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SOMOS OS 99%| MARC GRANO/GONZALO FANJUL

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Feliz por conhecer livros interessantes, para um público mais jovem, sobre a sustentabilidade e desigualdade. Ressaltando a importância de proteger o nosso planeta e alertando para fazermos alguma coisa para provocar a diferença. Este livro realiza muito bem o seu papel, através de factos simples, traça as diferenças existentes no planeta. Nunca é aborrecido, pelo contrário. 

 

Temos a história de cinco indivíduos que apesar de não se conhecerem, têm algo em comum: deslocam-se numa bicicleta. Através das suas experiências vão passar mensagens ultra mega importantes e meter a malta a pensar sobre os assuntos apresentados. No meio de cada capitulo temos notas informativas e interessantes sobre os mais diversos assuntos. Como medimos e representamos a desigualdade? A pobreza laboral. O monopólio dos recursos naturais.O efeitos desiguais do aquecimento global. O luxo de ir ao médico. A história da Malala. E não só. São inúmeros pedaços de história e dados estatísticos que nos levam a perceber em que planeta vivemos. 

 

No final, os autores dão várias ideias para marcarmos a diferença e ajudarmos o nosso planeta. Ler este livro é o primeiro passo para despertar mentalidades. No entanto, depois da leitura há muito para fazer. Quem me dera ter lido um livro deste género quando era adolescente. Só comecei a perceber determinados assuntos mais tarde. Gostava de ter feito algo mais cedo e alertado os outros para o mesmo. Mas ainda vamos a tempo. 

 

Super recomendo. É aquele livro que dá vontade de distribuir por toda a gente com um bilhete "somos os 99%, ainda podemos fazer a diferença", Um livro capaz de despertar mentes e nos fazer refletir sobre o nosso papel no mundo.

 

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FOME | ROXANE GAY

 

 

A história da Roxane conta como a literatura a salvou. Mas não só. Como ela magoou o seu corpo para se refugiar. Como ficou obesa ao encontrar na comida algum conforto. Como é viver num corpo gordo e todos os preconceitos com os quais convive regularmente.

 

Ela foi violada por um grupo de rapazes numa cabana de uma floresta onde era impossível ser ouvida por mais alguém. Tinha apenas doze anos. Carregou o peso dessa experiência em silêncio, sem contar nada aos pais ou amigos. Passou a maltratar o seu corpo de forma a ficar invisível aos olhos dos outros. Sentia-se um lixo, a sua auto estima era nula. Na escola, era objeto de gozo por parte dos colegas.

 

Este livro apesar de curto, contém uma história de vida difícil, tornando-se numa leitura impactante e num livro necessário. Espero que seja traduzido brevemente em Portugal.  Li em ebook em português do Brasil. É revoltante ver como roubaram a juventude da Roxane. É angustiante ver como conseguiu esconder dos pais esta situação. Não imagino a dor destes pais quando descobriram a verdade. Não sei como terá sido voltar atrás no tempo e escrever este livro. Deve ter sido tão duro.

 

Neste livro temos um ponto de vista muito diferente do que estamos habituados. Ser magro não traz felicidade, ser gordo não é toda a verdade sobre alguém. É apenas um corpo. Porque continuamos a colocar os gordos em posições desconfortáveis? Porque temos de estar todos dentro de um padrão? Não temos. Só verdades atrás de verdades.

 

“É chocante perceber que até Oprah, uma mulher com sessenta e poucos anos, uma bilionária e uma das mulheres mais famosas do mundo, não esteja feliz consigo mesma, com seu corpo.”

 

Devíamos parar com estes preconceitos. Devíamos parar de tentar emagrecer os gordos sem autorização. Devíamos parar de os armar em médicos ou nutricionistas instagrammers cheias de dicas saudáveis para os outros. Não precisam da nossa opinião. Nem da nossa bênção. Devíamos parar de apregoar que só os magros podem ser felizes.

 

A verdade da Roxane incomoda. 

 

 

HISTÓRIAS DE ADORMECER PARA RAPARIGAS REBELDES 2 | FRANCESCA CAVALLO E ELENA FAVALLI

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Numa edição primorosa, por ordem alfabética, este livro contém 50 extraordinárias ilustradoras que dão vida a mulheres igualmente fantásticas. Um trabalho de duas italianas, a Francesca e Elena, que já conta mais de trinta traduções. Se livros sobre mulheres estiveram na moda, e for um motivo para mais trabalhos criativos de mulheres serem divulgados, só pode ser uma boa motivação. Obrigada à Nuvem da Tinta por ter editado este livro em Portugal. 

 

Não desfazendo das outras histórias, houve uma que me fez pesquisar mais e ficou gravada na minha memória. Fiquei realmente impressionada com a coragem dela e como foi importante a sua atitude. Falo da Ruby, a primeira menina negra com seis anos que entrou  para uma escola com apenas crianças brancas. A forma como ela e a sua família combateram o racismo entranhado no sistema é de arrepiar, Existe um filme sobre ela no Youtube. Fui à procura de mais informações e encontrei várias coisas. Hoje ela é uma ativista dos direitos humanos. Mulher de garra. 

 

Já conhecia algumas, JK Rownling, Opray, Beyoncé, Ellen Degeneres, entre outras.  Mas a maioria são mulheres pouco populares que participaram fortemente para a mudança e seguiram a premissa de que podem ser quem quiserem. É essa a grande mensagem deste livro. É interessante ver que são mulheres de todo o mundo, com realidades tão diferentes, empenhadas em transmitir uma mensagem. Este livro mostra que ainda temos muito trabalho pela frente na mudança de pensamentos. A luta continua.

 

Estes livros são necessários na vida das crianças que serão os adultos de amanhã. Recomendo muito. Mensagens fortes numa edição cativante que prima pela qualidade do trabalho de várias mulheres. É um livro necessário nas estantes, nas bibliotecas e escolas. 

 

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VIAGEM AO SONHO AMERICANO | ISABEL LUCAS

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Tive a feliz oportunidade de ir ao evento na Fábrica das Palavras ouvir a Isabel Lucas sobre este trabalho editado pela Companhia das Letras o ano passado. O título e a capa tinha despertado o meu interesse, mas foram as palavras da autora, naquele dia, que colocou alguma urgência nesta leitura. Comprei o livro, não descansei enquanto não o li.  

 

Em 2016, Isabel Lucas saiu de Portugal com a missão de percorrer os Estados Unidos a partir da sua literatura. São doze reportagens, durante um ano, ou seja, uma por mês. O objetivo era passar determinado tempo entre a realidade e a ficção de forma a captar as mudanças, assim como descobrir a situação política e social. Viajou imenso, com um telemóvel, computador e alguma roupa. Com poucos planos. As reportagens foram publicadas no Público, onde trabalha e mais tarde compiladas neste livro. 

 

"Foi a literatura que me fez começar esta viagem e a partir dela tentar perceber mais sobre um país com o qual cresci, porque era com ele que inevitavelmente se crescia no Ocidente nos anos oitenta ou noventa. A amar muitos dos seus escritores, da sua música, do seu cinema, da sua arte, dos seus ideais de liberdade, possibilidade, aceitação da diferença, irreverência, energia criativa."

 

Esta viagem só foi possível com a ajuda da Fundação Luso Americana que patrocinou os custos. Segundo ela, o trabalho jornalístico só funciona assim hoje em dia.  Não há verbas. Partir à aventura, em busca de respostas, cheia de incertezas, é algo que eu sinto como um ato de coragem. A forma como transportou para a escrita essa experiência é comovente. Primeiro, é uma mulher com muita piada. Segundo, o seu olhar sobre o outro é de uma enorme generosidade. Terceiro, senti o tamanho do mundo e o quanto somos um milhão de coisas ao mesmo tempo. Impressionante como um país pode ter tantas culturas diferentes dentro dele. Não sei se gostei do que descobri em relação aos Estados Unidos. Acho que ficou muito claro o lado negativo, mas precisava de sentir algo mais positivo. 

 

Nesta altura, Obama acaba o legado e Trump está na corrida com Hilary. Isabel Lucas mostra como o povo pensa, reage e tem dúvidas. Aqueles que não votaram sentem-se culpados. Os emigrantes sentem medo. A organização do livro é perfeita. Inicialmente apresenta uma lista de obras literárias, sugestões de leitura, fotos, a reportagem e um Travel Log (notas postadas no Facebook ao longo da viagem).

 

Começa com um dos meus livros preferidos, Moby Dick, onde refere as maratonas literárias que fazem Simon's Bethel durante 25 horas seguidas. É feita uma ligação entre o clássico e o estado atual da cidade. É assim em todas as reportagens. Ao longo do livro vamos testemunhar os encontros entre a jornalista e alguns escritores. Vamos ouvir histórias de pessoas muito distintas, com realidades opostas. São experiencias que acrescentam. Tudo o que é dito, é necessário. Cada detalhe. Cada ironia e pormenores. 

 

"E vai sozinha?, perguntam-me mais uma vez, tantas vezes. Quase sempre é assim quando saio para um trabalho longo. Isso raramente se pergunta a um homem. Andar por aí, sendo mulher, é ter noção, não apenas do preconceito, mas de que somos um corpo exposto a mais perigos. Ainda é assim. "

 

Joan Didion, Susan Sontag, Rebecca Solnit, Toni Morrisson, Franzen, Philip Roth, Cormac McCarthy, entre outros nomes mundialmente conhecidos são referidos ao longo das doze reportagens. Fiquei com vontade de explorar mais a literatura americana e ir até ao Alasca. Super recomendo este livro para quem gosta de livros de não fição, tem um fascínio pela América e gosta de livros de road trip. Para quem não gosta também pode arriscar sair da zona de conforto, é um trabalho de muita qualidade que merece ser lido e partilhado. 

leitora beta * divulgação * literatura *

contacta-me para mais informações contactoclaudiaoliveira@gmail.com

ESTREIA 21 DE JUNHO

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