experiências. A dita empresa enviou por e-mail para os subscritores a explicação das duas ofertas disponíveis: livros que não fazem pensar e nada profundos vs livros com qualidade e profundos. Best sellers vs clássicos. Mas toda a gente sabe que existem Clássicos YA e Clássicos Best Sellers. Fiz uma lista há uns tempos por aqui. Não faz muito sentido esta discussão, né? A polémica gerou vários posicionamentos contra a empresa. Várias vozes se levantaram para defender os young adult, o que me deixa muito feliz.  Vi várias listas e apoiantes no Youtube. Unidos jamais serão vencidos. Vocês também viram? Entretanto, a empresa já alterou tudo, mas ainda não se pronunciou sobre o assunto.

 

Na verdade, este texto era para ser a minha opinião do livro Mirror Mirror, de Cara Delevingne. Terá de ficar para outra altura. Uma coisa levou à outra e dei por mim a escrever sobre preconceito literário. Continuo a afirmar que a literatura clássica é necessária e deve ser incentivada (Clube dos Clássicos Vivos). No entanto, prefiro que a literatura ande de mão dada com o entusiasmo. Seja ele qual for.

 

 

CAROLINA DESLANDES | CASA | UNBOXING

 

Neste vídeo faço o unboxing do mais recente trabalho da Carolina Deslandes, uma cantora portuguesa muito especial. Oiço um pouco do álbum Casa e falo um pouco sobre ele. Desta forma, pretendo dar a conhecer uma artista portuguesa que faz sucesso em Portugal. Espero que gostem! Entretanto, já tenho uma música preferido (excluindo A Vida Toda). 

4 LIÇÕES QUE APRENDI COM A CASA DE PAPEL

Ainda não viram a série mais viciante do momento? Não imaginam o que estão a perder. Eu devorei a série, em três dias, tal foi o vicio. Vejam, os primeiros três episódios são razoáveis, mas acabam por criar uma espécie de amizade com os assaltantes, e não conseguem parar até descobrir como é que eles vão sair da Casa da Moeda (se é que vão sair). Ah, já sabem que a Netflix vai produzir a terceira parte? Pois é, saiu a notícia durante a madrugada. Não era preciso, mas vamos querer ver, claroooooooo.

 

O que aprendi com a Casa de Papel? Não foi assaltar bancos. Aliás, tentaram copiar a ideia no Chile e deram-se mal. Ainda ontem um Youtuber foi preso por tentar brincar aos ladrões e gravar para o Youtube. Esta gente é doida. No final, órfã de série, fiquei a pensar naquilo tudo. No argumento, nas falhas (várias), nas personagens. E claro, tirei umas lições que achei interessante partilhar convosco.

 

Atenção, este texto contém spoilers. Vê a série e depois volta. Terei todo o gosto em receber-te.  Sempre podemos trocar uns cromos.

 

Primeira lição: Não existem planos perfeitos

O plano do Professor é assaltar a Casa da Moeda, sem provocar mortes, e influenciar a opinião pública como se eles fossem heróis. A ideia é maravilhosa, ele pensou em todos os detalhes e apesar de inúmeras regras ele ainda tinha um plano B para quando algo corresse mal. Mas claro, nem tudo corre como ele planeia. Onde é que o plano dele falha? Quando se apaixona. Ninguém ia imaginar que teria tempo para se apaixonar durante o maior assalto da história do país. Mas aconteceu. Por muito que custe acreditar.

 

Por mais que defina um plano, e estabeleça o plano B e C, os imprevistos acontecem. Por muito minuciosa que eu seja, somos todos feitos de emoções e não conseguimos controlar as ações dos outros. Não existem planos perfeitos, preciso de dar margem para errar e estar preparada para eventuais situações.

 

Segunda lição: Não posso controlar tudo

A situação parecia muito bem definida, e o Professor parecia absolutamente preparado para tudo. Vigiava tudo através de câmaras e fornecia dados importantes aos assaltantes via telefone. Mas acaba por passar várias horas longe do refúgio (no bem bom) e as coisas correm mal para um dos assaltantes, que acaba por morrer mais tarde devido aos ferimentos. Aliás, quando a Tóquio tenta contatá-lo ele não está onde devia estar. Ela acaba por regressar ao local do crime de mota. Que cena emocionante!

 

Meto um plano em funcionamento e depois estou constantemente a verificar se falta alguma coisa. Não posso fazer isso comigo mesma. Não posso estar constantemente a verificar a agenda, a repensar os passos dados e a procurar defeitos. Não posso tentar controlar todas as situações em casa, no curso, no emprego.

 

Hoje, por exemplo, quando cheguei ao escritório não havia sistema informático. Foi um transtorno, estamos habituados a seguir determinados procedimentos. Por vezes, esquecemos que não precisamos de transformar uma situação pontual em algo dramático.

 

Também costumo ter o meu calendário de vídeos planeado. Esta semana foi impossível concretizar a gravação. Não queria gravar sem vontade. Também tive problemas técnicos. Enfim, não posso controlar tudo. Relaxar e continuar.

 

Terceira lição: Vai tudo terminar bem

 

No final, depois de vários imprevistos, o plano quase perfeito resulta. Eles conseguem fugir com o dinheiro. Aquele final deixou um gosto agridoce. Não gostei muito, prefira ver os assaltantes na riqueza absoluta. O que mais gostei foi a morte emblemática do Berlin (tirando o facto de ele ter levado a miúda para a morte com ele). Obviamente, que o final é bastante irreal, ninguém saía do país desta forma, mas vá, eles conseguiram.

 

Acredito sinceramente que os imprevistos são a energia do mundo a funcionar. No final, tudo dá certo. Os obstáculos são parte da minha caminhada, para sentir no final, o gosto da vitória. É tão melhor, não é verdade?

 

Quarta lição: Celebrar cada vitória

No momento em que eles encontram areia no túnel, ficam tão felizes que acabam a dançar numa rodinha muito divertida. Umas das melhores cenas. Uma pessoa dá por ela a festejar as vitórias dos bandidos. Estranho, né? Mas é a mais pura verdade. Eu quase que fiz a dança no meio da sala.

 

No meio da confusão da vida, mais vale fazer a dançar da vitória a cada meta alcançada. Não preciso de esperar pelo grande final para encher a taça de champanhe. E assim, damos conta de cada momento bom. Às vezes, esqueço o que consegui até chegar aqui. Perco-me no meio dos meus milhentos planos e objetivos de vida. Preciso de festejar mais cada momento.

 

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NOVIDADE | "NO JARDIM DO OGRE" | LEILA SLIMANI

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 Conhecem esta escitora? É a autora do livro "Canção Doce". Escrevi sobre ele, AQUI. Leiam, é fabuloso. Curto e arrebatador. O próximo romance saí dia dois de maio! Estou super empolgada com este lançamento. Não imaginam. Aborda um tema muito atual, a solidão, o vazio de uma mulher com a vida perfeita. 

 

SINOPSE

Adèle tem tudo para ser feliz. Mas falta-lhe tudo.

É jovem, atraente, trabalha como jornalista, é casada com um médico de sucesso que a adora, tem um filho pequeno, vive num bonito bairro de Paris.

Mas nada a satisfaz.

Vive sem prazer, numa solidão extrema. Dentro dela, um fogo consome-a vorazmente, sem piedade: um desejo insaciável, uma necessidade imparável de somar conquistas e amantes. Adèle só existe no desejo dos outros, vive para ser observada, cobiçada, possuída. Nunca quis ser outra coisa senão “uma boneca no jardim de um ogre”.

Vive uma vida dupla, no mais íntimo sentido da palavra. O risco é o seu impulso, o silêncio o seu cúmplice. Mas o segredo tem os dias contados. E as consequências serão implacáveis.

No jardim do ogre é a história de um corpo escravo das suas pulsões. Um romance de traições, mentiras e desilusões. Mas é, ainda assim e sobretudo, um romance de amor.

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