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amulherqueamalivros

VENCEDORES DO "LER OS NOSSOS"

 

 

Os vencedores desta edição são:

 

Cronovelemas, Mário de Carvalho - Helena Isabel Bracieira

Nuvens de Gritos, Cesár Maia - Rita Araújo

Estuário, Lídia Jorge - Filipa Marques

 

Voucher 15€ Fnac - Marta Chan

Obrigada a todos pela participação. Foi um gosto tremendo voltar a este projeto e ver o vosso entusiasmo. Agradeço que me enviem as vossas moradas de forma a enviar os prémios por correio. 

 

 

OS MELHORES 4 LIVROS DO LER OS NOSSOS DESTE ANO

 

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No passado mês de Julho aconteceu o projeto Ler os Nossos. Um projeto que já conta com três edições e tem muita adesão por parte dos leitores, o que me deixa extremamente feliz. Sobretudo por ver divulgados vários autores portugueses, ver que ainda contribuímos para a nossa literatura e conseguimos sair surpreendidos desta experiência. Pessoalmente sempre gostei bastante de ler os nossos e costumo ler vários autores portugueses ao longo do ano. Mas foi com este projeto que encontrei a maior parte dos meus preferidos. 

 

Com este projeto costumo aliar o projeto Ler Saramago, é um projeto, criado há cerca de quatro anos, que consiste em ler as obras do autor por ordem cronológica. Continua a ser o meu escritor preferido de sempre e apesar de não ter adorado o romance lido o mês passado (Evangelho Segundo Jesus Cristo) valeu a pena voltar à sua rica e entusiasmante ironia. E ver outras pessoas arriscarem o autor é maravilhoso também. 

 

Hoje a lista é sobre as melhoras obras que eu li para o Ler os Nossos. Escolhi quatro livros dentro dos vários lidos. São livros que se destacam pela sua qualidade e que eu recomendo a toda a gente. E ainda têm um preço espetacular, como nós gostamos. 

 

Alçapão, de João Leal (opinião)

Um livro que custou uma pechincha (está à venda por 5€ nos sites) e foi uma total surpresa. Talvez a maior surpresa porque esperava que fosse bom, mas nada me preparou para esta história alucinante. Entretanto, mais pessoas compraram, leram e concordaram comigo. João Leal escreve de forma muito carismática e é bastante criativo.  

 

O Meu Irmão, Afonso Cabral Reis

Meus deus, que livro bom! É aquele livro que uma pessoa não dá nada, encosta eternamente na estante devido a criticas negativas e sai a bater palmas de pé. É fantástico! Por estas e por outras é que devemos sempre seguir os nossos instintos em relação aos livros, em vez de ficarmos presos a opiniões alheias. No entanto, foi a opinião efusiva da Mar Pereira que me empurrou para ele. A narrativa do Afonso é impecável, a história envolvente, o desfecho atordoante. Os temas abordados tocaram-me profundamente. Recomendo a toda a gente. Não vejo a hora de ler o seu novo romance que deve sair ainda este ano. 

 

Morte, Maria Filomena Mónica (opinião)

Adorei este pequeno livro. Aborda a questão da eutanásia com uma linguagem super acessível, cheio de experiências pessoais e dados factuais sobre as mortes em Portugal. Foi uma pequena surpresa ler esta autora e pretendo ler mais no futuro. Vale muito a pena o pequeno investimento neste livro que traz conhecimento, acrescenta conhecimento, aliado a uma narrativa muito envolvente. 

 

Os Passos em Volta, Herberto Helder (opinião)

É um livro muito profundo e carregado de sentimentos angustiantes. Não me canso de ler este autor. Não me canso de pegar neste livro, abrir ao calhas e ler algumas linhas em busca de palavras desconcertantes. Não me canso de buscar significado na solidão expressa nestas páginas. Ele é absurdamente genial.  

 

Já leste algum dos livros citados? Gostas de ler literatura portuguesa? Já arriscaste ler Saramago?

 

Leia também:

18 Escritoras Portuguesas Contemporâneas 

Lugares em Portugal Para Descobrir e Usufruir

Os Meus Escritores Portugueses Preferidos

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AS TRÊS VIDAS | JOÃO TORDO

 

 

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Editora Companhia das Letras

Data Maio 2018

Sinopse

 

História de amor, saga familiar, mistério policial, retrato de um mundo que ameaça resvalar da corda bamba, Três Vidas é um dos mais importantes romances de João Tordo, tendo-lhe valido o Prémio Literário José Saramago.


António Augusto Milhouse Pascal vive longe do mundo, num velho casarão alentejano, com os três netos pouco dados a regras e um jardineiro taciturno. O isolamento é quebrado pelas visitas de clientes abastados que procuram ajuda do velho patriarca, em tempos um importante espião e contra-espião, testemunha activa das grandes guerras do século XX. O nosso narrador - um lisboeta de origens modestas - entra na história quando Milhouse Pascal o contrata como arquivista dos segredos que envolvem os seus clientes. Não poderia adivinhar o rapaz, ao aceitar o trabalho, que este acabaria por consumir a sua própria vida. A partir do momento em que se apaixona por Camila, neta do patrão com sonhos de ser funambulista, que desaparece após uma viagem a Nova Iorque, o destino do narrador enreda-se irreversivelmente nos mistérios da família, partindo a sua existência em três.

 

Opinião

Cada livro que leio do João Tordo é uma surpresa. Teve a capacidade de reinventar-se, experimentar e arriscar. Sendo esta uma história de amor, uma saga familiar, um mistério policial acabou por trilhar por diversos caminhos, portanto temos a sua obra mais completa a nível criativo. Um novelo que precisa de ser desenrolado pelo leitor até ao fim, envolto em mistério e peripécias entre várias cidades (Lisboa, Alentejo, Nova Iorque). 

 

Apesar de mais uma vez nos presentear com histórias onde os homens são os protagonistas, a menina Camila é quem mais brilha neste enredo. A grande paixão do nosso narrador. Um homem com raízes humildes que aceita trabalhar para um homem excêntrico de forma a ajudar a família com as despesas. Foi sem dúvida a Camila que mais me cativou, ela e a sua forma de olhar a vida e amar a liberdade. Mas todas as personagens são interessantes, têm alguma peculiaridade que as torna próximas e profundas.

 

Senti o tom deste romance menos melancólico, menos dramático. Talvez seja o livro ideal para conhecer o trabalho de João Tordo, apesar do meu preferido continuar a ser O Luto de Elias Gro (preciso de ler os seguintes da trilogia). É notável a mudança do escritor, desde o Prémio José Saramago em 2009. 

 

É um livro grande, que se lê muito bem. Somos levados para dentro das cenas, fazemos as mais diversas teorias sobre o misterioso António Pascal, o patrão do narrador. Conhecemos os seus três netos, um trio divertido e pouco vulgar. Torcemos pelo protagonista, procuramos respostas encontramos mais perguntas. As cenas marcadas pela arte do funambulismo são muito sedutoras, dão um toque mágico a todo o enredo. Consegui imaginar perfeitamente aqueles momentos, acho que são as minhas preferidas. 

 

Não foi um livro transformador ou marcante. Foi uma leitura sem efeitos e divertida. Talvez um bocadinho extensa sem necessidade, mas agradável no seu todo. Recomendo sempre João Tordo.   

OS MEUS ESCRITORES PORTUGUESES PREFERIDOS

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Para esta lista escolhi apenas autores que já li e dos quais recomendo imenso os seus livros. Posso ter lido apenas um livro do autor citado, mas pretendo ler mais ou tudo o que escreveu. Arrebatou-me, penso nele várias vezes, marcou-me. Vários autores não estão na lista apesar de ter adorado os seus livros porque simplesmente não conquistaram aquele lugar especial no coração. São bons, têm livros maravilhosos, mas nem todos nos cativam da mesma forma. Estes autores fazem-me ficar de olho à espera de novos títulos ou reedições. 

 

Estes são de confiança, podem começar já a explorar a sua obra. Estão por ordem crescente, ou seja, do/da escritor/escritora que gosto muito para a/o que amo. 

 

Algum dos escritores citados faz parte dos vossos preferidos? Qual o vosso escritor português preferido que não está nesta lista? Conta-me tudo nos comentários, adoro descobrir novos escritores portugueses. 

 

Eis a lista.

 

H.G. Cancela

Li por recomendação da minha professora. Foi uma excelente descoberta. Dou por mim a pensar neste livro, na escrita irrepressível de As Pessoas do Drama. Um autor absolutamente brilhante que espero ter o prazer de ler mais vezes. 

 

José de Almada Negreiros

É um artista multifacetado que me marcou bastante com os dois títulos que li dele. Escreve de uma forma maravilhosa e transpõe para as suas obras a história de uma sociedade assim como a sua arte. Pretendo ler mais a sua poesia. 

 

Fernando Pessoa

Autor estudado na escola, marca qualquer aluno. Mais tarde, por iniciativa própria, li O Livro do Desassossego que me deu um nó no cérebro tal a sua profundidade e a minha imaturidade. Sonho comprar aquela edição linda da Tinta da China para reler. E a poesia do Fernando Pessoa é única, tem de ser lida e relida. 

 

Júlio Dinis

Nunca me esqueci da história Uma Família Inglesa. É um título que recomendo sempre e me deliciou durante umas férias em Vieira de Leiria. Pretendo ler mais, sobretudo As Pupilas do Senhor Reitor.

 

Miguel Esteves Cardoso

Conhecemos o escritor pelas suas crónicas maravilhosas. E não desfazendo dos romances, são as suas crónicas que me enchem as medidas e me apaixonam. Uma visão extremamente sensível que sabe colocar em palavras o estado da alma. 

 

Joel Neto

Perdi-me no seu romance Arquipélago. Foi uma surpresa total que me deslumbrou e deixou saudades. Quero ler os outros romances, a sua escrita é apaixonante. 

 

Bruno Vieira Amaral

Prefiro não tecer mais elogios a este escritor para não me tornar repetitiva, mas este é outro exemplo do qual pretendo devorar tudo o que escrever. Sem pressas. 

 

Rosa Lobato de Faria

A minha querida do coração. Li várias obras e o seu toque de ternura continuam a conquistar-me. É umas das escritoras que recomendo para começar a ler autoras portuguesas. São histórias muitos tradicionais e com personagens muito portuguesas. 

 

Valter Hugo Mãe

Demorou para me conquistar, mas agora será difícil de me desiludir. Autor impecável, com uma forte aptidão para colocar os leitores a chorar. São sempre histórias tristes, sufocantes. Adoro. 

 

Isabela Figueiredo

Li os seus dois livros e gosto muito de ambos. Foi uma autora que me conquistou pela escrita e pretendo seguir com atenção o seu caminho na literatura portuguesa. 

 

Isabel Lucas

Jornalista, o seu trabalho foi compilado sobre o sonho americano numa edição marvilhosa da Companhia das Letras. Leio sempre que posso os seus trabalho no jornal diário Público.

 

Afonso Cruz

Aquele escritor querido de todos os leitores. Não há escritor como ele. Conquista as pessoas com um paragrafo e vira amor para a vida toda. No meu caso, apaixonei-me por um final e depois daí a minha paixão foi sempre a crescer. 

 

Nuno Júdice

Poeta incrivel que me encantou ao prmeiro poema. Um dos meus poetas preferidos e aquele que recomendo para quem quer começar a ler poesia portuguesa. 

 

José Luís Peixoto

Quero ler tudo o que escrever. Gosto da figura e da escrita. Tenho opiióes contrárias em relação aos seus livros, ora gosto muito, ora nem por isso. Mas vou ler sempre que lançar um livro. Há amores que não se explicam. 

 

João Tordo 

Gosto dele tanto ou mais como gosto dos seus livros. Talvez por achar que a sua escrita é parte daquilo que ele é. Coloca muito da sua personalidade nos seus romances e isso sente-se. Gosto muito e cada vez mais.  

 

Eça de Queirós

Autor que o tempo não fa esquecer, pelo contrário. Já li vários romances do autor clássico, mas só desgostei de um. Adoro aquilo que mais criticam na sua narrativa, descrições imensas. Autor da vida desde muito cedo.

 

Herberto Helder

Para mim é o mestre, um gigante da poesia. Foi com os seus poemas que senti o impacto da poesia. 

 

Maria Teresa Horta

Aquela escritora que será sempre uma excelente aposta e me fará suplicar que escreva muito por muitos anos. Um dos maiores nomes da literatura portuguesa. Que bom encontrar escritoras com este talento. 

 

José Saramago

O meu preferido. Tem uma imaginação, ironia e poder critico sem igual. É único em tudo o que escreve e ama. Até me dói o coração que transborda de amor só de pensar na obra que nos deixou. 

OS PASSOS EM VOLTA | HERBERTO HELDER

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Data: Abril, 2015

Editora: Porto Editora

 

Sinopse

Plano Nacional de Leitura
Livro recomendado para o Ensino Secundário como sugestão de leitura.

Aparentemente um livro de contos, histórias de enredos simples, mas romanticamente transcendentes, representam os passos de um homem em torno da sua existência, sem respostas paradigmáticas, num vazio que se procura transformar em matéria. Sobeja-lhe o corpo, divino, prodigioso e redentor, onde regressa sempre.

«Talvez pudesse ouvir passos junto à porta do quarto, passos leves que estacariam enquanto a minha vida, toda a vida, ficaria suspensa. Eu existiria então vagamente, alimentado pela violência de uma esperança, preso à obscura respiração dessa pessoa parada. Os comboios passariam sempre. E eu estaria a pensar nas palavras do amor, naquilo que se pode dizer quando a extrema solidão nos dá um talento inconcebível. O meu talento seria o máximo talento de um homem e devia reter, apenas pela sua força silenciosa, essa pessoa defronte da porta, a poucos metros, à distância de um simples movimento caloroso. Mas nesse instante ser-me-ia revelada a essencial crueldade do espírito. Penso que desejaria somente a presença incógnita e solitária dessa pessoa atrás da porta.»

 

Opinião

Por vários lugares do mundo, o narrador é perseguido pela solidão, a angústia permanente. Entre álcool, noites obscuras e pensamentos marcados pela intensidade, cada conto é como escavar um buraco profundo na própria existência. Como costuma fazer a boa literatura, somos confrontados com emoções e estranhamentos que dificilmente somos capaz de colocar em palavras. Somos levados a sentir avalanches de perturbações que poucos escritores conseguem com as suas obras.

 

Herberto Helder, sendo o mestre, é um absoluto encantamento sempre que o leio. Primeiro, A Letra Aberta, a sua poesia maldita tornou-se num dos melhores livros de poesia da minha vida. Vendo o documentário sobre ele, tornei-me sua admiradora. Agora este maravilhoso Os Passos em Volta (1963), numa edição fantástica da Porto Editora, comprado o ano passado, guardado para ler neste projeto. Entretanto, já reli alguns contos. Já peguei nele entre pedaços mortos do dia a dia.

 

Teoria das Cores é um dos meus contos preferidos. Fala num pintor que tinha uma aquário com um peixe vermelho. O peixe está a tornar-se negro a partir de dentro. Tem uma página, mas marcou-me no meio de todos os outros. Lugar Lugares é outro absolutamente genial. Incrivel. As pessoas, boa noite, bom dia. Todos os outros são passagens preciosas, um autentico mistério em determinados momentos. Herderto Helder tem um talento inconcebível. 

 

" Era uma vez um lugar com um pequeno inferno e um pequeno paraíso, e as pessoas andavam de um lado para outro, e encontravam-nos, a ele, ao inferno e ao paraíso, e tomavam-nos como seus, e ele eram seus de verdade. As pessoas eram pequenas, mas faziam ruído. E diziam: é o mei inferno, é o meu paraíso. E não devemos malquerer às mitologias assim, porque são das pessoas, e neste assunto de pessoas, amá-las é que é bom." 

 

"Levava tudo para a retrete: o amor, o terror, a grande cidade, o anjo da guarda com quem atravessara o bairro atulhado de putas. A minha obra nascia."

 

"Faz com que eu seja sempre um poeta obscuro."

VIRTUDES DA IMAGINAÇÃO

De todas as escritoras de thrillers que apareceram nos últimos anos a minha preferida é a Gillian Flynn. Em Parte Incerta impressionou-me de tal forma que li tudo o que foi traduzido em Portugal. A semana passada estreou a série na HBO, adaptação do seu romance Objetos Cortantes. Conta com a Amy Adams como protagonista e tem oito episódios. Acabei de ver o primeiro episódio e adorei. Apesar de já saber como tudo termina sinto algum nervosismo para ver como vão passar para o ecrã todas as emoções. Sinceramente, acho que vou gostar mais da série televisiva. Mais um filmes para o meu desafio de ver 52 adaptações este ano. Tenho tantas recomendações para vos fazer. Outro filme que vi esta semana foi A Ilha dos Cães que é só de um dos meus realizadores preferidos, o Wes Anderson, autor do Fantastic Mr Fox. É um dos meus filmes de animação preferidos, apesar de agora estar dividida entre estes dois. São brutais e se não viram estão a perder filmes com imensa qualidade. Juro. Quanto aos livros, o Ler os Nossos continua a correr bem para mim. Tenho lido imenso, com grandes surpresas. Ontem à ontem acabei o livro de contos do Helberto Helder, Os Passos em Volta. Não dá para explicar, só sentir. Para mim é o mestre. Não é à toa que esta nova rubrica tem como título uma expressão de um dos seus contos. Não sei se consigo escrever sobre o livro. Comecei a ler há uns dias As Novas Cartas Portuguesas, das três Marias. Ainda me sinto a apalpar terreno, mas acredito que estou diante de um livro importantíssimo. Outro calhamaço que me está a acompanhar nestes dias de calor é o Três Vidas, do João Tordo.  Um bom verão para todos. Parece que chegou. 

OS LOUCOS DA RUA MAZUR | JOÃO PINTO COELHO

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Ano: Novembro de 2017

Editora Leya

 

Sinopse

Quando as cinzas assentaram, ficaram apenas um judeu, um cristão e um livro por escrever.
Paris, 2001. Yankel - um livreiro cego que pede às amantes que lhe leiam na cama - recebe a visita de Eryk, seu amigo de infância. Não se veem desde um terrível incidente, durante a ocupação alemã, na pequena cidade onde cresceram - e em cuja floresta correram desenfreados para ver quem primeiro chegava ao coração de Shionka. Eryk - hoje um escritor famoso - está doente e não quer morrer sem escrever o livro que o há de redimir. Para isso, porém, precisa da memória do amigo judeu, que sempre viu muito para além da sua cegueira. 

Ao longo de meses, a luz ficará acesa na Livraria Thibault. Enquanto Yankel e Eryk mergulham no passado sob o olhar meticuloso de Vivienne - a editora que não diz tudo o que sabe -, virá ao de cima a história de uma cidade que esteve sempre no fio da navalha; uma cidade de cristãos e judeus, de sãos e de loucos, ocupada por soviéticos e alemães, onde um dia a barbárie correu à solta pelas ruas e nada voltou a ser como era.

Na senda do extraordinário Perguntem a Sarah Gross, aplaudido pelo público e pela crítica, o novo romance de João Pinto Coelho regressa à Polónia da Segunda Guerra Mundial para nos dar a conhecer uma galeria de personagens inesquecíveis, mostrando-nos também como a escrita de um romance pode tornar-se um ajuste de contas com o passado.

 

Opinião

 

Não é um livro que recomende a toda a gente. Não é aquele livro de leitura super fluida, para devorar nas férias, cheio de peripécias. Pelo contrário, a experiência é árdua. Pela espera, pelo desenvolvimento e pela narrativa. No entanto, se te deixares cobrir pelas personagens e não andares a cem à hora, terás direito a uma boa história sobre judeus perseguidos durante a Segunda Guerra Mundial. Feridas abertas, vozes ensurdecedoras, dramas tão fortes que tornam os nossos problemas em míseros pormenores. Preprarem-se para episódios muito violentos. 

 

Não tinha ficado rendida ao primeiro e aclamado livro do João Pinto Coelho, Perguntem a Sarah Gross. Sem pedido de desculpas, assumo que nunca me deixei envolver pela história, senti que o tempo de espera para o grande final fora muito longo. Andas, andas, e quando devias explodir de emoção, não sentes nada. Sei que foi o livro preferido de muita gente, mas sinceramente já li livros mais cativantes. Neste romance, vencedor do Prémio Leya em 2017, o autor volta à mesma formula, só tens direito à emoção no final. 

 

A escrita é riquíssima. O que me agrada. Tem personagens interessantes, algumas surpresas pelo meio e nada neste livro é cliché. Sabem quando não fazem ideia para onde o autor vos quer levar? É exactamente isso. Não sabes que história anda o Eryk a escrever há mais de vinte e dois anos. Não sabes qual é a importância do livreiro cego Yankel no meio disto disto. Mas queres descobrir e perceber o que se passou na Polónia. 

 

Gostei um bocadinho mais deste romance, mas não fiquei com os olhos a brilhar nem aos pulos por ter encontrado o livro da minha vida. Encontro claramente um grande talento, muito estudo relativamente a este pedaço da História Mundial e há uma evolução evidente em relação ao primeiro. No entanto, a história tem um ritmo lento, é aborrecida em determinados momentos e contém personagens imensos.

 

Recomendo para os leitores persistentes. 

 

DEZ LIVROS FABULOSOS ESCRITOS POR PORTUGUESES

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Decidi criar uma lista recheada de títulos escritos por autores portugueses. São livros que me marcaram muito pelas mais diversas razões. Não quis ir pelas obra mais recorrentes, mas acabei por tropeçar três vezes. Não dava para passar ao lado sem voltar a falar neles. No entanto, acho que vão ter algumas surpresas. A literatura portuguesa é a que mais me apaixona. E assim, como em outras áreas, a literatura está cada vez melhor. Como novos autores, novas perspectivas e opções. Há lugar para todos os gostos, se não somos os melhores do mundo andamos muito perto de o ser. Temos o melhor do mundo, a nossa língua. A mais rica, a mais vibrante e apaixonante. 

 

Se tiverem títulos para me recomendar, ou se ficaram interessados em algum desta lista, sintam-se à vontade para comentar, discordar e acrescentar. 

 

 

Começo pelo titulo com opiniões mais distintas. Ora gostaram muito, ora nem por isso. Eu amei e apesar de não ter gostado muito das obras seguintes, este guardo no coração. No Meu Peito Não Cabem Pássaros, de Nuno Camarneiro. Foi o seu romance de estreia, com uma forte e fantástica narrativa. Para quem gosta de prosa poética, de histórias que não se entregam de imediato, este livro é O livro. 

 

 

 

Vou bater na mesma tecla e recomendar Maria Teresa Horta, a minha escritora portuguesa preferida. Venha quem vier. Já li dois livros e estou a ler o terceiro. Meninas e A Paixão Segundo Constança H são duas obras inigualáveis na literatura portuguesa. A escrita é a perfeição dentro dos requisitos do que é para mim a qualidade. 

 

 

Dias Úteis, de Patrícia Portela é um livro totalmente desconcertante. Fez-me sair da zona de conforto e pedir por mais. Precisamos de mais escritoras como ela, com um enorme domínio e liberdade, mostra que a literatura portuguesa está de saúde e recomenda-se. 

 

 

José Luís Peixoto é um dos mais conhecidos desta lista, mas não podia deixar de sugerir o seu último título O Caminho Imperfeito. Neste livro caminhamos com o autor numa viagem a Banquecoque e a Las Vegas. Somos confrontados com a sua verdade, na esperança de quebrar preconceitos em relação às suas escolhas. Temos um escritor que se divide entre o mais querido, sincero e sensível. 

 

 

Um dos últimos romances escritos por um autor português capaz de me fazer os olhos brilharem foi Hoje Estarás Comigo no Paraíso, de Bruno Vieira Amaral. Confesso que sou um bocadinho exagerada quando me apaixono por um livro ou autor, mas este foi um caso sério. No entanto, com o passar dos meses, o deslumbre apesar de ter atenuado bastante, acabo sempre por pensar nele quando preciso de recomendar um livro que misture realidade e ficção cheio de personagens fáceis de identificar como os nossos vizinhos, o passado ou os encontros ocasionais. 

 

 

 

Aquela leitura obrigatória sobre violência doméstica que devia estar em todos os centros de saúde e bibliotecas na esperança que a palavra fosse passada de boca em boca e o mundo se transformasse num lugar melhor. Falo no título Em Nome da Filha, de Carla Maia de Almeida. Aquele livro que eu li e saí a recomendar a toda a gente do booktube e fora dele. Felizmente muita gente leu e concordou comigo. 

 

 

Karen, de Ana Teresa Pereira. A escritora foi uma surpresa ,sobretudo com este título. A história é construída cheia de mistério e dúvidas. Apesar de curto, as personagens são tão complexas que fiquei encantada. Se na altura não reparei nos "estragos" que a autora fez, meses depois acabei por concluir que a história cresceu em mim e o livro é um dos meus preferidos. 

 

 

 

 

Um dos primeiros livros de poemas de autores portugueses que eu li. Com ele, tive aquele "click" em relação à poesia. Apaixonei-me, simples assim. Escuro, de Ana Luísa Amaral. A sua importância foi o pontapé de partida para um mundo novo e não podia estar mais agradecida. Outro título que eu recomendo para ser o primeiro livro de poemas da tua vida é do poeta Nuno Júdice, A Pura Inscrição do Amor. Que livro magnifico, tem um dos meus poemas preferidos da vida

ALÇAPÃO | JOÃO LEAL

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Data: 2011

Editora: Quetzal 

 

 

Sinopse

Quando Rodrigo chega a S. João, percebe que vai ter de crescer depressa se quiser sobreviver ao violento código que rege a vida dos órfãos. A aparição de um novo e pouco ortodoxo padre traz-lhe uma visão de esperança que promete mudar tudo. Mas uma maldição familiar emerge do passado. Uma série de assassínios brutais vai arrastá-lo, a ele e a Jorge, o seu único amigo, para um lugar sobrenatural escondido atrás de um misterioso alçapão.

Há séculos à deriva, os habitantes de Lothar, a ilha flutuante, pensam que são os únicos sobreviventes do Grande Dilúvio. No centro da ilha, numa árvore gigantesca, vive um anjo caído que é o seu deus. Um acontecimento, contudo, vai agitar o quotidiano e levar a que dois deles decidam partir.

João Leal, nesta sua homenagem plena de imaginação às histórias de aventuras, faz com que as duas narrativas, tão distantes no tempo, se encontrem num momento decisivo para a história da humanidade.

 

Opinião

Se leram a sinopse percebem que têm uma sinopse um bocadinho invulgar. O livro está dividido em duas partes. A primeira é uma narrativa muito crua, até dolorosa, entre violência e maus tratos entre crianças que estão numa espécie de sobrevivência dentro do colégio de São João. 

 

Logo nas primeiras páginas o momento descrito fez-me chorar. Estou mais sensível, mas juro que começa de uma forma que despedaça o coração de qualquer um. E aqui, o autor faz referência à violência doméstica e a tantas famílias disfuncionais neste país. Outros temas, como a divindade, a música, a fé, a solidão, os laços familiares são colocados de forma muito subtil. Quase não damos por eles, mas estão lá.  

 

O autor escreve de forma tão envolvente que uma pessoa não consegue parar. Queremos saber o que vai acontecer ao Rodrigo e descobrir em que tipo de adulto se vai transformar. E mais uma vez, surpresa, o autor dá a volta a tudo. O inesperado é realmente a palavra certa para descrever esta história. Ora estamos a ler um romance sobre um miúdo perdido, como logo de seguida estão num thriller entre mortes e investigação. Mas o melhor ainda está por vir. A segunda parte é tudo o que menos esperamos. E se a maioria não gostou muito da segunda parte, eu achei de uma criatividade abismal e só consegui fechar a boca de espanto mesmo no final quando as duas narrativas se ligam. 

 

Bem, fica o aviso, este livro nunca será nada do que estás à espera mesmo quando estás à espera que seja um livro muito louco. Está a um preço absurdo de bom (5€). Tenho mesmo pena que autores como João Leal não tenham mais reconhecimento e popularidade dentro dos leitores, mas aqui fica a minha parte na sua divulgação. Obrigada ao Hugo que me dá sempre dicas fantásticas, não falha. 

 

Recomendo muito.

A MORTE | MARIA FILOMENA MÓNICA

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Data: Julho, 2011

Editora: Fundação Francisco Manuel dos Santos

 

Sinopse

É provável que eu morra nos próximos dez, quinze anos. Tenho filhos e netos, amei e fui amada, escrevi livros, ouvi música e viajei. Poderia dar-me por satisfeita, o que não me faz encarar a morte com placidez. Se amanhã um médico me disser que sofro de uma doença incurável, terei um ataque de coração, o que, convenhamos, resolveria o problema. Mas, se isso não acontecer, quero ter a lei do meu lado. Gostaria que o debate sobre as questões aqui abordadas, o testamento vital, o suicídio assistido e a eutanásia, decorresse num clima sereno. Mas teremos de aceitar a discussão com todos os opositores, mesmo com aqueles que, por serem fanáticos, mais repulsa nos causam. Que ninguém se iluda: a análise destes problemas é urgente.

 

Opinião

"Em 1968, um grupo de peritos reuniu-se na Faculdade de medicina de Harvard para repensar no conceito  morte. Com base no critério de ser o cérebro o órgão que define uma pessoa, passou-se a declarar morto qualquer individuo que evidenciasse sinais de paragem cerebral. A decisão foi pacifica, uma vez que a Igreja Católica não se opôs à definição. "

 

O tema é pesado, mas a escritora consegue colocar uma leveza e aquela sensação descomplicada em relação ao assunto. Pensava que ia ficar com um peso enorme nas costas depois de ler este livro, mas pelo contrário. É retratado de forma muito sensível e fez-me refletir bastante sobre as mortes ingratas e tristes nos hospitais portugueses. Parece que a taxa de mortes em hospitais aumentou significativamente ao longo dos anos. 

 

Neste livro, a autora fala na primeira vez que teve contacto com a palavra morte. Acho que também aconteceu o mesmo comigo. Na catequese ou na disciplina Religião e Moral, falam bastante no inferno e no céu como duas opções para a morte. Lembro-me de questionar bastante a professora sobre este assunto e nunca aceitar as palavras como certezas absolutas. Assim como a autora deste livro. Mais tarde, Maria Filomena Mónica é confrontada com a doença de Alzheimer da mãe e a sua morte. Tudo o que ela escreve é de uma sinceridade incrível e alguma comoção. 

 

"...o que sentia não era tristeza, mas alívio. Isto pode parecer - e é-o - difícil de admitir, mas é o que sucede a quem tem pais com doenças psíquicas prolongadas. Os onze anos, em que assistira a uma mente brilhante deteriorando-se, haviam-me conduzido ao desespero."

 

A forma como a sociedade lida com a morte tem vindo a mudar bastante. Os rituais mudaram, assim como a maneira como falamos na morte. Através de várias referências literárias e casos reais somos levados a questionar sobre a eutanásia. Também nos é dado factos sobre a forma como o Estado trata o envelhecimento prolongado.

 

De todas as histórias relatadas neste livro, a mais marcante é a história de amor de dois velhinhos que ocorreu em 2011. Ela com 89 anos, ele com 85. É caso para dizer, "felizes para sempre, até que a morte os separe". Muito comovente. E mais uma vez levamos uma chapada da realidade. 

 

Recomendo muito este livro. É sem dúvida uma leitura completa, que nos vira do avesso e nos mete a refletir sobre a eutanásia, morte, e consequentemente, vida. Escrito de forma bastante acessível e envolvente. Não deixem de ler esta pechincha de livro (custou-me menos de 3,50€) pertencente à editora Fundação Francisco Manuel dos Santos. Tem títulos fabulosos que não me canso de recomendar. 

 

Outro livro sobre o tema, é o romance de Tolstoi, A Morte de Ivan Ilyich. Referido neste ensaio, li há uns anos e foi uma leitura absolutamente marcante. Também recomendo.

 

Saio desta leitura com a certeza que quero ler mais livros desta notável escritora. 

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