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6 COISAS PARA FAZER QUANDO TERMINAMOS DE LER UM LIVRO

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Custa fechar um livro e dizer adeus a algumas personagens. Também nem sempre temos vontade de partir para outro mundo literário e acabamos por dar mais tempo para transitar para uma nova leitura.

 

Existem 5 coisas que podemos fazer antes de dar lugar a uma nova leitura. O que vou partilhar hoje é exatamente aquilo que eu faço sempre que fico a chorar o desfecho de um livro ou fico histérica com o talento do autor. 

 

Procurar a adaptação cinematográfica

Se existir, costumo ver o filme de forma a rever as personagens. É uma forma de manter a cabeça na história e não despedir-me bruscamente do livro. Tenho tido mais surpresas do que desilusões. Mas nem sempre acontece, claro. Outra moda que eu tenho gostado bastante é o aparecimento de séries adaptadas, sempre posso ficar por muito mais tempo ligada à história. 

 

Pesquisar entrevistas com o autor

Se a narrativa me interessou é tiro e queda. Quero saber mais e busco novas informações sobre o(a) autor(a). Gosto de conhecer os seus princípios e como encara a literatura. 

 

Ler mais opiniões no Goodreads

Gosto imenso de ver o que os outros dizem dos livros que andei a ler. Então, depois de ter a minha opinião formada, leio as opiniões dos outros e tiro novas conclusões. Acho muito interessante o facto de termos todos gostos muito diferentes e cada um tirar uma experiência muito particular em relação à mensagem dos livros. 

 

Procurar vídeos no YouTube sobre o livro

Quando gosto muito ou pouco de um livro vou à procura de novas perspectivas em relação a ele. É bom encontrar leitores com quem nos identificamos e podemos trocar um ou dois comentários sobre a nossa opinião. Ou então ouvir uma opinião negativa de acordo com a minha opinião de forma a não me sentir tão sozinha. Gosto de discutir alguns pontos da história e perceber o que os outros gostaram ou não. 

 

Ir aos sites da editora procurar por mais livros 

Isto só acontece quando gosto muito de um livro. Procuro logo se existem mais livros do(a) escritor(a) disponiveis em Portugal e por norma costumo encomenda ou adicionar à minha lista de desejos. 

 

Enviar email ou mensagem ao autor

Quando fico doida com a história acabo por procurar os autores nas redes sociais e expressar o meu amor pelo seu trabalho. Deve ser maravilhoso receber o feedback dos leitores, penso eu. 

 

E por aí? Também costumam ir à procura de mais informações sobre os vossos livros preferidos?

 

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6 FACTOS SOBRE A MINHA RELAÇÃO COM OS LIVROS

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- Começo um livro novo todas as segundas-feiras

É a minha forma de iniciar as semanas da melhor forma possível. Faço questão de terminar uma leitura todos os fins de semana e escolher a próxima leitura como um ritual lindo de sobrevivência dentro da rotina, das tarefas, do stress. Este é aquele momento que não dispenso por nada este mundo. Todos temos formas diferentes para enfrentar as semanas e a despedida do descanso, este foi a forma que eu encontrei há uns aninhos e continua presente nos meus dias. 

 

- Vou regularmente à biblioteca

Descobri que as visitas às bibliotecas são muito importantes para aumentar as compras das mesmas. O interesse do público é analisado através do número de empréstimos, consequentemente o valor financeiro dispensado para a cada biblioteca. Para existir interesse dos municípios na compra de livros, tem de existir interesse dos visitantes em ler. Faz sentido, não é? Não é tão preto no branco, mas acho que passei a mensagem. Portanto, apesar de comprar livros todos os meses, costumo visitar a biblioteca uma ou duas vezes por mês. É um assunto que me interessa, receio o abandono das bibliotecas e para contrariar isso faço sempre o meu papel. 

 

- Adoro doar livros

Com alguma frequência costumo separar alguns livros e doar. Não gosto de acumular e olho para os livros como conhecimento. Para mim nada é mais triste do que livros parados na estante a ganhar pó sem novos leitores, sem voltarem a ser lidos. Talvez a culpa seja do meu percurso como leitora. Quando não trabalhava, até aos quinze anos, foi a biblioteca que me garantiu aumentar a minha paixão pela literatura. Desta forma, o meu pensamento costuma estar na falta de acessibilidade de quem ama ler, mas não pode. Ou quer muito uma novidade que viu nas redes sociais e infelizmente não pode comprar porque tem outras prioridades. A sorte que eu tenho de não ter crescido leitora nesta altura. Ia sofrer bastante. Como recebo vários livros das editoras, após a leitura dos mesmos, faço a doação. Mas também faço doações de livros comprados da mesma forma. Claro que guardo os preferidos para outros ocasiões, empréstimos, filhos e releituras ou consultas. 

 

- Voltei a viciar-me no Goodreads

Houve uma altura em que desliguei da plataforma, mas há uns meses para cá não passo um dia sem lá entrar para atualizar as minhas leituras e espreitar as leituras dos outros. Se quiserem seguir a minha conta, aqui está. Consigo organizar as leituras da forma que mais me interessa e ver os comentários dos outros leitores em relação a determinadas obras. Adoro.

 

- Escolho muito bem os canais e blogues literários que sigo

Já houve uma época em que seguia tudo, lia tudo, comprava tudo. Até era amiga de tudo e todos. Depois a histeria passou e passei a seleccionar muito bem onde e com quem gasto o meu tempo nas redes sociais. Acabei por ler apenas e somente os blogues das pessoas com os gostos muito semelhantes aos meus, ou "peritas" em determinado género. Só leio o melhor blog de thrillers e sigo o melhor canal sobre clássicos. Estão a ver a ideia? Claro que existem excepções. Gosto de ver vídeos de pessoas com gostos muito distintos mas cheios de carisma (é o caso de dois canais brasileiros que eu sigo). Lamentavelmente, vi os meus canais preferidos encerrarem ao longo dos anos e serem criados escassos canais com gostos semelhantes aos meus ou com conteúdo do meu agrado. Quando gosto de um blogue, amor para a vida. Sou fiel a uma mão cheia e nada mais do que isso. Não se pode ter tudo. E para gastar tempo, prefiro estar a ler o meu livro. Para além disso, parece que as parcerias agora comandam a vida e as opiniões alheias. São poucos os que considero canais ou blogues credíveis. E não estão a ganhar dinheiro, imagino se estivessem. O que as pessoas fazem por dois ou três livros, é incrível.  Sorry not sorry.

 

- As minhas compras literários têm diversas influências 

Mudei imenso o meu comportamento a nível de compras literárias. "Ah, pois, recebes livros, por isso é fácil para ti comprar livros". Malta, é bastante raro receber livros que estão na minha lista de desejos. E foi complicado para mim encontrar este equilíbrio. Recebo livros há cerca de três anos, comprava imensos livros há vários anos. E compro praticamente todos os meses. Eu não peço dois ou três livros por editora (até é bastante raro solicitar livros agora) e vocês sabem que costumam sair imensas novidades por mês. Leitor que é leitor acaba por comprar os seus queridinhos regularmente. Adoro os Momentos Wook, aproveito quase sempre. Comprar livros sem estar em promoção não está com nada. Atualmente estou muito contente porque não me deixo influenciar por qualquer pessoa. Temos de seguir critérios, não é? Gosto de ler opiniões antes de ter os livros e são raras as vezes que alguém me convence a comprar o livro a correr e a saltar. Mas acontece, não sou de ferro, tá? "Ah, mas tu gostas de ler opiniões antes de comprar ou ler os livros?".   Então, mas tem alguma lógica, eu sendo blogger cheia de vontade de meter malta a comprar e ler livros, através do meu trabalho, não procurar o mesmo nos outros? Quando oiço algumas bloggers ou youtubers dizerem "não leio/vejo opiniões antes de ler o livro" faço duas ou três perguntas em silêncio enquanto reviro os olhos. Coerente. Mas aqui também há excepções. Quando já decidi que quero o livro X ou Y, nem sequer leio nenhuma opinião. Quando o livro já chama por mim, também dispenso. Quero ir em branco, quero descobrir, quero desfrutar. Aconteceu com a Celeste Ng, vi as estrelas no Goodreads, vi o booktube estrangeiro falar nele, mas nem quis ouvir nada sobre a história. Isto parece confuso, mas na minha cabeça faz muito sentido. 

 

 

Também adoras o Goodreads? Também segues meia dúzia de blogues ou estás nem aí para opiniões alheias? Segues algum critério nas tuas leituras? Também perdes a cabeça com promoções e campanhas? 

 

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VIRTUDES DA IMAGINAÇÃO

De todas as escritoras de thrillers que apareceram nos últimos anos a minha preferida é a Gillian Flynn. Em Parte Incerta impressionou-me de tal forma que li tudo o que foi traduzido em Portugal. A semana passada estreou a série na HBO, adaptação do seu romance Objetos Cortantes. Conta com a Amy Adams como protagonista e tem oito episódios. Acabei de ver o primeiro episódio e adorei. Apesar de já saber como tudo termina sinto algum nervosismo para ver como vão passar para o ecrã todas as emoções. Sinceramente, acho que vou gostar mais da série televisiva. Mais um filmes para o meu desafio de ver 52 adaptações este ano. Tenho tantas recomendações para vos fazer. Outro filme que vi esta semana foi A Ilha dos Cães que é só de um dos meus realizadores preferidos, o Wes Anderson, autor do Fantastic Mr Fox. É um dos meus filmes de animação preferidos, apesar de agora estar dividida entre estes dois. São brutais e se não viram estão a perder filmes com imensa qualidade. Juro. Quanto aos livros, o Ler os Nossos continua a correr bem para mim. Tenho lido imenso, com grandes surpresas. Ontem à ontem acabei o livro de contos do Helberto Helder, Os Passos em Volta. Não dá para explicar, só sentir. Para mim é o mestre. Não é à toa que esta nova rubrica tem como título uma expressão de um dos seus contos. Não sei se consigo escrever sobre o livro. Comecei a ler há uns dias As Novas Cartas Portuguesas, das três Marias. Ainda me sinto a apalpar terreno, mas acredito que estou diante de um livro importantíssimo. Outro calhamaço que me está a acompanhar nestes dias de calor é o Três Vidas, do João Tordo.  Um bom verão para todos. Parece que chegou. 

TAG 50% | BALANÇO | 2018

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Esta TAG serve para fazer um balanço do primeiro semestre.

PERGUNTAS DA TAG:


1. O melhor livro que você leu até agora, em 2018. 

Atos Humanos, Han Kong e A Paixão Segundo GH, da Clarice Lispector. 

 

2. A melhor continuação que você leu até agora, em 2018.

História de Adormecer Para Raparigas Rebeldes 2


3. Algum lançamento do primeiro semestre que você ainda não leu, mas quer muito.

Sim, vários. Vou escolher apenas um, Fora de Si, Sasha Marianna Salzmann.


4. O livro mais aguardado do segundo semestre.

Não estou ansiosa por nenhum título em especial. Nem parece coisa minha.


5. O livro que mais te decepcionou esse ano.

Grande Magia, Elizabeth Gilbert. Grande banhada. Meu rico dinheiro. Piorque este só mesmo o sucesso “A Arte Subtil de Saber Dizer F*da”, do espertalhão Mark Manson


6. O livro que mais te surpreendeu esse ano.

Dois Irmãos, Milton Hatoum. Aquele livro que é tudo o que não estava nada à espera, deixa saudade e dá aquela vontade de ler tudo outra vez.


7. Novo autor favorito (que lançou seu primeiro livro nesse semestre, ou que você conheceu recentemente).

Isabel Lucas. Quero ler tudo o que esta senhora escrever. Adorei o livro Viagem ao Sonho Americano. O livro cresceu imenso ao longo dos meses, penso várias vezes nele. O projeto é sensacional e vale muito a pena. Admiro imenso o seu trabalho como jornalista. Grande profissional, super cativante. Adoro.


8. A sua quedinha por personagem fictício mais recente.

Não tenho. Já não tenho idade para isso. Mas preciso de admitir que tenho uma quedinha pelo escritor italiano Paolo Cognetti. Casava e ia viver para as montanhas. E também me apaixonei recentemente por um escritor português que prefiro não dizer o nome. Com ele não casava, só bebia uma garrafa de champanhe.

 

9. Seu personagem favorito mais recente.

Nenhuma personagem entrou para a lista de favoritos. A Jane Eyre já pertencia, só consolidou a sua posição na minha vida. 


10. Um livro que te fez chorar nesse primeiro semestre.

O mais recente a fazer-me chorar, 1001 Coisas Que Nunca Te Disse, de Catarina Rodrigues. Relações mães, pais e filhos mexem sempre comigo. Chorei com outros, mas este foi o último.


11. Um livro que te deixou feliz nesse primeiro semestre.

O livro da Rebecca Solnit, 'As Coisas que os Homens Me Explicam'. Estava cheia de expetativas e foi muito bom ler este livro. Deviam existir mais livros assim.


12. Melhor adaptação cinematográfica de um livro que você assistiu até agora, em 2018.

Amei 'Call me by your name'. Ah filme maravilhoso. As imagens do filme não me saem da cabeça.


13. Sua resenha favorita desse primeiro semestre (escrita ou em vídeo).

 "O Rapaz Selvagem", Paolo Cognetti e "Manhãs Milagrosas", de Hal Elrod


14. O livro mais bonito que você comprou ou ganhou esse ano.

O mais lindão é sem dúvida “Um Gentleman em Moscovo”, de Amor Towles.


15. Quais livros você precisa ou quer muito ler até o final do ano?

Ui, vou resumir. O meu tempo como leitora intensa está em contagem decrescente. Gostava de ler ainda este ano “Pequenos Fogos em Todo o Lado”, de celeste Ng; “O Nervo Ótico”, María Gainza; terminar “Ulisses”, do Joyce; “A Breve História de Sete Assassinatos”, de Marlon James e vamos ficar por aqui.

 

 

TAGADOS: Raquel, Bárbara, Hugo, Sandra, CéliaAlexandra e Carolina

DESTAQUE | O REGRESSO DA AUTORA

 

Hoje trago um formato novo, o primeiro episódio do Jornal Literário. É um pequeno resumo de algumas notícias do mundo literário com destaque para o regresso de uma autora portuguesa. O projeto ainda não tem nome (qualquer sugestão é bem vinda), mas ainda está a ganhar a estrutura necessária e a sua própria identidade. O vídeo é curto, mas deu tanto trabalhinho. Peço que deixem as vossas opiniões porque são muito importantes para melhorar o formato. No entanto, vou continuar a tentar e procurar novas formas de edição. Digam-me também qual foi a notícia que mais vos agradou. 

 

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5 DICAS PARA COMEÇARES A LER AINDA HOJE

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Como começar a fazer da leitura um hábito diário. Cinco dicas gerais que só funcionam se as levares realmente em conta. Uso todas e juro que são infalíveis.

 

- Encontra a tua grande motivação

Descobre porque queres fazer da leitura um hábito. Seja porque tens imensos livros por ler na estante, queres atingir uma meta, queres melhorar a tua escrita ou oralidade. Uma grande motivação será um empurrão.

 

- Escolhe o livro certo de acordo com o momento da tua vida

Um livro conectado com o momento da tua vida dá-te mais vontade de passar algumas horas a ler. Por exemplo: Se estás numa fase de reeducação alimentar, livros sobre o tema vai motivar-te. Se descobriste agora a meditação ou o minimalismo, talvez seja boa ideia dares oportunidade a livros sobre organização, desenvolvimento pessoal. Existem livros para todos os gostos e momentos. Podes procurar várias sugestões no meu blog ou nos vídeos. Se quiseres, envia-me uma mensagem ou e-mail para trocarmos dicas.

 

- Faz da leitura um hábito diário, meia hora no mínimo

Reserva meia hora todos os dias para ler. Não custa nada. Prometo. Daqui a pouco, o hábito de leitura estará enraizado. Meia hora só para ti e para a tua história. O teu momento, uma caneca de chá um café e o teu livro. É maravilhoso!

 

- Larga a internet, por um bocadinho

Para leres mais precisas de ter disciplina. Se passares muito tempo nas redes sociais não vais ter tempo. Esta é aquela dica que todos os leitores vão dar. Não dá como evitar. Coloca o telemóvel longe, em modo avião ou desliga. Também podes oferecer-te meia hora de internet depois de algum tempo dedicado à leitura, como uma recompensa.

 

- Encontra outros leitores

Conversar com outros leitores dá um enorme ânimo às leituras. Escutar leitores sobre as suas leituras dá vontade de começar a ler. Quando falamos de livros fazemos de forma tão animada que é impossível não ficares empolgado também. Podes tentar o site Goodreads, a malta dos livros está por lá. Podes entrar num clube literário. Se fores aos encontros do Clube dos Clássicos Vivos vais passar a gostar de ler clássicos, 90% de certeza. Se assistires a vídeos no Youtube sobre livros vais aumentar a tua lista significativamente. Lê blogs sobre livros. Visita bibliotecas. Junta-te a nós se queres ser como nós. Já diz a minha avó.

 

OS LIVROS MAIS MARCANTES DA MINHA VIDA

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Os livros mais marcantes são aqueles que marcaram um período da minha vida. Não são necessariamente os meus preferidos da vida. Mas podem coincidir ligeiramente. Os livros mais marcantes mexeram tanto comigo, e apesar de não serem obras primas, acabaram por preencher as minhas artérias de sangue quente, emoções, dores de barriga e lágrimas. Até à data de hoje nunca mais saíram da minha cabeça. Podia ser uma lista interminável porque deixo-me envolver muito, mas fiz a devida seleção com cuidado, de forma muito representativa.

 

Vamos a uma lista dos livros mais marcantes da minha vida. Daqui a uns anos voltamos a falar.

 

Menina do Mar, Sophia de Mello Breyner

O meu professor de português fez-me amar este livro. Para além de ter sido muito importante para mim, fez-me representar a peça em Lisboa para várias escolas enquanto caraguejo. É uma história apaixonante que me fez amar o teatro e escrever uma peça que mais tarde a minha turma apresentou na escola. Levo esta memória comigo.

 

A História Interminável, Michael Ende

Descobri a fantasia com este livro. Lembro-me de ficar completamente fascinada e quase acreditar nesta história como real. Era muito pequena, lia livros da biblioteca e era a primeira vez que ouvia falar em dragões. Sério. Este é o livro que recomendo para quem quer começar a ler fantasia. É um bocadinho infantil para os adultos, mas mesmo assim arrisco recomendar a toda a gente.

 

O Mundo de Sofia, Jostein Gaarder

Fiz a transição de livros adolescentes para os livros adultos com este. É um livro de realismo mágico muito interessante que nos mete a pensar. E a desejar que algum coelho nos escreva cartas. Acho que sempre gostei de filosofia por causa deste livro. Chega a um ponto que é aborrecido, mas valeu a pena, foi o momento de viragem.

 

Diário de Anne Frank

Foi o primeiro livro perturbador que eu li. Lembro-me de ter ficado bastante emocionada e de alguma forma chocada. Desconhecia totalmente a história da segunda guerra, era muito nova.  Ler os relatos desta menina foi realmente assustador. Dor, sofrimento, juventude roubada, maldade dos humanos, mortes. Tu estás um meio pequeno, as pessoas parecem todas muito doces e boas, de repente dás de caras com um livro que mostra o pior do mundo. Marcante, muito marcante. O primeiro livro sobre a Segunda Guerra Mundial nunca se esquece. 

 

À Espera de Godot, Samuel Beckett

Este livro fez-me repensar a vida e transmitiu de forma certeira o sentido da vida. Tive uma epifania. Se já sentia a vida como curta para tudo o que queria fazer, este livro sacudiu-me de tal forma que ainda está muito presente em mim. Li-o há cerca de seis anos. Adorava ver esta obra no teatro. Para além, quem conhece este blog desde o inicio sabe que tenho uma história de vergonha alheia devido a este título. 

 

A Mulher CertaSándor Márai

Estava a começar o namoro com o meu atual marido quando peguei neste livro. Envolvi-me de tal forma com a escrita deste autor que acabei por comprar mais livros dele. É de uma sensibilidade incrível. As personagens são muito credíveis e interessantes. Imaginem uma pessoa apaixonada, no meio de um triângulo amoroso a ler sobre outro triângulo amoroso. Apesar do contexto social ser completamente diferente, senti algumas palavras como minhas. Acredito que os livros nos escolhem e que ler o livro certo no momento certo fará do livro uma experiência impressionante. Para além disso, um dia peguei no livro e tinha um bilhete apaixonado dentro dele. Este livro marcou-me imenso como podem perceber. Até deu origem ao nome de um blogue que tive em tempos.

 

Sangue Frio, Truman Capote

Imaginem uma mulher grávida a ler sobre o assassinato de uma família inteira de forma horrenda. Imaginem uma escrita crua e perspicaz. Imaginem todos os detalhes de forma muito realista e envolvente. Lembro-me de morrer de medo de estar sozinha em casa. Vivia numa casa com acesso à rua pela varanda. Ainda hoje sinto os efeitos deste livro.

 

Todos os livros da Elena Ferrante

Estes livros representam-me. Primeiro, a forma como falam na maternidade é a forma como eu vejo a maternidade. A forma como Elena Ferrante coloca uma mulher mais velha a falar sobe os seus filhos, que cresceram e passaram a ser do mundo, é a forma cruel de nos mostrar que os nossos filhos podem ser muito injustos perante o cansaço de uma mãe. As personagens Lila e Lena são de factos muito parecidas comigo. Cresceram num lugar pequeno com sonhos grandes, tal como eu.  A relação delas com a professora, com a mãe, com os rapazes, uma com a outra. Para mim uma história novelesca muito próxima da minha verdade. Se calhar, não é tão novela assim. Se calhar os outros só não tiveram uma vida tão entusiasmante. Sou eu ali. E não existem livros que sejam mais eu do que tudo o que a Ferrante escreveu. Acho que seria doloroso regressar a estes livros, mas vontade não me falta.

 

Um Quarto Só Para Si, Virgínia Woolf

Este livro deixou-me de boca aberta. Foi como abrir a porta para um mundo novo. Para uma forma de ver a vida que eu conhecia, mas ao mesmo pensava que só eu pensava assim. Foi sentir-me abraçada por um amiga. Um sossego no coração. Estás no bom caminho, disse-me a Virgínia Woolf e quando o fez foi no momento certo. Obrigada. Foi o livro que me proporcionou a liberdade que eu precisava para defender os meus ideais. 

 

O Clube dos Poetas Mortos, NH Kleinbaum

Provavelmente será o livro mais curto desta lista. E talvez o menos conhecido. Todos se lembram do filme, mas raramente ouviu falar no livro. Certo? Se viste o filme, não esperes uma cópia quando pegares neste livro. Não é. Mas a mensagem está toda ali, as personagens e as dúvidas que carregam também. Chorei muito com ele. Li quando estava grávida e uma pessoa fica sensível ao quadrado, mas principalmente porque me atingiu em cheio. Bolas, vou ser mãe, não somos eternos e a juventude é um fósforo. Lembro-me de fechar o livro, sair da cama e ir até à esplanada conversar com os meus amigos que bebiam felizes. De barriga grande, mas fui. Hoje tenho um clube literário com um nome influenciado neste livro. 

 

 

Teria mais títulos para indicar nesta lista. Não sei conter o entusiasmo. Mesmo quando uma pessoa pensa que perdeu o entusiasmo ou sente um distanciamento qualquer, os livros recordam-me que estão aqui, tudo não passa de uma história passageira. Ainda hoje, uma pessoa me dizia "Cláudia, ontem foi o seu dia". Ainda pensei que a rádio tinha declarado o dia de ontem como sendo o dia da Cláudia, mas não. "Sim! Foi o Dia do Livro!". E lá vem o meu sorriso. E o calor. E o feriado. E tudo fica bem. Se calhar, isto é mesmo o meu propósito. 

 

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#2

YOUNG ADULT NO MEIO DA POLÉMICA

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Tenho um projeto este ano, ler um Young Adult por mês. Ou seja, livros destinados ao público jovem. Primeiro, porque gosto. Segundo, porque acho interessante ver o mundo com uma perspetiva diferente (dos jovens que um dia os meus filhos serão). Terceiro, os assuntos são sempre atuais, consigo acompanhar o mundo (os seus preconceitos e mudanças).

 

Já saí muito surpreendida, desiludida, e apesar de todos os preconceitos existentes em relação ao género, tem sido um projeto que tenho feito com muito gosto. Não acho de todo que os livros para jovens adultos sejam pouco profundos ou desnecessários. Acho que têm um papel importante para criar novos leitores e trazer assuntos necessários. A narrativa é apelativa e prende, marcada pela diversidade e representatividade. Facilmente os jovens sentem representados os seus dramas, questões e paixões.

 

Os meus filhos são muito pequenos, mas a minha irmã é uma jovem leitora. Foram os livros Young Adult que a apaixonaram. Primeiro Divergente, depois Os Jogos da Fome. Ver o seu entusiasmo com os livros é maravilhoso. Também a incentivei bastante nos primeiros passos como leitora. Durante as férias ela devorou vários livros. E quando chega a Feira do Livro ela já tem uma lista de desejos preparada. Tivesse eu dado um Saramago ou um Eça para as suas mãos talvez tivesse destruído uma paixão antes de começar. Toda a gente sabe quem vence entre as séries televisivas e os livros.

 

Sempre que vou a eventos literários noto um julgamento por parte dos escritores portugueses. E apesar de os amar de coração, não consigo entender quem julga um público que desconhece. Os leitores de literatura portuguesa contemporânea não podem ser os mesmos leitores de best sellers e young adult? Os leitores de young adult não podem ser leitores de clássicos? Estamos restringidos a estereótipos?  Livros com qualidade não podem ser best sellers? 

 

“Livros que não provocam nada no leitor não são literatura, são outra coisa qualquer”, dizia uma jornalista num evento em que estive presente. E eu fiquei a pensar naquilo. Já li clássicos que não me fizeram pensar, nem senti uma réstia de emoção. Já li literatura contemporânea adulta que não me disseram nada. Já li best sellers que me fizeram chorar ou sentir um murro no estômago. “A Vida de Pi”, “A Rapariga que Roubava Livros”, “Eleanor & Park”, “O Ódio que Semeias” são alguns exemplos.

 

Leitores julgam leitores.  Há uns tempos vi um vídeo de uma pessoa que dava a opinião dela em relação a um livro de uma escritora muito querida (e aí tudo bem, cada um com os seus gostos), mas ela não falava apenas da obra, ela menosprezava os gostos literários das pessoas que falam bem da autora em causa. Só faltou dizer o nome da pessoa em causa. Ter uma opinião em relação a determinado livro é natural. Criticar as escolhas dos outros leitores é pretensiosismo. Lemos o que quisermos, o que nos apetece e não somos leitores inferiores a ninguém. O que vamos respeitar se não respeitarmos as escolhas literárias dos outros?

 

Eu leio de tudo. Leio imensos livros de autoajuda, hoje chamam de desenvolvimento pessoal para atenuar as coisas, li Paulo Coelho, Margarida Rebelo Pinto, Crepúsculo, 50 Sombras de Grey. Já recebi vários comentários com julgamento em relação às minhas escolhas. Acabaram por desaparecer depois do vídeo em que falei no assunto.

 

No meu último vídeo sobre perguntas e respostas, abordei um bocadinho a minha opinião em relação à evolução de leitores. Não acredito muito nisso da evolução dos leitores. Ups. Normalmente não concordam com a minha opinião, e levam a mal quando afirmo: “nem todos evoluem”. Acredito em leitores de fases. Acredito no desenvolvimento de critérios que desenvolvem o teu gosto pessoal. Li muita literatura clássica quando era pequena, assim como literatura contemporânea para adultos. E segundo os especialistas, a evolução natural seria continuar a ler clássicos (Ulisses, Moby Dick, Dom Quixote). Mas eu passei a ler fantasia, thrillers e romances contemporâneos. Se calhar, recuaste na evolução. Não, continuo a ler clássicos. Pois. Leio conforme a fase da vida em que estou. Conforme a minha curiosidade por determinado livro. Ou simplesmente porque sou influenciada por opiniões alheias.

 

Esta semana, houve uma polémica com uma empresa de experiências de distribuição de livros no Brasil, a TAG Experiências. A dita empresa enviou por e-mail para os subscritores a explicação das duas ofertas disponíveis: livros que não fazem pensar e nada profundos vs livros com qualidade e profundos. Best sellers vs clássicos. Mas toda a gente sabe que existem Clássicos YA e Clássicos Best Sellers. Fiz uma lista há uns tempos por aqui. Não faz muito sentido esta discussão, né? A polémica gerou vários posicionamentos contra a empresa. Várias vozes se levantaram para defender os young adult, o que me deixa muito feliz.  Vi várias listas e apoiantes no Youtube. Unidos jamais serão vencidos. Vocês também viram? Entretanto, a empresa já alterou tudo, mas ainda não se pronunciou sobre o assunto.

 

Na verdade, este texto era para ser a minha opinião do livro Mirror Mirror, de Cara Delevingne. Terá de ficar para outra altura. Uma coisa levou à outra e dei por mim a escrever sobre preconceito literário. Continuo a afirmar que a literatura clássica é necessária e deve ser incentivada (Clube dos Clássicos Vivos). No entanto, prefiro que a literatura ande de mão dada com o entusiasmo. Seja ele qual for.

 

 

COMO É QUE EU LEIO TANTO COM DUAS CRIANÇAS PEQUENAS?

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A pergunta que mais me fazem é “como é que fazes para ler tanto com duas crianças?, ou “que raio de mãe és tu que passas tanto tempo a ler e não dás atenção aos teus filhos”? Hoje resolvi resumir tudo e escrever este texto para vos contar os meus segredos. Como é que eu faço para continuar a ler, respirar e ainda ter duas crianças ao meu cargo? É possível. Levem isto para a vida. Quando há vontade, há manobras.

 

Como fazes para ler tanto?

O dia tem 24 horas. Eu trabalho das oito às cinco. Menos oito horas. No entanto, durante a minha pausa de dez minutos do pequeno almoço costumo ler umas páginas. Leio sempre antes de dormir todos os dias. Normalmente das 22h às 23h, se o livro estiver muito bom ou se estiver quase a terminar avanço até ao fim. Tenho acordado às seis e leio vinte minutos. Durante o fim de semana, após o mais importante, durante algumas viagens mais longas ou pausas para relaxar durante as sestas ou brincadeiras deles leio algumas páginas. Quando não tenho aulas, leio um pouco antes dos miúdos chegarem do infantário e faço o jantar. Portanto, dedico meia hora no mínimo todos os dias à leitura. No mínimo. Todos os dias. É assim que eu faço. Eu não prescindo deste momento só meu. Sê inteira, diz Chimamanda. Concordo totalmente.

 

E quando eles eram mais pequeninos?

Durante a tarde ia ao jardim com eles ou a uma esplanada e levava um livro. Quando não tinha companhia, lia durante a sesta. Fazia isso várias vezes. Aproveitei bem o tempo que estive em casa. Que saudades!

 

O Gustavo sempre quis mais atenção que a Francisca, praticava fazia tudo com ele no sling. Não podia estar sozinho, chorava imenso. Lia no Kobo com a luz apagada um bocadinho antes de adormecer. Sempre fui muito ansiosa, não conseguia dormir no período das sestas dele à espera que acordasse para voltar a mamar. Com a Francisca, tornei-me uma mãe mais prática e relaxada. Fazia os mesmos passeios, mas ela era menos chorona, ajudou imenso. Nunca prescindi do tempo dedicado aos meus filhos, mas também nunca abandonei as minhas necessidades como dormir e cuidar de mim. Se tiveres ajuda de familiares, melhor! Pede, sem medos.

 

No fundo, a maior dica que posso dar é, perguntarem-se: porque quero ler com um bebé pequeno? Porque precisas de manter o ritmo de leitura na fase em que o teu filho ainda é bebé? A motivação tem de ser poderosa de forma a colocares no topo das tuas prioridades.

 

Para mim, a leitura está ligada ao meu desenvolvimento pessoal que por sua vez está ligada ao meu bem-estar emocional. Obviamente que passei por várias fases, lembro-me de ter lido um livro durante o mês nessa fase. Mas li tanto durante a gravidez e as malditas insónias.  Quando estão doentes, as dicas não valem nada. Se passar dias sem ler, está tudo bem. Não vou martirizar-me por isso. E lamento, não somos menos mães do que as mulheres que só se dedicam aos filhos e não fazem mais nada. Não somos menos mães porque não cozinhamos, limpamos, tratamos de tudo. Não somos menos mães se for o nosso marido a dar banhos, e vamos estudar. O pai tem a mesma responsabilidade. E se não tiver o mesmo jeito, está tudo bem!

 

A maternidade por mais bonita que seja, por mais importante que os meus filhos sejam, acho essencial estar bem, para eles estarem bem. A maternidade somente não chega para me deixar realizada. Assim como para o marido. Somos seres individuais com necessidades igualmente individuais. Não me resumo ao papel de mãe, sou outras mil coisas.

 

Nunca tive ajudas de ninguém para tratar dos meus filhos. Sempre fui eu e o meu marido a tratar dos dois. E sabem aquela equipa fantástica? Somos nós. O meu marido é peça importante, tal como eu, para tudo o que se passa nesta família. Não há ajudas, há cooperação. Muita coisa ficou de lado, mudou naturalmente. Claro que temos de fazer alguma ginástica. Temos de ceder muitas vezes. E está tudo bem!

 

E agora, quais são os segredos?

Sou organizada, não perco muito tempo na cozinha todos os dias, nem nos supermercados, nem a fazer quase nada. Como? Nos supermercados vou em períodos menos caóticos, final do dia, uma hora antes de fecharem. Preparo uma ementa quase semanal do que vou comer na semana seguinte. Nesse sempre. Faço receitas simples e fáceis. As mais complicadas ficam para os dias mais folgados. A casa é organizada ao longo da semana, no sábado gosto de fazer as limpezas maiores de manhã. Leio, priorizo a leitura, amo ler e coloco à frente de várias outras coisas. Eles brincam imenso, já querem o seu espaço, ficam mais tempo focados em tarefas. Eu sou prática, não complico. Fui aprendendo. Faço o que tiver de fazer com os dois. Não levo o mundo atrás quando saímos de casa. A casa, às vezes, está uma confusão e não stresso com isso. A casa é para viver. Outra coisa, não sou uma pessoa preguiçosa, sou metódica, e tenho um ritmo ligeiramente acelerado. E seria incapaz de passar os meus dias a lamentar sem fazer nada para mudar. Sou daquele tipo de pessoa que confrontada com problemas, procuro soluções. Se calhar, vou esquecer-me de algumas dicas, mas espero que estas sejam úteis na medida do possível.

 

Vamos ser práticos

Vamos ao lado prático das coisas. Com bebé ou sem bebé. Um dia tem vinte e quatro horas, menos dezasseis (oito para trabalhar, oito para dormir) sobram oito. Oito menos uma hora para necessidades básicas como comer, tomar banho, etc… sobram sete. Sete menos três horas que passo no curso sobram quatro. Ui, quatro horas, tratar dos miúdos, brincar, arrumar, lavar,… sendo duas horas, ainda me sobram duas horas. E o que eu faço com elas? Dedico-me às minhas metas pessoais, leio e escrevo. Às vezes, não faço nada, estou na internet, vejo imensos vídeos no YouTube, vejo séries, vou ao cinema, janto fora. Coisas de humano.

 

Gente, o tempo é igual para toda a gente. O meu dia não tem mais horas do que o vosso. Façam um diário do vosso dia, vejam quanto tempo gastam com certas atividades, vejam quanto tempo perdem na internet ou a ver televisão. Não deixem o mais importante para terceiro plano. Eu aprendi que o mais importante deve ser feito primeiro. Aposto que depois do diário de atividades vão descobrir maravilhas e encontrar meia hora para ler. Se o quiserem, realmente.

 

O desafio que eu lanço é: realiza um diário de atividades por três ou cinco dias. Se quiserem saber como fazer podemos falar melhor sobre isso num vídeo, o que acham?

 

CORRESPONDÊNCIAS | OPINIÃO E PASSATEMPO

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Durante esta semana fui até ao Cinema Ideal para assistir ao filme Correspondências realizado por Rita Azevedo Gomes. O filme é baseado nas correspondências entre Sophia de Mello Breyner e Jorge de Sena durante 1957 e 1978, o período de exílio deste último. 

 

Dedicada ao meu projeto Ler Poesia, sobretudo pela poesia de Sophia de Mello Breyner, fui levada até ao cinema para visualizar este filme. Outro aspeto que me interessou bastante foi o facto de ser um filme realizado por uma mulher portuguesa. Não podia pedir mais. A sensibilidade está em todos os planos e escolha de poemas. Alguns já conhecia, foi interessante a ligação de imagens às palavras dos dois poetas. Existe um livro de correspondências (esgotado, da Guerra & Paz) onde foi baseado este filme. As cartas foram lidas e homenageadas em pequenos retalhos muito semelhantes à memória, imagens fugidias com alusão à solidão e falta de liberdade.

 

São duas horas e meia de amor às palavras. Escutadas por quem parava. São lidos poemas e cartas em várias línguas. Inglês, francês, italiano. A poesia é universal. A dado momento Sophia fala na força da poesia, na dificuldade em regressar ao seu país, na forma como a PIDE é muito organizada. Lamenta a inexistência dos apoios à educação. Formidável. O amor pela Grécia, na amizade com Agustina Bessa-Luís. Jorge de Sena tem um tom mais amargurado, abalado com a situação política vivida.

 

Correspondências foi apresentado em vários festivais de cinema internacionais e ganhou o Prémio Fundação Saramago e Livraria Lello para Melhor Filme Falado em Português, Galego ou Crioulo de Origem Portuguesa, Transversal às Competições no DocLisboa 2016 e o Prémio Melhor Realização no Caminhos do Cinema Português 2016


A correspondência entre Sophia e Jorge de Sena é um testemunho da forte e  profunda amizade entre estes dois poetas, mas é também marcada pelo sempre presente peso da censura e da situação política em Portugal naquela época. Estreia dia 8 de março, no dia da mulher, no Cinema Ideal, em Lisboa, no Cinema Trindade, no Porto, e no Alma Shopping, em Coimbra.

 

 

 

Sobre a realizadora Rita Azevedo Gomes

 

Nascida em Lisboa, em 1952, Rita Azevedo Gomes tem um percurso variado, ligado às artes visuais. Começou por estudar Belas Artes, ligando-se ao cinema a pouco e pouco. Esteve envolvida, ao longo dos anos, em inúmeros projectos em teatro, ópera, artes plásticas e cinema, tendo ainda desenvolvido, com grande reconhecimento, trabalhos gráficos em diversas edições de cinema da Cinemateca e da Fundação Calouste Gulbenkian. Em 1990, realizou o seu primeiro filme: “O Som da Terra a Tremer”, após o qual escreveu e realizou várias curtas e longas metragens internacionalmente reconhecidas em festivais de todo o mundo. Actualmente está a terminar a sua longa-metragem "A Portuguesa" e trabalha na Cinemateca Portuguesa como programadora. 

 

 

Passatempo

 

Tenho dois bilhetes para vos oferecer. Esta sessão acontece no dia 13 de Março, no Cinema Ideal (Lisboa/Chiado) pelas 19 horas. Basta preencheres o formulário com os teus dados. Vou sortear no dia da mulher, dia 8 de março, parece-me uma linda forma de marcar este dia. 

 

 

 

leitora beta * divulgação * literatura *

contacta-me para mais informações contactoclaudiaoliveira@gmail.com
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