Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

amulherqueamalivros

YOUNG ADULT NO MEIO DA POLÉMICA

InstaFit_20180411_13201288.jpg

 

Tenho um projeto este ano, ler um Young Adult por mês. Ou seja, livros destinados ao público jovem. Primeiro, porque gosto. Segundo, porque acho interessante ver o mundo com uma perspetiva diferente (dos jovens que um dia os meus filhos serão). Terceiro, os assuntos são sempre atuais, consigo acompanhar o mundo (os seus preconceitos e mudanças).

 

Já saí muito surpreendida, desiludida, e apesar de todos os preconceitos existentes em relação ao género, tem sido um projeto que tenho feito com muito gosto. Não acho de todo que os livros para jovens adultos sejam pouco profundos ou desnecessários. Acho que têm um papel importante para criar novos leitores e trazer assuntos necessários. A narrativa é apelativa e prende, marcada pela diversidade e representatividade. Facilmente os jovens sentem representados os seus dramas, questões e paixões.

 

Os meus filhos são muito pequenos, mas a minha irmã é uma jovem leitora. Foram os livros Young Adult que a apaixonaram. Primeiro Divergente, depois Os Jogos da Fome. Ver o seu entusiasmo com os livros é maravilhoso. Também a incentivei bastante nos primeiros passos como leitora. Durante as férias ela devorou vários livros. E quando chega a Feira do Livro ela já tem uma lista de desejos preparada. Tivesse eu dado um Saramago ou um Eça para as suas mãos talvez tivesse destruído uma paixão antes de começar. Toda a gente sabe quem vence entre as séries televisivas e os livros.

 

Sempre que vou a eventos literários noto um julgamento por parte dos escritores portugueses. E apesar de os amar de coração, não consigo entender quem julga um público que desconhece. Os leitores de literatura portuguesa contemporânea não podem ser os mesmos leitores de best sellers e young adult? Os leitores de young adult não podem ser leitores de clássicos? Estamos restringidos a estereótipos?  Livros com qualidade não podem ser best sellers? 

 

“Livros que não provocam nada no leitor não são literatura, são outra coisa qualquer”, dizia uma jornalista num evento em que estive presente. E eu fiquei a pensar naquilo. Já li clássicos que não me fizeram pensar, nem senti uma réstia de emoção. Já li literatura contemporânea adulta que não me disseram nada. Já li best sellers que me fizeram chorar ou sentir um murro no estômago. “A Vida de Pi”, “A Rapariga que Roubava Livros”, “Eleanor & Park”, “O Ódio que Semeias” são alguns exemplos.

 

Leitores julgam leitores.  Há uns tempos vi um vídeo de uma pessoa que dava a opinião dela em relação a um livro de uma escritora muito querida (e aí tudo bem, cada um com os seus gostos), mas ela não falava apenas da obra, ela menosprezava os gostos literários das pessoas que falam bem da autora em causa. Só faltou dizer o nome da pessoa em causa. Ter uma opinião em relação a determinado livro é natural. Criticar as escolhas dos outros leitores é pretensiosismo. Lemos o que quisermos, o que nos apetece e não somos leitores inferiores a ninguém. O que vamos respeitar se não respeitarmos as escolhas literárias dos outros?

 

Eu leio de tudo. Leio imensos livros de autoajuda, hoje chamam de desenvolvimento pessoal para atenuar as coisas, li Paulo Coelho, Margarida Rebelo Pinto, Crepúsculo, 50 Sombras de Grey. Já recebi vários comentários com julgamento em relação às minhas escolhas. Acabaram por desaparecer depois do vídeo em que falei no assunto.

 

No meu último vídeo sobre perguntas e respostas, abordei um bocadinho a minha opinião em relação à evolução de leitores. Não acredito muito nisso da evolução dos leitores. Ups. Normalmente não concordam com a minha opinião, e levam a mal quando afirmo: “nem todos evoluem”. Acredito em leitores de fases. Acredito no desenvolvimento de critérios que desenvolvem o teu gosto pessoal. Li muita literatura clássica quando era pequena, assim como literatura contemporânea para adultos. E segundo os especialistas, a evolução natural seria continuar a ler clássicos (Ulisses, Moby Dick, Dom Quixote). Mas eu passei a ler fantasia, thrillers e romances contemporâneos. Se calhar, recuaste na evolução. Não, continuo a ler clássicos. Pois. Leio conforme a fase da vida em que estou. Conforme a minha curiosidade por determinado livro. Ou simplesmente porque sou influenciada por opiniões alheias.

 

Esta semana, houve uma polémica com uma empresa de experiências de distribuição de livros no Brasil, a TAG Experiências. A dita empresa enviou por e-mail para os subscritores a explicação das duas ofertas disponíveis: livros que não fazem pensar e nada profundos vs livros com qualidade e profundos. Best sellers vs clássicos. Mas toda a gente sabe que existem Clássicos YA e Clássicos Best Sellers. Fiz uma lista há uns tempos por aqui. Não faz muito sentido esta discussão, né? A polémica gerou vários posicionamentos contra a empresa. Várias vozes se levantaram para defender os young adult, o que me deixa muito feliz.  Vi várias listas e apoiantes no Youtube. Unidos jamais serão vencidos. Vocês também viram? Entretanto, a empresa já alterou tudo, mas ainda não se pronunciou sobre o assunto.

 

Na verdade, este texto era para ser a minha opinião do livro Mirror Mirror, de Cara Delevingne. Terá de ficar para outra altura. Uma coisa levou à outra e dei por mim a escrever sobre preconceito literário. Continuo a afirmar que a literatura clássica é necessária e deve ser incentivada (Clube dos Clássicos Vivos). No entanto, prefiro que a literatura ande de mão dada com o entusiasmo. Seja ele qual for.

 

 

RESUMO | LER OS NOSSOS

 

Neste vídeo faço o resumo do mês de novembro e do projeto Ler os Nossos . Foi um mês espetacular no sentido em que gostei de todas as leituras e fiz grandes descobertas. Algumas mudaram a minha forma de olhar para a literatura. Se participaram têm até dia 5 para escrever ou fazer o vosso vídeo de forma a fazer o sorteio final. 


Livros Mencionados


“Talvez Para Sempre”, José Gameiro
“A Paixão Segundo Constança H., Maria Teresa Horta
“O Luto de Elias Gro”, João Tordo
“O Homem Duplicado”, José Saramago
“Reaccionário com dois Cês”, Ricardo Araújo Pereira
“O Rosto de Deus”, Ana Teresa Pereira
“Letra Aberta”, Herberto Hélder
“O Crocodilo que Voa”, Luiz Pacheco
“Comunidade”, Luiz Pacheco
“Os Bichos”, Miguel Torga
“As Pessoas do Drama”, H.G. Cancela

Playlist | Ler os Nossos: AQUI

NOVAS PROPOSTAS LITERÁRIAS | SETEMBRO

 

 

"Doutor Finanças" já está na minha mesa de cabeceira e não vejo a hora de aprender mais uns truques financeiros. É o último lançamento da editora Matéria Prima. Dan Brown regressa com o calhamaço "Origem" numa edição de capa dura da Bertrand Editora. Vem a Portugal brevemente (podem ler a notícia AQUI). Vou estar presente para partilhar tudo com os leitores deste blogue e seguidores do canal YouTube "A Mulher que Ama Livros". Não percam! Javier Marías, um escritor que muito aprecio vai lançar mais um título pela Alfaguara. O conhecido autor do best seller "A Bibliotecária de Auschwitz", Antonio Iturbe, é o autor do recente romance "Céu Aberto". A Wook está a oferecer o seu grande sucesso na compra deste lançamento da Planeta (clica na imagem acima para aproveitares a campanha). O japonês Haruki Murakami foi novamente traduzido em Portugal, o seu mais recente livro chama-se  "Homens sem Mulheres". "A Estrada Subterrânea" tem uma sinopse mega interessante, para além disso foi vencedor do Prémio Pulitzer. Um prémio que normalmente não desilude.  

 

 

 

leitora beta * divulgação * literatura *

contacta-me para mais informações contactoclaudiaoliveira@gmail.com

ESTREIA 21 DE JUNHO

Resultado de imagem para a livraria

Pesquisar

 

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D