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amulherqueamalivros

Sab | 16.12.17

VIRGUL | SABER ACEITAR | LIFE IS A MIXTAPE

Cláudia Oliveira

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Vamos conversar sobre o mais recente trabalho do Virgul. O cantor estreia-se a solo com o seu projeto “Saber Aceitar”.  Tem onze músicas, incluindo um dueto com a Ludmilla numa nova versão da música “Rainha” e uma participação do Nelson Freitas. O álbum tem todos os seus êxitos: “I Need This Girl”, “Só Eu Sei” e “Rainha”.

 

Vamos analisar as músicas? Claro! Estamos cá para isso. 

 

“I Need This Girl”

Música de abertura. Já estou mais do que farta da música, mas continuo a dançar sempre que toca.  Um refrão meio indeciso entre o português e o inglês. Uma moda dos cantores atuais só para tentar internacionalizar ligeiramente, mas que só serve para confundir a cabeça dos miúdos.

 

"My Bae feat Nelson Freitas"

Para aprofundar a internacionalização até francês entra nesta música.  O ritmo é brutal. Dá vontade de sair com a malta toda pela rua a bater tambores e assim. A loucura. Depois dançávamos a mesma coreografia.

 

"Can You Feel It"

Esta provavelmente é a musica patinho, mas ouve-se.

 

“Só eu Sei”

Também estou fartinha de ouvir esta. No entanto, podia ouvir isto uns dois dias seguidos. Não sei se acontece convosco, mas esta música dá aquela sensação de super mulher, sou capaz de tudo, deixem-me em paz.  Só eu sei, xiu.

 

“Nina”

Eita mistura desgraçada. Uma espécie de salsa com música angolana. “Será que a dama baila?”. Vrgul, não gosto desta. Tirava do CD, nem dava por ela.

 

“All Need is Love”

Ritmo muito Virgul, cheio de boas vibes. Amor, paz e alegria. Gosto de músicas bem-dispostas sobretudo quando o Benfica perde. Sorry, quem diz a verdade não merece castigo.

 

"Rainha" 

Outra que já tocou mais no rádio que a publicidade dos comprimidos para emagrecer.

 

"Jala"

Nesta ele arriscou muito. A música é totalmente ligada às raízes culturais do seu país. O ritmo e a letra. Não se percebe nada, mas adoro. O meu marido diz que esta música faria mito sucesso em Luanda. Acredito! É a minha preferida, acreditam?

 

“Bonita”

Mais uma música divertida e muito mexida. Faz pandan com a música “Nina”. Ele é um homem que aprecia a beleza, querem fazer?

 

“Rainha feat Ludmilla”

Esta tem a Ludmilla. Prefiro esta versão. A Ludmilla faz toda a diferença.

 

“I Need This Girl- Acústico”

Dispensável. As músicas querem-se mexidas. Esta parece que acordou numa segunda-feira. 

 

É isto. Oiçam o Virgul até ficarem enjoados. Acho que é um álbum totalmente verão, mas podemos fingir que não estão graus negativos nesta vida e abanar o corpinho.

 

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Sex | 15.12.17

NU, DE BOTAS | ANTÓNIO PRATA

Cláudia Oliveira

 

Pai e mãe me beijavam, apagavam a luz: o mundo desaparecia. Como ter certeza de que voltaria a existir? De que os dois não sumiriam no breu? Que garantia tinha de que não seria levado pelos monstros que, vez ou outra, apareciam nos pesadelos — eu, que ainda não sabia o que eram monstros ou pesadelos?

 

Apaixonada por este pequeno livro de crónicas não podia deixar de vos recomendar. Episódios de uma infância feliz através do olhar de Antônio Prata que conseguiu trazer do passado as memórias.

 

O menino, os cheiros e os lugares numa escrita singela e tocante. Identifiquei-me inevitavelmente com vários episódios. O medo do monstro no quarto escuro depois da minha mãe sair. Lembro-me de mim tapada até ao nariz com medo de abrir os olhos, tenho de rir.  As luzes acesas pela casa. O fogo no chão, saltos de tapete em tapete até chegar à cama com medo que o monstro me puxasse com uma mão. Saudade imensa de voltar ao esconderijo quando era a última a ser descoberta pelos amigos na rua. Subir à nespereira e ouvir ralhar da janela do vizinho.

 

As perguntas, as palavras levadas à letra. A curiosidade pelo mundo e os outros. A admiração pela mãe que consegue fazer tudo ao mesmo tempo e lhe dá segurança. A experimentação que faz parte do crescimento e da aprendizagem.

 

Este livro foi editado pela Tinta da China este ano e tem recebido rasgados elogios por parte das críticas. Um dos maiores cronistas brasileiros com mais um livro editado em Portugal intitulado "Meio Intelectual Meio de Esquerda". Sem dúvida um autor que pretendo acompanhar.

 

 

 

 (li em ebook)

 

Qua | 13.12.17

O BIBLIOTECÁRIO DE PARIS | MARK PYROR

Cláudia Oliveira

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Hugo, chefe de segurança da embaixada norte americana, encontra o diretor da Biblioteca Americana morto numa sala fechada. Desconfiado em relação à morte por causas naturais acaba por começar numa investigação. Vários acontecimentos desenrolam-se após a primeira morte de forma lenta, mas interessante. Apesar de não simpatizar com o protagonista devido à apática forma de levar o relacionamento com a Cláudia, acabei por ficar interessada em seguir as suas intuições e conhecer o desenlace da história. Acabei por ficar curiosa em relação ao desfecho e intrigada com tudo o que estava a acontecer. 

 

Fiquei ligeiramente desiludida com o facto de a história não abordar o tema da segunda guerra. Sinto-me enganada em relação à capa, sabem? No entanto, Paris está bem representada, adorei voltar à cidade através do livro.

 

É um livro com uma narrativa fluida, simples e uma investigação que raramente me surpreendeu.  No entanto, para intercalar entre leituras fortes e pesadas foi a melhor experiência possível. É um livro que recomendo se queres um livro sem grandes artifícios, com mistério e mortes à mistura. 

Qua | 13.12.17

O LIVRO DE EMMA REYES | EMMA REYES

Cláudia Oliveira

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Emma Reyes é o exemplo de alguém que não mostra rancor perante a sua vida cruel e miserável. Num tom cru, sem amargura, revela através de cartas para o amigo historiador Germán Arciniegas detalhes sobre a sua infância de emocionar qualquer um. Precisei de tempo para digerir tudo, respirar fundo. Senti revolta por ela, sendo tudo tão triste acabei por absorver essa carga durante a leitura. Vidas tão difíceis. Vidas tão miseráveis.

 

Num quarto com a sua irmã e o Menino, todos os dias de manhã precisa de despejar o penico. Cheio de fezes, carrega entre salpicos e agonia até ao depósito. Num lugar despido de móveis, luxos ou comida. A colombiana tem um olhar muito vincado sobre a sua história de menina pobre e ingénua. Sem amor, conforto, roupa e comida, passa pela miséria como quem vê a sua aldeia arder,  mas pensa ser o fogo de artificio mais bonito. O momento mais triste deste livro é tão intenso que ainda escuto os gritos de abandono. Emma pegou na tristeza e transformou em força.

 

Os adultos são sombras altas e pesadas. Indecifráveis. Mais tarde, num convento de freiras conhece o trabalho e os maus tratos. O lugar de amor está cheio de leis cruéis da fé.  Uma menina sem pais não pode ser recebida por Cristo, muito menos sonhar com um vestido branco ou ser freira. Neste convento é onde aprende a ler e a escrever e recebe pequenos gestos de carinho por parte de uma freira. Fui obrigada a questionar os valores da igreja católica perante duas meninas abandonadas. O relato é duro e sufocante. Ser espectadora destas injustiças é um tremendo desafio.

 

No final coloca-se a veracidade desta história após várias pesquisas e entrevistas. Ninguém sabe a verdade sobre a sua origem. Se por um lado temos a minuciosidade dos detalhes, por outro existem poucas provas. Eu acredito. Emma Reyes sempre fugiu da pergunta: quem era o teu pai? Já famosa e casada, sempre que recebia as visitas da irmã pedia para não ser incomodada e só voltava a dar noticias mais tarde. Ela conviveu com artistas conhecidos e teve uma vida muito diferente depois de ter fugido do convento. Verdadeira história de resiliência.

 

Recomendo muito. Este livro foi uma espécie de comboio desenfreado contra mim.