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COMO É QUE EU LEIO TANTO COM DUAS CRIANÇAS PEQUENAS?

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A pergunta que mais me fazem é “como é que fazes para ler tanto com duas crianças?, ou “que raio de mãe és tu que passas tanto tempo a ler e não dás atenção aos teus filhos”? Hoje resolvi resumir tudo e escrever este texto para vos contar os meus segredos. Como é que eu faço para continuar a ler, respirar e ainda ter duas crianças ao meu cargo? É possível. Levem isto para a vida. Quando há vontade, há manobras.

 

Como fazes para ler tanto?

O dia tem 24 horas. Eu trabalho das oito às cinco. Menos oito horas. No entanto, durante a minha pausa de dez minutos do pequeno almoço costumo ler umas páginas. Leio sempre antes de dormir todos os dias. Normalmente das 22h às 23h, se o livro estiver muito bom ou se estiver quase a terminar avanço até ao fim. Tenho acordado às seis e leio vinte minutos. Durante o fim de semana, após o mais importante, durante algumas viagens mais longas ou pausas para relaxar durante as sestas ou brincadeiras deles leio algumas páginas. Quando não tenho aulas, leio um pouco antes dos miúdos chegarem do infantário e faço o jantar. Portanto, dedico meia hora no mínimo todos os dias à leitura. No mínimo. Todos os dias. É assim que eu faço. Eu não prescindo deste momento só meu. Sê inteira, diz Chimamanda. Concordo totalmente.

 

E quando eles eram mais pequeninos?

Durante a tarde ia ao jardim com eles ou a uma esplanada e levava um livro. Quando não tinha companhia, lia durante a sesta. Fazia isso várias vezes. Aproveitei bem o tempo que estive em casa. Que saudades!

 

O Gustavo sempre quis mais atenção que a Francisca, praticava fazia tudo com ele no sling. Não podia estar sozinho, chorava imenso. Lia no Kobo com a luz apagada um bocadinho antes de adormecer. Sempre fui muito ansiosa, não conseguia dormir no período das sestas dele à espera que acordasse para voltar a mamar. Com a Francisca, tornei-me uma mãe mais prática e relaxada. Fazia os mesmos passeios, mas ela era menos chorona, ajudou imenso. Nunca prescindi do tempo dedicado aos meus filhos, mas também nunca abandonei as minhas necessidades como dormir e cuidar de mim. Se tiveres ajuda de familiares, melhor! Pede, sem medos.

 

No fundo, a maior dica que posso dar é, perguntarem-se: porque quero ler com um bebé pequeno? Porque precisas de manter o ritmo de leitura na fase em que o teu filho ainda é bebé? A motivação tem de ser poderosa de forma a colocares no topo das tuas prioridades.

 

Para mim, a leitura está ligada ao meu desenvolvimento pessoal que por sua vez está ligada ao meu bem-estar emocional. Obviamente que passei por várias fases, lembro-me de ter lido um livro durante o mês nessa fase. Mas li tanto durante a gravidez e as malditas insónias.  Quando estão doentes, as dicas não valem nada. Se passar dias sem ler, está tudo bem. Não vou martirizar-me por isso. E lamento, não somos menos mães do que as mulheres que só se dedicam aos filhos e não fazem mais nada. Não somos menos mães porque não cozinhamos, limpamos, tratamos de tudo. Não somos menos mães se for o nosso marido a dar banhos, e vamos estudar. O pai tem a mesma responsabilidade. E se não tiver o mesmo jeito, está tudo bem!

 

A maternidade por mais bonita que seja, por mais importante que os meus filhos sejam, acho essencial estar bem, para eles estarem bem. A maternidade somente não chega para me deixar realizada. Assim como para o marido. Somos seres individuais com necessidades igualmente individuais. Não me resumo ao papel de mãe, sou outras mil coisas.

 

Nunca tive ajudas de ninguém para tratar dos meus filhos. Sempre fui eu e o meu marido a tratar dos dois. E sabem aquela equipa fantástica? Somos nós. O meu marido é peça importante, tal como eu, para tudo o que se passa nesta família. Não há ajudas, há cooperação. Muita coisa ficou de lado, mudou naturalmente. Claro que temos de fazer alguma ginástica. Temos de ceder muitas vezes. E está tudo bem!

 

E agora, quais são os segredos?

Sou organizada, não perco muito tempo na cozinha todos os dias, nem nos supermercados, nem a fazer quase nada. Como? Nos supermercados vou em períodos menos caóticos, final do dia, uma hora antes de fecharem. Preparo uma ementa quase semanal do que vou comer na semana seguinte. Nesse sempre. Faço receitas simples e fáceis. As mais complicadas ficam para os dias mais folgados. A casa é organizada ao longo da semana, no sábado gosto de fazer as limpezas maiores de manhã. Leio, priorizo a leitura, amo ler e coloco à frente de várias outras coisas. Eles brincam imenso, já querem o seu espaço, ficam mais tempo focados em tarefas. Eu sou prática, não complico. Fui aprendendo. Faço o que tiver de fazer com os dois. Não levo o mundo atrás quando saímos de casa. A casa, às vezes, está uma confusão e não stresso com isso. A casa é para viver. Outra coisa, não sou uma pessoa preguiçosa, sou metódica, e tenho um ritmo ligeiramente acelerado. E seria incapaz de passar os meus dias a lamentar sem fazer nada para mudar. Sou daquele tipo de pessoa que confrontada com problemas, procuro soluções. Se calhar, vou esquecer-me de algumas dicas, mas espero que estas sejam úteis na medida do possível.

 

Vamos ser práticos

Vamos ao lado prático das coisas. Com bebé ou sem bebé. Um dia tem vinte e quatro horas, menos dezasseis (oito para trabalhar, oito para dormir) sobram oito. Oito menos uma hora para necessidades básicas como comer, tomar banho, etc… sobram sete. Sete menos três horas que passo no curso sobram quatro. Ui, quatro horas, tratar dos miúdos, brincar, arrumar, lavar,… sendo duas horas, ainda me sobram duas horas. E o que eu faço com elas? Dedico-me às minhas metas pessoais, leio e escrevo. Às vezes, não faço nada, estou na internet, vejo imensos vídeos no YouTube, vejo séries, vou ao cinema, janto fora. Coisas de humano.

 

Gente, o tempo é igual para toda a gente. O meu dia não tem mais horas do que o vosso. Façam um diário do vosso dia, vejam quanto tempo gastam com certas atividades, vejam quanto tempo perdem na internet ou a ver televisão. Não deixem o mais importante para terceiro plano. Eu aprendi que o mais importante deve ser feito primeiro. Aposto que depois do diário de atividades vão descobrir maravilhas e encontrar meia hora para ler. Se o quiserem, realmente.

 

O desafio que eu lanço é: realiza um diário de atividades por três ou cinco dias. Se quiserem saber como fazer podemos falar melhor sobre isso num vídeo, o que acham?

 

VIAGEM AO SONHO AMERICANO | ISABEL LUCAS

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Tive a feliz oportunidade de ir ao evento na Fábrica das Palavras ouvir a Isabel Lucas sobre este trabalho editado pela Companhia das Letras o ano passado. O título e a capa tinha despertado o meu interesse, mas foram as palavras da autora, naquele dia, que colocou alguma urgência nesta leitura. Comprei o livro, não descansei enquanto não o li.  

 

Em 2016, Isabel Lucas saiu de Portugal com a missão de percorrer os Estados Unidos a partir da sua literatura. São doze reportagens, durante um ano, ou seja, uma por mês. O objetivo era passar determinado tempo entre a realidade e a ficção de forma a captar as mudanças, assim como descobrir a situação política e social. Viajou imenso, com um telemóvel, computador e alguma roupa. Com poucos planos. As reportagens foram publicadas no Público, onde trabalha e mais tarde compiladas neste livro. 

 

"Foi a literatura que me fez começar esta viagem e a partir dela tentar perceber mais sobre um país com o qual cresci, porque era com ele que inevitavelmente se crescia no Ocidente nos anos oitenta ou noventa. A amar muitos dos seus escritores, da sua música, do seu cinema, da sua arte, dos seus ideais de liberdade, possibilidade, aceitação da diferença, irreverência, energia criativa."

 

Esta viagem só foi possível com a ajuda da Fundação Luso Americana que patrocinou os custos. Segundo ela, o trabalho jornalístico só funciona assim hoje em dia.  Não há verbas. Partir à aventura, em busca de respostas, cheia de incertezas, é algo que eu sinto como um ato de coragem. A forma como transportou para a escrita essa experiência é comovente. Primeiro, é uma mulher com muita piada. Segundo, o seu olhar sobre o outro é de uma enorme generosidade. Terceiro, senti o tamanho do mundo e o quanto somos um milhão de coisas ao mesmo tempo. Impressionante como um país pode ter tantas culturas diferentes dentro dele. Não sei se gostei do que descobri em relação aos Estados Unidos. Acho que ficou muito claro o lado negativo, mas precisava de sentir algo mais positivo. 

 

Nesta altura, Obama acaba o legado e Trump está na corrida com Hilary. Isabel Lucas mostra como o povo pensa, reage e tem dúvidas. Aqueles que não votaram sentem-se culpados. Os emigrantes sentem medo. A organização do livro é perfeita. Inicialmente apresenta uma lista de obras literárias, sugestões de leitura, fotos, a reportagem e um Travel Log (notas postadas no Facebook ao longo da viagem).

 

Começa com um dos meus livros preferidos, Moby Dick, onde refere as maratonas literárias que fazem Simon's Bethel durante 25 horas seguidas. É feita uma ligação entre o clássico e o estado atual da cidade. É assim em todas as reportagens. Ao longo do livro vamos testemunhar os encontros entre a jornalista e alguns escritores. Vamos ouvir histórias de pessoas muito distintas, com realidades opostas. São experiencias que acrescentam. Tudo o que é dito, é necessário. Cada detalhe. Cada ironia e pormenores. 

 

"E vai sozinha?, perguntam-me mais uma vez, tantas vezes. Quase sempre é assim quando saio para um trabalho longo. Isso raramente se pergunta a um homem. Andar por aí, sendo mulher, é ter noção, não apenas do preconceito, mas de que somos um corpo exposto a mais perigos. Ainda é assim. "

 

Joan Didion, Susan Sontag, Rebecca Solnit, Toni Morrisson, Franzen, Philip Roth, Cormac McCarthy, entre outros nomes mundialmente conhecidos são referidos ao longo das doze reportagens. Fiquei com vontade de explorar mais a literatura americana e ir até ao Alasca. Super recomendo este livro para quem gosta de livros de não fição, tem um fascínio pela América e gosta de livros de road trip. Para quem não gosta também pode arriscar sair da zona de conforto, é um trabalho de muita qualidade que merece ser lido e partilhado. 

ENSINA-ME A VOAR SOBRE OS TELHADOS | JOÃO TORDO

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O mais recente livro do João Tordo chama-se "Ensina-me a Voar Sobre os Telhados", saiu no dia 20 de Março pela Companhia das Letras. Tem 486 paginas de pura melancolia e tristeza.

 

Entre o Japão e Portugal numa distância de 100 anos, o romance dá lugar a duas histórias distintas com algo em comum. Começa em Portugal, com um acontecimento trágico, o suicídio de um professor de Geografia em pleno Colégio Camões. O narrador é um homem que está divorciado, com um filho surdo, alcoólico, que decide reunir os colegas para conseguirem conversar sobre a tragédia. No Japão, a história também é trágica, dois amigos são separados devido a uma situação muito triste. O governador, pai de um dos amigos, castiga brutalmente o seu filho desprezando-o de forma a honrar a família. 

 

Durante todo o livro senti uma carga pesada de tristeza. Lia um bocadinho todos os dias, mas sentia que a história não avançava. Requer paciência. Perturba-me ler um livro tão triste em dias felizes. A escrita do João Tordo foi o elemento essencial para continuar a tentar conectar-me com as personagens. Gostei bastante das primeiras cem páginas, mas depois senti-me perdida e desconectada. O romance não cresce, tem tantas personagens e detalhes que acaba por ser frustrante não sentir nenhum entusiasmo por nada do que acontece. 

 

"Há quem diga que o suicídio é a forma suprema de egoísmo; que o suicida deixa, na sua esteira, um rasto indelével de dor. A verdade é que, para os que partem, as perguntas cessam."

 

Gostei particularidade da existência de diversidade e representatividade. As personagens são muito distintas do que costumamos encontrar nos romances contemporâneos. Vozes dos rejeitados e ignorados pela sociedade. Culturas e tradições ricas, sobretudo nas passagens dedicadas ao Japão. Questões de fé e esperança durante momentos de agonia e fracasso. Como lidam com a dor e a morte? Como continuam os seus dias afogados nos próprios erros?  A questão da surdez é abordada no romance através do filho do narrador e da relação que ambos têm. Como é ser pai de um filho surdo? 

 

Achei muito interessante a abordagem que o autor fez em relação à levitação, sendo uma prática difícil de acreditar como algo existente. O título é uma pequena referência a esse mundo incógnito e místico. Li numa das notas do autor sobre este romance, que esta história nasceu de uma conversa com um homem japonês. Transcrevo de seguindo um bocadinho:

 

"Eu tinha estado na China alguns anos antes, mais propriamente em Xangai, onde conheci um homem japonês que, durante um jantar, me confessou, embriagado, que descendia de uma linhagem de praticantes de levitação – que o seu trisavô pairara sobre a cordilheira dos Himalaias... Nunca sabemos de onde nos chegam estas associações e, no que diz respeito ao meu ofício, aprendi a não fazer demasiadas perguntas nem a sabotar as ligações inesperadas da imaginação. "

 

João Tordo tem uma escrita belíssima e bastante rica. Um romance primaveril, numa narrativa muito introspectiva. Não dá para resistir a um novo romance de um nossos escritores preferidos, não é verdade? Apesar de ter ficado pouco impactada, valeu a pena. 

RESUMO DE MARÇO

 

 

Neste vídeo faço o resumo das leituras de Março. Também falo na melhor e na pior leitura. Indico o melhor filme do mês assim como a melhor série. Digam-me, já viram o final de "This is Us", também sentiram o mesmo?

 

Livros mencionados:


Jane Eyre, Charlotte Brontë
Querida Yeawele, Chimamanda
Manhãs Milagrosas, Hal Elrod
A Pura Inscrição do Amor, Nuno Júdice
Mirror Mirror, Cara Delivingne
Mulheres, Carol Rossetti
Atos Humanos, Han Kang
36 Perguntas que me Fizeram Gostar de Ti, Vicki Grant
Viva a tua Luz, Inês Pimentel
Tudo é Possível, Elizabeth Strout
Ensina-me a voar sobre os telhados, João Tordo

Um bebé que Fez uma Birra, Rui Zink

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TUDO É POSSÍVEL | ELIZABETH STROUT

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Não sendo uma continuação, acaba por fazer parte de uma série ligada à protagonista do primeiro livro. E ao contrário de outras opiniões, não sendo obrigatório, acho necessário ler o primeiro.  “Tudo é Possível”, é a reunião de nove histórias, estão todas ligadas, de forma direta ou indireta, a Lucia Barton.

 

Lucia Barton é a protagonista do primeiro livro de Elizabeth Strout, “O meu nome é Lucia Barton”. Livro que eu amei e passei a recomendar a (quase) toda a gente. Em relação a este, estava com expetativas um bocado elevadas, mas apesar da história ser completamente diferente do que esperava, foi uma boa surpresa.

 

Numa das histórias, um homem recorda o momento em que abraça o corpo frágil da Lucia, assim como a história sofrida da família desta. Ao contrário do que esperam dela, Lucia ultrapassou os momentos difíceis. Será alguma réstia de esperança num meio tão pequeno? Lucia é uma escritora respeitada, lançou um romance e vai regressar à terra natal para o lançamento. Terá de enfrentar o passado e lidar com palavras duras, reprimidas por muito tempo vindas de quem menos espera. Atacamos quem admiramos por sermos mais exigentes? Ou não sabemos lidar com o sucesso dos outros?

 

Uma luta constante entre o presente e as lembranças do passado. Momentos mais intensos do que outros. A nossa experiência é inconstante, mas tem o mesmo ritmo melancólico do início ao fim. As personagens têm uma voz própria, isso agradou-me bastante. Não há como ficar perdido neste emaranhado de emoções. A escrita da Elizabeth Strout é tão poderosa que consegue dar vida a histórias que ficaram comigo depois de finalizada a leitura.

 

Não sendo um romance com uma estrutura linear e características comuns do romance tradicional pode causar algum estranhamento para os menos habituados. Eu adoro livros impactantes, daqueles em que o silêncio e a ausência fala mais do que os diálogos e as descrições. Elizabeth Strout é uma escritora que pretendo acompanhar, mais uma vez não defraudou as minhas expectativas e o encanto da sua escrita só tem tendência a melhorar. Que livro maravilhoso.

 

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11 COISAS QUE APRENDI COM UM BLOG/CANAL LITERÁRIO

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Já lá vão alguns anos nestas andanças. Desde 2003 que mantenho blogues na minha vida. Sempre tive diário. Quando surgiram os primeiros blogues tive de criar um. Ter feedback dos meus escritos? Maravilha. 

 

Nos primeiros anos criei verdadeiros laços, fiz amizades, conheci pessoas do Norte. Até escrevi um livro a quatro mãos. Brincava, não tinha filtros e era tudo muito divertido. Desde essa altura tive mais de vinte blogues. Juro. Mas isso acabou. Estou mais do que satisfeita com este blog.

 

Se sinto saudades de expandir a criatividade com outros textos? Sim. E isso vai mudar brevemente. Aprendi bastante ao longo dos anos com as partilhas literárias.  Alguns pontos vão ser desmitificados. Tudo num tom carinhoso e sem opressões.

 

Se estás a pensar criar um blog/canal literário este texto é para ti.

 

Respeitar opiniões diferentes

No inicio ficava aborrecida quando encontrava opiniões negativas posteriores à minha. Sem lógica, né? As experiências de leitura são muito pessoais e os gostos particulares. Para além disso, a nossa caminhada literária é muito diferente. Talvez ainda fique triste com pessoas que dizem “Saramago não sabe escrever” sem terem lido um parágrafo. Dizer “não gosto” é diferente de “não sabe escrever”. São os argumentos que fazem a opinião de livro. E ninguém é dono da verdade absoluta. Agora quando leio opiniões negativas reparo nos argumentos e sorrio. Uma coisa é a opinião, outra é o valor da obra. Que bom! A literatura mexe com todos de forma tão diferente.

 

Não tenho preconceitos literários

Leio de tudo. Livros de autoajuda, YA, fantasia, poesia. Deixei de sofrer preconceito literário há uns anos com ajuda de um dos meus canais literários preferidos, Cabine Literária. Desapareceu, né? Agora sigo a Tatiana, ex colaborada do Cabine, que faz o mesmo no seu canal com o Guto. Eu não imponho regras a mim mesma e raramente julgo um livro pelo seu género. Talvez um bocadinho pela capa. Só tenho um pequeno problema com os livros do Pedro Chagas, mas experimentei, para dizer que não são de facto a minha onda. Assim como os livros do 50 Sombras. Os limites não trazem vantagens para o crescimento pessoal. Claro que tenho o meu gosto particular, sei o que me agrada à partida, mas não é por isso que rejeito uma história. Fui surpreendida várias vezes por ter largado a mochila do preconceito.

 

É tão bom conhecer as pessoas dos livros

Claro que já tive algumas experiências menos positivas. Conheci algumas pessoas que não corresponderam de todo ao que imaginava. Deve ter acontecido ao contrário também. Algumas energias não se conectam e eu tenho um sexto sentido que raramente me engana. Ao longo destes anos, nunca imaginei conhecer tantas pessoas que gostam de ler. Achava impossível falar de livros com os outros, ter um clube literário. E ao contrário do que receava, é maravilhoso. Os encontros do Clube dos Clássicos Vivos têm superado todas as minhas expetativas.

 

A mesma pergunta de sempre

Recebo várias vezes por semana a mesma pergunta de sempre, “como é que lês tanto?”. As pessoas desconfiam porque não conseguem. Esquecem-se que eu leio há muitos anos, todos os dias e que ganhei um ritmo mais rápido. Mas eu respeito sempre o ritmo da obra. Nunca combato isso. Também conheço quem leia mais rápido do que eu, a Sónia lê muito mais rápido e nunca duvidei dela. Eu leio muito, raramente vejo séries de enfiada e priorizo a leitura. Ao contrário do que possam pensar eu tenho vida para além dos livros, mas a minha vida também é a literatura.

 

Não sou influenciada por opiniões alheias

No inicio a minha opinião sofria influência do que lia, via e escutava. Ao longo dos tempos, passei a controlar os meus impulsos em relação às minhas compras. As expetativas aumentavam com opiniões alheias, mas acabava desiludida em várias situações. Também deixava de comprar alguns livros ou adiar leituras devido a opiniões muito negativas. Esquece, depois acabavam por ser grandes surpresas e transformavam-se nas minhas leituras preferidas. Não sofro mais com isso. Leio por conta própria e risco, não compro livros atrás de livros influenciada em vídeos alheios. E tanto faz as prateiras bonitas dos vizinhos. Sou mais cautelosa, oiço o meu instinto. Continuo a escutar a opinião de algumas pessoas (é essa a magia dos blogues/canais literários), mas dou preferência às pessoas com os mesmos gostos. Passei a ficar menos frustrada. A ler mais de acordo com o meu momento enquanto leitora.

 

Muitos projetos e desafios

Isto acaba por ser uma comunidade. Surgem desafios e projetos mensalmente por todo o lado. Eu também criei os meus desafios e projetos, e participo sempre nos que mais gosto. Acabamos por aumentar a lista de desejos, trocar impressões. É muito bom. Existem blogues e canais literários para todos os gostos.

 

Está tudo bem

Existem momentos sem vontade de ler? Está tudo bem. O stress que algumas pessoas colocam em cima delas é tão desnecessário que acaba por prejudicar a experiência de leitura. Tantos vídeos sobre “não consigo ler”, como se ler fosse uma obrigação. Tive um momento em que senti isso. Quando comecei com as parcerias sentia-me pressionada para responder a todas. Culpa minha, porque nunca ninguém me pressionou a nada. Com o decorrer dos dias percebi que precisava de acalmar a alma. Leio o que quero, quando quero. E se tiver que escrever uma opinião negativa vou escrever, desde que tenha argumentos para isso. Está tudo bem. Não vale a pena colocar peso nas costas em algo que deve ser agradável. Sobretudo porque em Portugal são raros os casos pagos dentro da comunidade do booktube (fora dele são vários) para fazer publicidade. Nesse caso, a pressão é outra.

 

Sem mestres, por favor

Ninguém é um mestre das opiniões literárias em Portugal. Seja uma plataforma (youtube ou blogues) ou uma pessoa. Simplesmente existem pessoas que nos podem agradar mais do que outras. Seja pelo tom de voz, pela forma detalhada como escrevem ou pelos textos objetivos. Há gostos para tudo. Nunca te sintas receosa de começar um canal ou um blog porque nunca vais conseguir fazer isto ou aquilo. Não há formulas perfeitas para partilhar o amor pelos livros (exceto na cabeça de algumas pessoas). E aqui ninguém é critico literário. Somos amadores. Menos ego, please. Todas recebemos mensagens do tipo “li/comprei este livro por causa de ti”. E quando não recebemos, pode acontecer em silêncio.

 

Vão pedir contactos

Acho tão chato quando alguém me pede um contacto de editora para obter o livro X, sobretudo quando nem sequer faz da leitura um hábito. Pior quando nem um “olá”. Gosto de ajudar, e já dei algumas informações úteis porque achei que devia dar. Não me importo de partilhar, mas por favor, há limites.

 

Somos o único nicho que não é pago para fazer divulgação

Este ponto vai trazer-me alguns dissabores, mas alguém tem de falar sobre isto. Recebemos um livro, lemos e é essa a parceria entre as editoras e os bloggers. Já repararam nisso? Os outros nichos são pagos para publicar fotos, instastories e gravar vídeos. E nós? Nada. Mas eu conheço casos em que bloggers de moda são pagas para divulgar livros. Pois é. No resto do mundo, os booktubers com mais visibilidade são pagos. Talvez um dia a realidade em Portugal mude.

 

Não dá para viver dos blogues literários

Esqueçam. Podes criar produtos ou serviços ligados aos livros, mas vais precisar de trabalhar muito para isso. Só comecei a ganhar dinheiro o ano passado e ainda ando na luta todos os dias. Tivesse eu ficado pelos blogues de má língua, continuava a receber telemóveis ou bilhetes de espetáculos. Quando comecei este blog meu objetivo nunca foi esse, mas as oportunidades surgiram e eu aproveitei. Faço alguns trabalhos ligados à literatura e sou remunerada. Justo, não é? No entanto, está longe de ser algo consistente. Tenho muito trabalho pela frente.

 

 

FUI AO IMAX | JOGADOR Nº1 | READY PLAYER ONE

 

 

Adorei o livro. Li em 2016 e escrevi sobre ele. Estava à espera do filme, mas sem grandes expectativas. Estreou a semana passada, e de repente fiquei cheia de vontade de ir ao cinema ver a adaptação. Sem explicação, mas Spielberg é Spielberg. 

 

Comprei os bilhetes para o IMAX. Saudades de uma experiência de cinema brutal. Enchi-me de nachos, bolachas, chocolates e lá fui eu. Começo por dizer que é muito diferente do livro. Mas a adaptação é muito boa. O mundo criado pelo Ernest Cline está bem desenvolvido. Gostei de ser transportada novamente para aquele lugar. Mas não esperem ver tudo o que leram. E as personagens podem ser ligeiramente diferentes da vossa imaginação. Como aconteceu comigo. 

 

As minhas cenas preferidas: a primeira corrida. Cheio de efeitos, muita acção e entusiasmante. O que eu torci por eles quando vi o Godzilla. Vibrei na cadeira. Depois adorei a cena de dança. Que discoteca fantástica, a cena é tão fofa. A forma como escapam da emboscada é fantástica. 

 

O que gostei menos:o protagonista não é tão carismático com o no livro. Lamento, apesar de fisicamente ser tal e qual, a personalidade é menos cativante. A Artemis tão não me convenceu, gostei do avatar, mas na vida real não era nada do que estava à espera. Aliás, quase todas as personagens ficaram longe da força literária. Outra coisa que me irritou, a perseguição final para estender o filme. Comecei a ficar com sono e a desejar que o filme terminasse. Também não gostei dos vilões. 

 

A minha referência preferida: quando o monstro de lata entra no vulcão e faz "fixe" com o dedo, é a referência a um dos meus filmes preferidos de adolescência: Exterminador. 

 

Valeu a pena? Sim! É razoável. Ter a oportunidade de entrar no OASIS foi uma boa experiência. Muita acção e divertimento. Podia estar melhor? Podia! Mas depois de Black Panther dificilmente vou ficar satisfeita com um filme.  

 

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NÃO É UM DIÁRIO | MARÇO

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Mês gigante, frenético e cheio de muita coisa para fazer. Gostei bastante do meu mês de março. Teve um ou dois percalços, mas uma pessoa ergue a coroa e segue em diante. Vamos la fazer uma viagem pelos últimos trinta dias.

 

Conclui com sucesso o curso de gestão de tempo. Aprendi bastante e estou ansiosa para partilhar convosco algumas dicas. Portanto, vamos ter aqui algum conteúdo sobre o assunto. Foi um bocadinho cansativo conjugar o outro curso com este, mas valeu a pena. Entretanto, estou de férias da Pascoa e tenho aproveitado para fazer outras coisas. 

 

Aconteceu o encontro do Clube dos Clássicos Vivos. Adoro falar de livros, conhecer pessoas novas e ter estes momentos. Rever as pessoas dos livros é uma lufada de ar fresco nos meus dias. Foi o encontro com mais pessoas depois do encontro da feira do livro. Ainda tivemos a companhia dos livros oferecidos pela Guerra & Paz. Também planeámos os próximos encontros, assim como as novas votações. 

 

Cheguei ao 3500 subscritores no canal A Mulher Que Ama Livros. Estou a fazer cinco sorteios no Instagram para todos os leitores e subscritores do canal para celebrar. As pessoas entenderam as mudanças do blog e do canal. Fiquei tão contente. O feedback tem sido bom, estou a fazer do meu blog/canal algo de acordo com o que eu gosto e crescimento. Estou e sou todos os vídeos e textos que produzo. Na semana passada fiz um inquérito para entender o que esperam do canal. Anotei cada sugestão e dica. Planeei o mês de abril de acordo com as respostas. Obrigada a quem participou!

 

Mudei o corte da cabelo, o quarto, comecei o meu jardim doméstico. Voltei a cozinhar, a fazer exercício, meditação. Também voltei a escrever (apesar de só ter uma pagina). Foi graças ao #6amclub depois de ter lido "Manhãs Milagrosas". Ainda criei o desafio Primavera, o que me ajudou a explorar os trabalhos manuais, a cozinha, o mundo. Como estou contente com estas pequenas vitórias pessoais. Sinceramente, acho que devemos ficar contentes por partilhar momentos que inspiram os outros, e encontrar na felicidade dos outros alguma inspiração. Março foi assim. Tive longas conversas com pessoas que admiro. Visitas de quem amo.

 

E quanto estava perfeitamente em equilíbrio, aconteceu algo que abalou a minha serenidade mental. Todavia, é importante para mim desabafar, chorar o que tiver de chorar e não ter medo de procurar ajuda. Algo que não faria há uns meses atrás, mas decidi mudar isso. Mesmo que a ajuda seja recusada, mesmo que não tenham tempo para ouvir as minhas lamentações. Fico atenta aos pormenores e escuto o que a energia do mundo me quer dizer. Algo que aprendi ao longo destes anos é que não devo massacrar-me com as atitudes dos outros. Deixa, era só uma mensagem. Nos primeiros dias custa muito, mas vai passando. Como no fim dos relacionamentos, como nas despedidas eternas. Lidar com a falta de carácter dos outros é um trabalho diário. Felizmente tenho amor próprio, conheço o meu valor. Não quero imaginar as pessoas que passam por situações piores que não têm a noção do que merecem. Depende do que procuramos no mundo, as respostas chegam a nós. E iniciar este desafio de trinta dias foi uma ajuda preciosa. Está tudo interligado!

 

Poupanças. O dinheiro das poupanças têm outro destino. No entanto, tenho conseguido poupar e equilibrar tudo. Acho que gastei bastante em saúde (eu e filhos). Acho que podia ter evitado algumas compras no supermercado. Mas não vale a pena lamentar. Nunca mais voltei a comer em cafés ao pequeno-almoço. O que é uma vitória. Por outro lado, tenho ia almoçar e jantar a novos restaurantes. Também fui duas vezes ao cinema em pouco espaço de tempo. Comprei uns livros novos. Acho que vou ter de comprar um telemóvel novo e não me apetece muito, mas este está com dificuldades para carregar. Também investi no meu curso de gestão de tempo, mas valeu a pena. 

 

O que quero mudar no próximo mês? Quero levar para abril tudo o que comecei em março. O desafio #6amclub está quase a terminar, quero chegar ao fim com satisfação e novos hábitos. Também pretendo colocar em prática o que aprendi no curso de gestão de tempo. 

 

O que mais me fez feliz este mês? A ida à praia com a minha familia. Os momentos só nossos. As conversas inspiradoras. A troca, as partilhas, as aprendizagens. Comida bom, receitas novas e as resposta dos leitores ao inquérito que eu fiz no instastories. 

 

Uma música Naked, James Arthur

Um videoclip Never Enought, Davina Michelle

Uma iniciativa PNL 2018

Um canal Vegana Bacana

Uma mulher Inês Pimentel

 

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