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amulherqueamalivros

Qua | 21.02.18

ESTE LIVRO MEDÍOCRE VENDEU IMENSO | A ARTE SUBTIL DE SABER DIZER QUE SE F*DA

Cláudia Oliveira

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Preciso de explicar porque dei uma estrela a este livro no GoodReads apesar dele ter uma boa pontuação na plataforma. Eu não tenho problemas com livros deste género, adoro a temática. Estou sempre em busca de livros inspiradores, originais e criativos. Pensava que este livro seria assim. Estava tão enganada. Há semanas no top de vendas previa ser uma leitura espectacular. Não é, vão por mim. O livro não vale um caracol de tão mau.


Primeiro, onde é que Mark sustenta a sua teoria? Na sua própria experiência. O que fez ele de sucesso? Conseguiu vender muitos livros através do discurso patético armado em engraçado. Para mim livros destes são puro aproveitamento. Tenta impingir às pessoas uma teoria completamente maluca, cheia de exemplos que nada têm a ver com a realidade e as pessoas acreditam que ele está certo. Não vos faz lembrar nada? Chamo de discurso do bandido. 

Separei algumas frases maravilhosas deste livro. Ironia, claro.


“Já percebeste que, às vezes, quando te importas menos com alguma coisa, acaba por correr melhor? Já notaste que geralmente é a pessoa menos empenhada que acaba se dando bem? Já reparaste que às vezes, quando paras de te importar tanto, tudo começa a entrar nos eixos?” 

Esta é a melhor. Claro que a pessoa menos empenhada tem mais sucesso. Não é Mark, seu lindo? Tu sabes bem o que dizes, escreveste um livro medíocre e vendes imenso. Palmas, quem diz a verdade não merece castigo.


“Se buscar o positivo é negativo, então buscar o negativo gera o positivo.” 

Obviamente que quando somos pessimistas vamos encontrar as energias positivas. Como o Bukowski. Ele adorava ser velho, bêbado e pobre. Então esforçava-se imenso para continuar a ser assim só na esperança de vender muitos livros e ficar rico. Quem sabe o primeiro prémio do euromilhões para tanta negatividade. Aliás, não façam nada nessa vida. 


“O problema das pessoas que se agarram a qualquer banalidade como se daquilo dependesse sua maldita vida é que elas não têm mais nada interessante com que se importar.”


Sim, claro. A senhora que ele dá como exemplo passa os dias a cortar talões de desconto.  E segundo o Mark ela faz isso porque não tem nada de interessante onde focar a sua atenção. Até pode ser uma pessoa sozinha, deprimida, doente, mas não, vamos generalizar e dizer que ela não tem nada de interessante para fazer. Aliás, ele faz isso constantemente ao longo do livro.

 
Passo a resumir este livro. Não ligues muitos às coisas, tenta relaxar, enfrenta os teus medos e quanto mais negativo mais alcanças. Porque desta forma não estás sempre a tentar provar nada, nem a martelar a tua cabeça e ficares frustrado. Vais morrer, portanto não te preocupes muito, terás sucesso se mantiveres essa postura. Não ligues aos outros, eles não são um obstáculo. Só tens é de continuar a fazer aquilo que queres e dizer umas quantas asneiras pelo meio. Se fores arrogante, melhor ainda. Interessa é tentares manter a graça, cair na graça e se não caíres paciência.


O livro está cheio de generalizações e exemplos muito ao jeito do autor. Tenta ser engraçado, mas eu dei longos suspiros de aborrecimento em vez de gargalhadas. Os mal-educados, sem papas na língua, nas tintas para tudo e todos nunca serão pessoas de sucesso. Tenho outra definição para isso. Não recomendo. 

 

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Ter | 20.02.18

A RESISTÊNCIA | JULIÁN FUKS

Cláudia Oliveira

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Vencedor do Prémio Saramago de 2017, Julian Fuks é um escritor brasileiro filho de pais argentinos editado o ano passado pela Companhia das Letras com o romance "A Resistência". Em 2007 e 2012 foi finalista do Prémio Jabuti e do Prémio Portugal Telecom com os livros "Histórias de literatura e cegueira" e "Procura do romance" respetivamente. Em 2012 foi considerado pela revista Granta um dos vinte melhores jovens escritores brasileiros. "A Resistência" é o seu quarto romance

 

O mote desta história é o irmão adoptivo do narrador agregado à fuga dos pais da Argentina para o Brasil durante o período da ditadura. Contado na primeira pessoa, revela pormenores da história da sua família e do mistério envolto em relação ao irmão adoptado. Com una ligação muito forte a esta história, o Julian Fuks expõe a sua própria história de forma muito intensa e sincera. Revela que sempre teve uma relação estranha com esse irmão adoptado. Que ele sempre foi um estranho ou motivo de brincadeira como é costume entre crianças, "já não és meu irmão". Diria que este livro foi uma forma de aproximação e uma espécie de investigação às raízes da sua família. Mais do que isso, uma homenagem à força dos seus pais.

 

A sua família passou pela ditadura na década de 70 na Argentina. Sendo este um período de várias dificuldades, os seus pais foram para o Brasil para escapar ao regime. Trouxeram consigo esta criança, uma novo irmão. Numa altura em que muitas crianças desapareceram da Argentina devido à morte, fome, exílio e falta de condições para garantir uma vida com condições básicas. Muitas crianças foram dadas para adopção e levadas para longe das suas famílias. 

 

"Resistir: quanto em resistir é aceitar impávido a desgraça, transigir com a destruição cotidiana, tolerar a ruína dos próximos? Resistir será aguentar de pé a queda dos outros, e até quando, até que as pernas próprias desabem?"

 

Este irmão que parece uma figura silenciosa acaba por ser a peça mais importante deste livro. A força dos laços familiares e as recordações que modificam perante a histórias e as certezas de cada um. Com uma escrita excepcional este livro foi uma leitura extraordinária e difícil de largar. Envolvente e forte este romance é uma lufada de ar fresco dentro das minhas leituras. Uma verdadeira surpresa marcada pela narrativa do escritor Julian Fuks. Recomendo muito!

 

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Seg | 19.02.18

18 DICAS PARA ESCREVER UM LIVRO

Cláudia Oliveira

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Dicas e conselhos nunca são suficientes se provocarem boas energias e incentivo. Sendo assim, tragodezoito dicas para quem quer ser escritor e está disposto a trabalhar para isso. Espero que sejam úteis e te inspirem para começar.

 

Estes conselhos foram retirados do livro Escrever: memórias de um ofício, de Stephen King. O livro foi editado pela Temas& Debates em 2001, encontra-se esgotado neste momento. Vamos torcer para ser reeditado.

 

Stephen King é um escritor americano, conhecido pelos seus livros de horror fantástico e ficção. Já vendeu quase 400 milhões de cópias e foi publicado em mais de 40 países. Várias obras foram adaptadas ao cinema. Tem mais de 40 obras editadas.

 

Adorei este livro, fiquei super entusiasmada para partilhar convosco. Precisei de resumir e escolher, dentro das dezenas, apenas dezoito dicas. Tem muito mais e recomendo imenso este livro para quem pretende escrever um livro. Ou para quem gosta de livros sobre o tema. É um dos melhores dentro do género. Espero que consigam encontrar numa biblioteca ou num alfarrabista. Vale muito a pena.

 

 

 

Vamos à lista. 18 dicas para escrever um livro. 

 

- As ideias para as melhores histórias aparecem do nada. O teu trabalho não é encontrar ideias, é reconhecer quando elas aparecem.

 

- Escreve com a porta fechada, reescreve com a porta aberta. Em outras palavras, escreve como se fosse só teu e para ti, mas não te esqueças que depois o texto pertence a quem vai ler ou criticar. Tens de estar preparado.

 

- Escrever é um trabalho solitário. Ter alguém que acredita em ti faz toda a diferença. Não precisam de fazer discursos motivacionais. Basta acreditar.

 

- Parar uma história só porque ela é emocional ou criativamente difícil é uma péssima ideia. Precisas de ser persistente, mesmo quando não sentes vontade. Às vezes estás a fazer um bom trabalho mesmo quando parece estares sentado a não fazer rigorosamente nada de jeito.

 

- Podes encarar o ato de escrever com nervosismo, animação, esperança ou até desespero — aquele sentimento de que nunca será possível pôr na página tudo o que está no teu coração e na tua mente. Encara a escrita como quiseres, menos levianamente. Repito: não encares a página em branco de maneira leviana.

 

- Uma das piores coisas que se pode fazer é tentar enfeitar o vocabulário ou usar palavras longas porque tens vergonha de usar as curtas de sempre.

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- Quanto mais ficção lês e escreves, mais rápido verás os teus parágrafos formarem-se. Quando estás a escrever um texto é melhor não pensares demais no inicio e no fim dos parágrafos. O truque é deixar a natureza seguir seu curso. Se depois não gostares, é só corrigires. Ou seja, reescrever.

 

- O objetivo da ficção é fazer com que o leitor se esqueça, sempre que possível, que está a ler uma história.

 

- O peso e o número de páginas, por si só, não indicam excelência. Muitas histórias épicas são uma porcaria da mesma forma que livros curtos nem sempre são bons.

 

- A boa escrita consiste em dominar os fundamentos (vocabulário, gramática, elementos de estilo) e depois colocar os instrumentos certos. Embora seja impossível transformar um escritor mau em um escritor competente, e embora seja igualmente impossível transformar um escritor bom em um incrível, é sim possível, com muito trabalho, dedicação e conselhos oportunos, transformar um escritor meramente competente em um bom escritor.

 

- É importante ler para experimentar a mediocridade; essa experiência ajuda a reconhecer esse tipo de coisa quando ela começa a infiltrar-se no teu trabalho. Também é preciso ler para te comprares aos bons e aos grandes, para ter uma noção de tudo o que pode ser feito. E também deves ler para ter contato com diferentes estilos.

 

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- Escreve até os dedos sangrarem ou os olhos quase caírem das órbitas. Não importa se ninguém está a ver ou a assistir.  Todo esforço é digno de aplausos, porque tu, como criador, estás feliz.

 

- Precisas de ler quatro a seis horas por dia, todos os dias — não vai parecer exaustivo se realmente gostares de fazer e tiveres aptidão para as duas coisas.

 

- Quando começares a trabalhar num projeto não pares, não diminuas o ritmo a menos que seja absolutamente necessário.

 

- Quando entrares no teu espaço de escrita e fechares a porta, já deves ter estabelecido uma meta diária.  Como acontece com os exercícios físicos, é melhor estabeleceres uma meta baixa, de início, para não ficares sem motivação. São recomendadas mil palavras por dia e uma folga por semana, pelo menos no início.

 

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- Não esperes pela musa de inspiração, trabalha muito diariamente. A musa aparece durante o trabalho e nunca antes.

 

- Não descrevas demasiado a aparência das personagens, deixa que seja o leitor a fornecer o rosto, o físico e as roupas. 

 

- Não deixes de acreditar em ti, mesmo quando os outros duvidam.

 

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