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DESAPARECER NA ESCURIDÃO | MICHELLE MCNAMARA

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Lançamento: Julho, 2018

Editora: Relógio D´Água

 

Sinopse

Este livro tem o enredo, suspense e intensidade de um policial. Trata-se, no entanto, de um livro de não-ficção. McNamara morreu de forma trágica a meio da investigação que procurava identificar o Golden State Killer, responsável por uma onda de violações e assassinatos na Califórnia que se prolongou por mais de dez anos. A Polícia arquivou o caso. Mas McNamara continuou a investigação pelos seus próprios meios. Desaparecer na Escuridão é o relato de anos de investigação sobre a mente de um criminoso impiedoso.

É também o retrato da obsessão de uma mulher pelo fim da impunidade de um assassino. Este livro está destinado a tornar-se um clássico da literatura policial. Os direitos de adaptação para série de televisão foram adquiridos pela HBO.

 

Opinião

Michelle morreu em 2016, infelizmente não ficou a conhecer o rosto da sua "baleia branca", a quem apelidou de Golden State Killer. O homem que a fez escrever, pesquisar, investigar e passar várias noites em claro foi recentemente apanhado pela policia através do ADN. Alguns meses depois da publicação do livro nos Estados Unidos, com entrada direta para o top de vendas dos livros de não-ficção. Dois anos após a morte da autora.

 

Não foi ela que finalizou este livro, o seu marido contratou outro escritor de romances policiais, Paul Haynes. Infelizmente sem o desfecho merecido e o nome do violador. Por um bocadinho... No entanto, a inexistência desse desfecho não elimina a grande viagem literária no mundo do crime real que este livro permite. Está cheio de textos da Michelle que foram partilhados no seu blog "True Crime Diary", fotos, mapas, notas do editor, dados da policia adquiridos para a investigação e um Pósfacio do marido dela.

 

O modo operadis do Golden State Killer era invadir as casas durante a noite apontando luzes fortes para o rosto das vitimas com armas. Ele visitava as casas antes, analisava a família, cortava as linhas telefónicas, escondia cordas debaixo da cama e invadia com o intuito de violar a mulher e amarrar o homem. Aparecia com o rosto tapado com uma máscara de esqui e costumava roubar alguns objetos após o ataque. Colocava pratos empilhados em cima do homem e caso ele deixasse cair algum, a mulher seria morta. Chegou a matar. Estimam-se mais de 45 casos de mulher violadas e 12 casos de assassinato.

 

Somos levados pela obsessão da autora e sentimos a carga emocional depositada no seu trabalho. Achei curiosa este obsessão da autora, o que me levou a questionar várias vezes sobre a sua própria história. Acabei por me emocionar quando descreve a sua relação com a mãe. Aproxima-a, mostra a sua sensibilidade. Outra coisa que adorei neste livro foi a introdução da Gyllian Flynn. 

 

"Adoro ler histórias sobre crimes reais, mas sempre tive consciência de que, enquanto leitora, me transformo conscientemente na consumidora da tragédia de outra pessoa. Portanto, enquanto consumidora responsável, tento ser cuidadosa nas escolhas que faço. Leio só o melhor: escritores persistentes, perspicazes e compassivos. Era inevitável encontrar Michelle."

 

Não dá como não sentir frustração por ela, sem conhecer o desfecho desta investigação. A Michelle esteve tão perto. Ela foi importante na resolução deste crime e a sua intuição não esteve muito longe. Percebemos que o traço que ela criou do Golden State Killer é semelhante com a realidade. 

 

Este livro deve ser incluído nas leituras dos fanáticos do crime real. Não sendo um romance ficional é deveras impressionante. Marcado por muita violência, com uma narrativa bastante envolvente, é um livro que não queremos largar e ainda precisamos de falar sobre ele com toda a gente. As descrições são narradas com mestria, com enorme riqueza nos pormenores levando a reconstruir as cenas do crime facilmente na nossa imaginação. 

 

A personalidade forte desta mulher é traduzida pelo seu trabalho extraordinário. A persistência assim como a sua sensibilidade são traços notórios na sua escrita. Adorei. Aposto que vocês também vão adorar. 

 

"Quando conto a alguém nascido na zona que estou a escrever sobre um violador em série de Sacramento, ninguém pergunta qual dele é: isto é revelador não só sobre esta zona nos anos setenta, mas também sobre o EAR"*

 

A HBO já comprou os direitos da obra, teremos uma série para desfrutar. 

 

*EAR, significa East Area Rapist. nome pelo qual Golden State Killer era chamado pela polícia 

 

Para comprar o livro, clique AQUI

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A MORTE | MARIA FILOMENA MÓNICA

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Data: Julho, 2011

Editora: Fundação Francisco Manuel dos Santos

 

Sinopse

É provável que eu morra nos próximos dez, quinze anos. Tenho filhos e netos, amei e fui amada, escrevi livros, ouvi música e viajei. Poderia dar-me por satisfeita, o que não me faz encarar a morte com placidez. Se amanhã um médico me disser que sofro de uma doença incurável, terei um ataque de coração, o que, convenhamos, resolveria o problema. Mas, se isso não acontecer, quero ter a lei do meu lado. Gostaria que o debate sobre as questões aqui abordadas, o testamento vital, o suicídio assistido e a eutanásia, decorresse num clima sereno. Mas teremos de aceitar a discussão com todos os opositores, mesmo com aqueles que, por serem fanáticos, mais repulsa nos causam. Que ninguém se iluda: a análise destes problemas é urgente.

 

Opinião

"Em 1968, um grupo de peritos reuniu-se na Faculdade de medicina de Harvard para repensar no conceito  morte. Com base no critério de ser o cérebro o órgão que define uma pessoa, passou-se a declarar morto qualquer individuo que evidenciasse sinais de paragem cerebral. A decisão foi pacifica, uma vez que a Igreja Católica não se opôs à definição. "

 

O tema é pesado, mas a escritora consegue colocar uma leveza e aquela sensação descomplicada em relação ao assunto. Pensava que ia ficar com um peso enorme nas costas depois de ler este livro, mas pelo contrário. É retratado de forma muito sensível e fez-me refletir bastante sobre as mortes ingratas e tristes nos hospitais portugueses. Parece que a taxa de mortes em hospitais aumentou significativamente ao longo dos anos. 

 

Neste livro, a autora fala na primeira vez que teve contacto com a palavra morte. Acho que também aconteceu o mesmo comigo. Na catequese ou na disciplina Religião e Moral, falam bastante no inferno e no céu como duas opções para a morte. Lembro-me de questionar bastante a professora sobre este assunto e nunca aceitar as palavras como certezas absolutas. Assim como a autora deste livro. Mais tarde, Maria Filomena Mónica é confrontada com a doença de Alzheimer da mãe e a sua morte. Tudo o que ela escreve é de uma sinceridade incrível e alguma comoção. 

 

"...o que sentia não era tristeza, mas alívio. Isto pode parecer - e é-o - difícil de admitir, mas é o que sucede a quem tem pais com doenças psíquicas prolongadas. Os onze anos, em que assistira a uma mente brilhante deteriorando-se, haviam-me conduzido ao desespero."

 

A forma como a sociedade lida com a morte tem vindo a mudar bastante. Os rituais mudaram, assim como a maneira como falamos na morte. Através de várias referências literárias e casos reais somos levados a questionar sobre a eutanásia. Também nos é dado factos sobre a forma como o Estado trata o envelhecimento prolongado.

 

De todas as histórias relatadas neste livro, a mais marcante é a história de amor de dois velhinhos que ocorreu em 2011. Ela com 89 anos, ele com 85. É caso para dizer, "felizes para sempre, até que a morte os separe". Muito comovente. E mais uma vez levamos uma chapada da realidade. 

 

Recomendo muito este livro. É sem dúvida uma leitura completa, que nos vira do avesso e nos mete a refletir sobre a eutanásia, morte, e consequentemente, vida. Escrito de forma bastante acessível e envolvente. Não deixem de ler esta pechincha de livro (custou-me menos de 3,50€) pertencente à editora Fundação Francisco Manuel dos Santos. Tem títulos fabulosos que não me canso de recomendar. 

 

Outro livro sobre o tema, é o romance de Tolstoi, A Morte de Ivan Ilyich. Referido neste ensaio, li há uns anos e foi uma leitura absolutamente marcante. Também recomendo.

 

Saio desta leitura com a certeza que quero ler mais livros desta notável escritora. 

ALICE NO PAÍS DAS SAPATILHAS | SUSANA TAVARES

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Data de lançamento : 4 de julho

Editora: Manuscrito Editora

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Sinopse

 Alice, 15 anos, é a miúda mais popular do colégio. Namora com o Mister Giraço do 12º ano e o seu blogue, Alice no País das Sapatilhas, soma visitantes e seguidores. Like, like, like! o seu sonho de vida é ser uma Fashion Blogger, sempre atenta às últimas tendências. 

Mas, a um mês de fazer 16 anos, o feed da sua vida muda radicalmente quando os pais decidem ir viver para Rolhas, uma pequena e remota aldeia de Trás-os-Montes onde nem sequer há Internet. What? OMG! Vários emojis de espanto! 

E agora? Será possível sobreviver à adolescência sem redes sociais? e como é que ela, habituada a viver permanentemente online, vai traçar o seu caminho offline? Longe da cidade, dos centros comerciais, das amigas e do namorado… São demasiados dramas para uma janela de chat só! 

Alice no País das Sapatilhas - Tirem-me deste filme! é uma história divertida que acompanha as aventuras online e offline de uma adolescente dos dias de hoje, em que os dilemas próprios da idade passam pela existência (ou não) de Wi-Fi.

 

Opinião

Se eu tivesse 15 anos e a minha família tivesse a brilhante ideia de ir viver para Rolhas, uma aldeia de Trás-os-Montes, sem internet, acho que teria um colapso. Uma pessoa viciada em redes sociais, com um blogue, amigas, namorado, não pode ter outra reacção. certo? É um grande drama, sobretudo na adolescência. Adeus vida, olá idade da pedra. 

 

A Alice é uma adolescente super fútil, é blogger de moda, acha-se superior às outras raparigas e tem uma atitude de menina mimada que me fez revirar os olhos várias vezes ao longo da leitura. Mas se pensar na minha pessoa há uns anos atrás, ou em algumas miúdas desta idade, sempre agarradas ao telemóvel, consigo ver que a Alice é o retrato fiel de muitas raparigas. E claro, a idade traz sabedoria e os obstáculos muita aprendizagem. 

 

O livro lê-se de um só fôlego. O enredo é super rápido, não enrola, as situações são engraçadas e apesar do final se facilmente adivinhar a dada altura, acaba por ser muito fofo. Acho que a escritora Susana Tavares conseguiu passar muito bem a mensagem importante nos tempos modernos. É possível sermos felizes em modo offline. A vida tem uma série de coisas para fazer e viver para além das redes sociais. Se calhar, com 15 anos ia ter dificuldades em acreditar nisto, mas juro que é verdade. Pensamos que estamos a perder este mundo e o outro sem wi-fi, mas nada mudou no mundo virtual duas horas depois. 

 

Gostei muito deste livro. Aborda temas que me suscitam algum medo como mãe de pequenos adolescentes. Enquanto, não chega a minha vez, guardo o livro para eles lerem mais tarde. Entretanto,meto já a minha irmã adolescente a ler este livro, é uma forma subtil de lhe passar a mensagem. Outro ponto a favor deste livro são as pequenas ilustrações ao longo do livro e os balões correspondentes às sms trocadas entre as personagens. O trabalho a nível gráfico está muito bom. Espero que o livro vire uma série, seria engraçado aproveitar estas personagens com novas aventuras.

 

Recomendo. Aos pais, que lidam ou vão lidar com adolescente. Aos adolescentes que se acham a última bolacha do pacote e aos futuros adolescentes que não passam sem o seu telemóvel.  

 

Citação:

". Eu e o teu pai passámos demasiado tempo concentrados nas nossas carreiras em dar-te uma vida confortável. Tão confortável que tu nem consegues conceber a ideia de te separares dela por uns tempos... Mas não te preocupes, daqui a uns meses estás de volta à civilização,..."

 

"As mudanças podem ser boas, se estivermos na disposição de as aceitar."

YORO | MARINA PEREZAGUA

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Yoro deixou uma marca em mim. A audácia e inteligência da escritora Mariana Perezagua é tão evidente ao longo da narrativa que é impossível não ficar de queixo caído.  Tive a sensação que ela estava na primeira fila dos acontecimentos e conhecia detalhes que mais ninguém suspeitava em relação ao sofrimento daqueles que lidaram com a bomba de Hiroxima. 

 

Fui completamente atropelada pelo sofrimento da protagonista, H.. Alguém que nasceu com os dois sexos, criada como homem, mas sempre se sentiu mulher. Uma pessoa que vê a sua vida transformada depois do ataque nuclear. Alguém que deseja profundamente ser mãe e livrar-se dos seus traumas. Ler este livro é como cair num buraco profundo de angustia, numa espiral de emoções sem um pingo de esperança. 

 

Podia referir todos os outros temas abordados neste livro. São imensos e completam-se como um puzzle. Mais uma vez a audácia desta escritora a conseguir um enredo complexo e harmonioso entre si. Vou deixar a descoberta para os leitores curiosos. Fica desde já a ponta do véu levantada e espero que atraia mais leitores para este grande tesouro da literatura. Estou mesmo impressionada!

 

Para uma opinião mais completa, recomendo o post da Alexandra. A culpada pela leitura deste livro. 

CONFIA | SOFIA RIBEIRO

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Li este livro muito rapidamente. Parecia que estava a ler um blog escrito por uma figura pública, mas desta vez alguém muito genuíno e sem problemas de expor as suas fragilidades. A Sofia Ribeiro teve cancro na mama e conta neste livro todo o processo. Mas começa pela infância difícil, pela forma como batalhou e conseguiu um papel nos Morangos com Açúcar. 

 

Depois livro ganha um tom mais sério, entre muito trabalho, durante um jantar comenta que sente um caroço na mama e a Vanda, mulher do Esparteiro, sugere um médico. A Sofia acaba por ir ao médico e fazer exames.Descobre assim que tem cancro, a forma como o seu mundo é extremamente abalado. Revela quem foram as primeiras pessoas a saberem e como o jornal Correio da Manhã descobre a notícia e sem falar com ela decide fazer uma capa sobre o assunto. Não imagino a dor de ver divulgada a privacidade numa situação to delicada, mas é extremamente angustiante ver o outro lado do mundo cor de rosa. 

 

A Sofia estava a começar a gravar uma nova novela e ia mudar o destino de outros actores para começar o tratamento. De forma geral, todos foram compreensivos, mas também passou por situações muito ingratas de falta de sensibilidade dos outros. A actriz fala de forma muito sincera sobre o que foi escrito na impressa sobre ela, comentários bons e maus. Mas este livro tem uma forte energia positiva, apesar de tudo. 

 

É uma linda forma de manifestar a gratidão pelos seus amigos sempre presentes. E eu acredito que ela teve rodeada dos melhores. Nas situações mais difíceis conseguimos ver quem é verdadeiramente nosso amigo. E a amizade foi um ingrediente importante em todo o processo. A Sofia, assim como todas as mulheres que passam por isto, são umas guerreiras. Este livro traz uma mensagem de confiança e esperança. Gostei muito. Recomendo também, claro. 

1001 COISAS QUE NUNCA TE DISSE | CATARINA RODRIGUES

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Catarina Rodrigues lançou o seu primeiro romance, “1001 Coisas que Nunca te Disse” pela Oficina do Livro. Num registo muito descontraído, simples, conta a história do desgosto de amor da Sara. São através de cartas ao David com bastante sinceridade e sem filtro, que Sara vai contar tudo o que não disse. Não fica nada por dizer.

 

Quem nunca passou por um desgosto de amor? Quem nunca viveu um amor intenso? Vários leitores vão identificar-se com esta história e ver espelhada a vontade de gritar algumas palavras aos seus ex.

 

Durante os lamentos da apaixonada Sara senti pena. Pena pela forma como a sua auto estima era nula. Pena por todas as mulheres que vivem centradas num amor que não merece. E preocupa-me que algumas raparigas vejam romantismo ou bonito sentir algo desta forma por um homem. Incomodou-me. É natural existir um processo de luto após o fim de uma relação. É natural sentir revolta e pedir justificações após mentiras e traições. Sobretudo é o primeiro e há muita entrega, mas não devemos nunca, MENINAS, colocar o nosso amor próprio para segundo lugar e quebrar essa ligação que temos com nós mesmas. No final a Sara acaba por trazer uma mensagem de esperança, mas continua focada naquele amor antigo. Para ela, tudo se resume ao David e como precisa de provar que ela está bem numa ida ao restaurante mais caro. Um nadinha imaturo, não? Não acho que fique bem explicado a evolução da protagonista perante esse desgosto.

 

Já cometi alguns dos erros da Sara e também sofri os meus desgostos. Se tivesse lido este livro noutra fase da minha vida teria sido um livro marcante. Estou noutro nível e não consigo olhar agora para o amor desta forma esgotada e desesperada. Espero que as mulheres tenham a capacidade de não se destruírem por causa de um homem que não as merece. A vida está cheia de oportunidades. E apesar do livro tentar mostrar isso, não foi suficiente.

 

O que mais gostei neste livro foi a relação da protagonista com os pais, irmã e avós. Chorei numa passagem muito difícil. Nenhuma criança merece ser maltratada. Senti naquelas palavras tanta verdade que foi impossível não ficar sensibilizada. É uma história muito triste, mas a fibra da Sara deve-se a esta passagem menos triste.

 

É um género literário que normalmente não leio. Foi uma experiência muito irregular, longe dos princípios ou mensagens que tento passar. Tem uma narrativa muito fluida e algo nos faz continuar a ler para descobrir o que se vai passar na vida da protagonista. Não sendo o final que mais surpreende, facilmente criamos alguma identificação com a história devido ao tema abordado. 

 

Sigam o instagram do livro, podem ver algumas frases soltas e perceber é do vosso agrado. 

AQUILO QUE OS HOMENS ME EXPLICAM | REBECCA SOLNIT

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Eu sabia que devia ter lido este livro mais cedo. Ensaios sobre a igualdade de género, num tom sério e cheio de dados importantes, só podiam trazer conhecimento para a minha vida. É aquele livro que devia comprar, depois de ter lido após empréstimo na biblioteca. Numa mega oportunidade, quem sabe.

 

Talvez seja uma leitura aborrecida para quem dispensa leituras baseadas em estatísticas e aspetos reais de outro país. No entanto, fala em todas as mulheres, e na forma como a agressividade está em 90% dos homens. Talvez seja demasiado cruel para quem está habituado a paninhos quentes em relação a um assunto tabu.  E apesar do retrato ser dos americanos, temos aqui representada a nossa realidade noutra escala. E afinal, não é o mundo a morada universal?

 

Um livro que mostra como os homens calam as mulheres. Como abafam os seus conhecimentos e inteligência. Como as mulheres são pouco valorizadas. No poder das nossas vozes enquanto lutadoras pelos direitos de igualdade de género. 

 

Um livro que acrescentou. Como ele, trouxe a vontade de manter uma voz ativa de enaltecer o trabalho de todas as mulheres. E pensei seriamente em criar outro blog com esse objetivo, mas posso muito bem usar este cantinho. Como tenho feito, através das minhas sugestões literárias e sempre que possível nas minhas redes sociais. Não preciso de ter medo dos haters, até porque haters gonna hate.

 

Recomendo imenso este livro. Tem de ser lido por mais pessoas, por favor. Ah, leiam a opinião da Alexandra, que muito contribuiu para a minha leitura, AQUI.

UM DE NÓS MENTE | KAREN M. MCMANUS

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Foi o primeiro thriller young adult que li nesta vida. Ouvi falar muito neste título na comunidade do booktube brasileiro e estava super curiosa. Quando a Gailivro lançou a edição portuguesa com esta capa linda fiquei entusiasmada. Estava de facto muito curiosa e peguei nele assim que pude. 

 

Um grupo de jovens fica de castigo numa sala de aula. Um deles morre. Alguém é o culpado? Quem terá sido? Bronwyn, Nate, Cooper ou Addy? O livro vai desvendar esse mistério capitulo após capitulo através da construção das personagens. Cada um deles parece um cliché banal de um qualquer livro para adolescentes, mas não é bem assim. Todos mostram que têm traços peculiares e estão a lidar com situações que nos fazem sentir alguma empatia por eles. 

 

O meu entusiasmo foi decrescendo ao longo da leitura. Comecei muito entusiasmada, mas o meu interesse esmoreceu. E apesar do final ter sido surpreendente (nunca pensei naquela opção), não fiquei assim tão empolgada como seria de esperar. No entanto, acho que é uma boa aposta da editora, será com certeza do agrado da maioria, mas comigo não funcionou. No meio da leitura comecei a perder o interesse em relação à vida das personagens, e nunca senti alguma conexão com a trama.

 

Gostei do livro, mas ficou bastante aquém das minhas expectativas. Todavia, sou das poucas leitores que teve esta opinião. O livro tem recebido inúmeras criticas positivas. 

 

 

Não sei se sabiam, mas a Gailivro já tem Instagram (AQUI) e até dia 31 está a sortear cinco exemplares deste livro.  

NO JARDIM DO OGRE | LEILA SLIMANI

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No Jardim do Ogre foi o primeiro romance escrito pela autora Leila Slimani recentemente publicado pela Alfaguara. É a autora de um dos meus livros preferidos do género thriller psicológico, Canção Doce, vencedor do prémio Goncourt. Leiam, não se vão arrepender, promessa de quem ama livros. Não dá para parar, nem ficar indiferente à sua escrita.  É absolutamente fantástico.

 

Neste livro conhecemos a Adèle, uma mulher com uma enorme fome sexual, casada e mãe de um menino. Ela é uma mulher insatisfeita no meio de um círculo de aparências, cujo a maternidade e o casamento com um homem bem-sucedido não lhe dá felicidade. Daí a comparação com Madame Bovary na contracapa. Entre traições, mentiras e desejo procura o absoluto arriscando o conforto e a segurança da sua vida.

 

Foi uma leitura incómoda. Dado o realismo da escrita da autora as cenas intensas e perturbadoras criam imagens vívidas na nossa mente. É extraordinária a forma como a insaciedade de Adèle é descrita, como acabamos a julgar a personagem e a acreditar na sua existência.

 

Esperamos pela tragédia a qualquer momento. Queremos ver Adèle perante a verdade ou a perda. Queremos conhecer melhor as suas motivações. Estamos habituados a ler sobre homens com estas atitudes. Ainda é incómodo para a sociedade estar perante uma mulher como ela. Uma mulher precisa de uma justificação para trair, um homem pode sentir apenas desejo. Aqui a história inverte-se e foi exatamente isso que me surpreendeu.

 

É uma história com passagens cruas, de uma enorme intensidade sendo difícil gerir as nossas emoções em relação a tudo o que está a acontecer. É uma autora para continuar a acompanhar. No entanto, continuo a preferir o registo de Canção Doce sendo esse o meu preferido.

 

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