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NO JARDIM DO OGRE | LEILA SLIMANI

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No Jardim do Ogre foi o primeiro romance escrito pela autora Leila Slimani recentemente publicado pela Alfaguara. É a autora de um dos meus livros preferidos do género thriller psicológico, Canção Doce, vencedor do prémio Goncourt. Leiam, não se vão arrepender, promessa de quem ama livros. Não dá para parar, nem ficar indiferente à sua escrita.  É absolutamente fantástico.

 

Neste livro conhecemos a Adèle, uma mulher com uma enorme fome sexual, casada e mãe de um menino. Ela é uma mulher insatisfeita no meio de um círculo de aparências, cujo a maternidade e o casamento com um homem bem-sucedido não lhe dá felicidade. Daí a comparação com Madame Bovary na contracapa. Entre traições, mentiras e desejo procura o absoluto arriscando o conforto e a segurança da sua vida.

 

Foi uma leitura incómoda. Dado o realismo da escrita da autora as cenas intensas e perturbadoras criam imagens vívidas na nossa mente. É extraordinária a forma como a insaciedade de Adèle é descrita, como acabamos a julgar a personagem e a acreditar na sua existência.

 

Esperamos pela tragédia a qualquer momento. Queremos ver Adèle perante a verdade ou a perda. Queremos conhecer melhor as suas motivações. Estamos habituados a ler sobre homens com estas atitudes. Ainda é incómodo para a sociedade estar perante uma mulher como ela. Uma mulher precisa de uma justificação para trair, um homem pode sentir apenas desejo. Aqui a história inverte-se e foi exatamente isso que me surpreendeu.

 

É uma história com passagens cruas, de uma enorme intensidade sendo difícil gerir as nossas emoções em relação a tudo o que está a acontecer. É uma autora para continuar a acompanhar. No entanto, continuo a preferir o registo de Canção Doce sendo esse o meu preferido.

 

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NOVIDADE | "NO JARDIM DO OGRE" | LEILA SLIMANI

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 Conhecem esta escitora? É a autora do livro "Canção Doce". Escrevi sobre ele, AQUI. Leiam, é fabuloso. Curto e arrebatador. O próximo romance saí dia dois de maio! Estou super empolgada com este lançamento. Não imaginam. Aborda um tema muito atual, a solidão, o vazio de uma mulher com a vida perfeita. 

 

SINOPSE

Adèle tem tudo para ser feliz. Mas falta-lhe tudo.

É jovem, atraente, trabalha como jornalista, é casada com um médico de sucesso que a adora, tem um filho pequeno, vive num bonito bairro de Paris.

Mas nada a satisfaz.

Vive sem prazer, numa solidão extrema. Dentro dela, um fogo consome-a vorazmente, sem piedade: um desejo insaciável, uma necessidade imparável de somar conquistas e amantes. Adèle só existe no desejo dos outros, vive para ser observada, cobiçada, possuída. Nunca quis ser outra coisa senão “uma boneca no jardim de um ogre”.

Vive uma vida dupla, no mais íntimo sentido da palavra. O risco é o seu impulso, o silêncio o seu cúmplice. Mas o segredo tem os dias contados. E as consequências serão implacáveis.

No jardim do ogre é a história de um corpo escravo das suas pulsões. Um romance de traições, mentiras e desilusões. Mas é, ainda assim e sobretudo, um romance de amor.

TUDO É POSSÍVEL | ELIZABETH STROUT

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Não sendo uma continuação, acaba por fazer parte de uma série ligada à protagonista do primeiro livro. E ao contrário de outras opiniões, não sendo obrigatório, acho necessário ler o primeiro.  “Tudo é Possível”, é a reunião de nove histórias, estão todas ligadas, de forma direta ou indireta, a Lucia Barton.

 

Lucia Barton é a protagonista do primeiro livro de Elizabeth Strout, “O meu nome é Lucia Barton”. Livro que eu amei e passei a recomendar a (quase) toda a gente. Em relação a este, estava com expetativas um bocado elevadas, mas apesar da história ser completamente diferente do que esperava, foi uma boa surpresa.

 

Numa das histórias, um homem recorda o momento em que abraça o corpo frágil da Lucia, assim como a história sofrida da família desta. Ao contrário do que esperam dela, Lucia ultrapassou os momentos difíceis. Será alguma réstia de esperança num meio tão pequeno? Lucia é uma escritora respeitada, lançou um romance e vai regressar à terra natal para o lançamento. Terá de enfrentar o passado e lidar com palavras duras, reprimidas por muito tempo vindas de quem menos espera. Atacamos quem admiramos por sermos mais exigentes? Ou não sabemos lidar com o sucesso dos outros?

 

Uma luta constante entre o presente e as lembranças do passado. Momentos mais intensos do que outros. A nossa experiência é inconstante, mas tem o mesmo ritmo melancólico do início ao fim. As personagens têm uma voz própria, isso agradou-me bastante. Não há como ficar perdido neste emaranhado de emoções. A escrita da Elizabeth Strout é tão poderosa que consegue dar vida a histórias que ficaram comigo depois de finalizada a leitura.

 

Não sendo um romance com uma estrutura linear e características comuns do romance tradicional pode causar algum estranhamento para os menos habituados. Eu adoro livros impactantes, daqueles em que o silêncio e a ausência fala mais do que os diálogos e as descrições. Elizabeth Strout é uma escritora que pretendo acompanhar, mais uma vez não defraudou as minhas expectativas e o encanto da sua escrita só tem tendência a melhorar. Que livro maravilhoso.

 

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"INSTRUMENTAL" | JAMES RHODES

 

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Tem sido um mês de leituras duras e intensas. 

 

Nenhuma criança merece conhecer a dor. Os maus tratos relacionados com crianças revoltam de tão injustos e cobardes. Infelizmente é a realidade de muitas crianças. Por ser um tema extremamente duro não consigo recomendar este livro a toda a gente. O próprio James Rhodes recomenda cautela na escolha desta leitura sobretudo para leitores com histórias semelhantes. Pode ser um gatilho. Pode ser uma experiência muito dura. Esta biografia é extremamente desconfortável e deixa uma sensação de angustia. Totalmente visceral. 

 

James Rhodes tenta quebrar alguns estigmas em relação à musica clássica e o mais incrível é que ele consegue. A musica clássica não precisa de ser séria ou aborrecida. Pode salvar vidas e ser inspiradora. Para além de ter uma elevada importância para quem a compreende. Cada capitulo revela um compositor fundamental na vida e crescimento profissional do pianista.

 

Bonito neste livro é o amor que ele tem pelo seu filho. A forma como revela o lado mais doce e desprotegido. O amor imbatível e a constante protecção. O nó no coração depois de levarem o filho para longe dele. A extrema dificuldade de olhar à sua volta, reconhecer a perfeição e não saber lidar com nada. Até ao dia em que precisa de pedir ajuda à sua família e tudo vira do avesso novamente. 

 

"Apesar de o desejar, já não sentia uma ligação com a minha mulher, nenhum futuro optimista a unir-nos ou esperanças e sonhos acerca dos quais conversar noite adentro. Eu entrei para aquela relação como um sonâmbulo, tive um filho perfeito, lindo e extraordinário, e não fazia ideia como educá-lo."

 

"Instrumental" é um livro necessário, uma leitura urgente. E ao contrário do que o autor anuncia nas primeiras linhas não é um livro sobre música, é um livro sobre sobrevivência e escape à dor. Sem vitimização. Esta história de vida deixa marcas. Deve ter sido extremamente difícil escrever sobre este sofrimento assim como expor a sua fragilidade. Bendita coragem. 

 

O que aconteceu na vida do James Rhodes após as constantes violações do seu professor? Como afectou a sua personalidade e o contacto com os outros? Como é a sua relação como  filho? Como é viver todos os dias com este passado? Como é que a música clássica o salvou? Quais são os três álbuns de música clássica que ele recomenda como indispensáveis? Estas e mais perguntas são respondidas neste livro imperdível. 

 

 

NOVIDADE | "INSTRUMENTAL" | JAMES RHODES

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Amanhã nas livrarias (4)! Este é prioridade, leitura urgente. Leiam só esta sinopse.

Em Novembro, James Rhodes vem a Portugal para tocar pela primeira vez. Esta estreia acontece no Misty Fest, nos dias 13, na Casa da Música, no Porto; e 14, no CCB, em Lisboa. Gostava tanto de ir. 

 

 

SINOPSE

 

«Abusaram de mim aos seis anos. Internaram-me num hospital psiquiátrico. Fui viciado em drogas e álcool. Tentei suicidar-me cinco vezes. Separaram-me do meu filho.

Mas não vou falar disso. Vou falar de música. Porque Bach salvou-me a vida. E eu amo a vida.»

James confiava naquele homem simpático. Por que não haveria de confiar? Era seu professor na escola primária. A primeira oferta foi uma caixa de fósforos, um maravilhoso objecto de desejo para um menino de seis anos. Depois seguiram-se outros pequenos presentes, acompanhados de sorrisos, palavras de incentivo, gestos atenciosos. Depois começaram os abusos sexuais, que duraram vários anos, sem que ninguém na escola e na família se apercebesse. Quando terminaram, James afundou-se progressivamente num abismo de relações obsessivas, hospitais psiquiátricos e vícios destrutivos, uma espiral que o afastou do piano, para o qual revelara talento precoce. 

Mas foi um adágio de Bach, escutado durante um internamento, que o salvou de anos e anos no fundo do poço. Ao descobrir que também os génios por trás das mais sublimes composições eram homens com existências dramáticas, James encontrou nos pequenos milagres da música o reduto para sobreviver aos seus demónios pessoais. Um encontro inesperado com um desconhecido deu-lhe o impulso que James para reencontrar o seu caminho na música. Hoje é um pianista aclamado em todo o mundo.

Instrumental é um testemunho apaixonado e apaixonante, negro e luminoso sobre o poder terapêutico da música e a sua capacidade de transformar as nossas vidas, mas também, e sobretudo, sobre a nossa própria capacidade de reinvenção.

NOVIDADE | PÃO COM FIAMBRE | CHARLES BUKOWSKI

Li há uns tempos, em ebook. Sai pela primeira vez a edição traduzida pela Alfaguara. Este é obrigatório. É maravilhoso. espectacular, fabuloso. Sério. Leiam. Dia de 4 de Outubro.

 

SINOPSE

Naquele que é amplamente considerado o melhor de todos os seus romances, Charles Bukowski descreve os longos e amargos anos de uma juventude vivida à margem, através da voz inconfundível de Henry Chinaski, o seu famoso alter-ego. 

Parcialmente autobiográfico, mas absolutamente cómico, trágico e nostálgico Pão com fiambre tornou-se, quase de imediato, um clássico da literatura americana contemporânea.

LANÇAMENTO | "A ESTRADA SUBTERRÂNEA" | COLSON WHITEHEAD

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Vencedor dos prémios National Book Award 2016 e Pulitzer 2017. Será lançado em Setembro pela  Alfaguara. Quero muito ler este livro sobretudo pela temática. Tenho a sensação que estamos perante um excelente livro. 

 

SINOPSE

A Estrada Subterrânea é a história de Cora, uma escrava que foge de uma plantação de algodão na Georgia e que embarca numa viagem através da mítica Undergroung Railroad, uma linha de comboio subterrânea que terá servido de fuga a milhares de negros durante o período do esclavagismo. Cora atravessando vários estados americanos, à medida que procura a sua verdadeira liberdade, e em fuga constante de um caçador de escravos.

 

Ficha técnica
A Estrada Subterrânea
De Colson Whitehead
ISBN 
978 989 665 280 7
384 Páginas
PVP c/IVA 18,80€

"DOCE CANÇÃO" | LEILA SLIMANI

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Requisitado na biblioteca, com o privilegio de ser a primeira, este livro foi uma leitura surpreendente e agoniante. 

 

Infanticídio. Baseado numa história verídica, uma ama mata duas crianças. Começamos pelo final logo nas primeiras páginas, já sabemos como a história termina. E isso não estraga a leitura, queremos saber o que se passou e o que despontou aquele crime.Não sei como é que a autora fez isto, mas não consegui parar de ler. Presa à crueldade, ao realismo dos acontecimentos. E o título? Fui tão bem enganada, senhores. 

 

Mãe de dois filhos, Myriam quando volta a trabalhar precisa de contratar uma ama. Ela e o marido contratam a Louise, uma mulher muito simpática e habilidosa com as crianças.  Tudo parece perfeito, a Louise faz parte da família, é uma peça indispensável naquela família. Conforme a história avança, vemos que não é bem assim. Alias, já conhecemos o desfecho. 

 

Leiam, sinceramente acho que a sinopse já é motivo mais do que suficiente. É envolvente e visceral. Conhecemos histórias de violência contra as crianças diariamente, no entanto este tema sensível é pouco abordado na literatura de forma tão crua e brutal. É também abordada a forma como a mãe destas duas crianças vive a maternidade e o desejo de ser profissionalmente activa. A pressão da sociedade. A forma como os parentes e pessoas próximos se afastam. A maternidade é de facto um turbilhão de emoções. Infelizmente estas situações são mais frequentes do que podemos imaginar. 

 

A maternidade exige pais presentes e dedicados. A sociedade exige sucesso e profissionalismo. É uma luta interior constante em busca uma perfeição impossivel e esgotante. 

 

"A pílula nunca é cem por cento infalivel", dizia, rindo diante das amigas, Na verdade, planeara aquela gravidez. "

 

"Tinha inveja do marido. Ao fim do dia, esperava-o febrilmente atrás da porta. Passava uma hora a queixar-se dos gritos dos meninos, do tamanho do apartamento, da sua falta de tempo livre."

 

" A solidão agia como uma droga da qual ela não tinha a certeza de se querer privar. Louise errava pelas ruas, pasmada, com os olhos tão arregalados, que até doíam."

 

A história real no qual a autora baseia este romance aconteceu em 2002, em NY. Yoselyne esfaqueou duas crianças que estavam ao seu cuidado, uma de seis e outra de dois anos. A ama ficou com raiva da patroa por lhe ter pedido para fazer trabalhos domésticos. Arrepiante. 

 

Uma canção doce cantada ao ouvido de uma criança em contraste com o que de pior tem o ser humano. Pais desta vida, preparem o vosso coração. 

 

Recomendo imenso. 

 

(livro requisitado na biblioteca)

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