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BANGLADESH, TALVEZ E OUTRAS HISTÓRIAS | ERIC NEPOMUCENO

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Bangladesh, talvez e outras Histórias é um livro de contos do brasileiro Eric Nepomuceno lançado este ano pela Porto Editora durante o Correntes d'Escritas.

 

São histórias sobre o comum, de fácil empatia e alguma comoção. Os finais são em aberto, deixando o destino das personagens entregues ao leitor. Não são histórias muito conclusivas, mas foi exatamente isso que me fascinou. A responsabilidade fica do nosso lado, a imaginação faz o resto do trabalho. 

 

Uma das histórias mais marcantes é um dos contos mais curto. O autor consegue de forma muito conscisa colocar várias emoções. O meu conto preferido chama-se História de pai e Filho, foi o que mais me comoveu. A lágrima ao canto do olho apareceu. O filho é levado pelo pai durante várias tardes para almoçar num restaurante, mas é sempre interrompido por amigos e conhecidos. Um dia, chateado, o filho decide que não quer ir mais almoçar àquele restaurante. Acaba por ir contrariado. O que acontece depois irá marca-los para o resto das suas vidas. 

 

A corrida contra o tempo, as memórias de infância, as histórias que nos fazem sorrir ou chorar. Os putos curiosos espreitam a vizinha pela janela, os homens crescidos com as suas fragilidades durante a conquista. São momentos que nos intensificam os dias. A felicidade ali, presente, e nunca descansamos em procurar por ela. 

 

Gostei bastante. Confesso que a força dos primeiros contos foi superior à força dos últimos. Prefiro os mais curtos e intensos. O autor não subestima a nossa inteligência em momento algum, não explica. Adoro quando é assim. Recomendo, fiquei muito contente por conhecer mais um autor brasileiro.

 

Histórias curtas para quem quer usufrir do prazer da leitura de sorriso na cara. 

ENTRE A REVOLTA E A DESCOBERTA

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Vamos para mais uma edição do Leitores em Viagem. Um cantinho onde falo brevemente sobre os lugares que visitei. No último mês, tive a oportunidade de conhecer lugares interessantes e surpreender-me (alguns pela positiva, outros nem tanto). Escolhi quatro. Há espaços para todos os gostos. Leitores curiosos, divertidos, mini leitores e apreciadores de um bom café. 

 

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Verde Amarelo, Costa da Caparica

Quando fui passear à Margem Sul fui almoçar ao Verde Amarelo. É um lugar que serve pizzas, comida italiana, sushi, fast food. Eu adoro as pizzas deles e o espaço é agradável. Costumo lá ir algumas vezes. Aliás, sempre que vou à Costa da Caparica almoço por lá. Nunca experimentei o sushi, mas tem tão bom aspeto. Fica junto à praia, a equipa é rápida e apesar de não serem os reis da simpatia, eu volto sempre. Acho que na próxima visita experimento outro lugar. A esplanada é gigante, em dias de calor é ótimo para um sumo natural e um livro divertido.

 

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Arco Íris, Avenida da Liberdade

O espaço não é bonito, nem acolhedor. Mas os preços e a comida superam isso. Só de me lembrar das bolinhas de lentilhas fico com água na boca. A simpatia das funcionárias é contagiosa e fiquei com vontade de voltar para experimentar novos pratos. Não é um cantinho muito propício para ler um livro, as cadeiras são rijas, mas se queres comida vegetariana e vegana, este lugar merece uma visita. Leitores curiosos este é o vosso spot. Provam pratos diferentes e podem ler um livro sem muita confusão.

 

The Juice, Chiado

A ideia era ir a outro lugar comer um brunch, mas infelizmente tínhamos de esperar 40 minutos. No way. A barriga estava a roncar e precisamos urgentemente de outro lugar. De frente, estava o The Juice. 15 euros, um brunch bem recheado, com um espaço mega instagram. No entanto, a comida é toda do supermercado. Esqueçam. Como fiquei perto da cozinha vi tudo. Fiquei cheia? Fiquei. Fiquei satisfeita? Não fiquei. Éramos três pessoas numa mesa redonda pequena. Falavam comigo em inglês e metade em português, sendo que eram portugueses. Não me deram fatura com contribuinte porque “a conta já estava fechada”, quando pedi antes de estar fechada. No entanto, têm bebidas da marca mais famosa, sempre podem lá ir para ler o jornal e beber um cafézinho. Eu não regresso. Não encontro nada sobre este lugar na internet. Nem tirei fotos. Estava revoltada.

 

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Gelataria Italiana, Costa da Caparica

Estava a chover neste dia, mas isso não é impedimento para comer um gelado. Pois não? Eu cá adoro gelados em dias de chuva. Dá aquele toque alegre nos dias melancólicos. A gelataria italiana tem sabores diversos, mas os gelados não são extraordinários. O espaço é confortável e espaçoso. Têm muita oferta, com nutella e tal, mas não fiquei a babar. Ideal para entreter os miúdos com uma história infantil entre duas ou três colheres de gelado.

 

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HISTÓRIAS DE ADORMECER PARA RAPARIGAS REBELDES 2 | FRANCESCA CAVALLO E ELENA FAVALLI

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Numa edição primorosa, por ordem alfabética, este livro contém 50 extraordinárias ilustradoras que dão vida a mulheres igualmente fantásticas. Um trabalho de duas italianas, a Francesca e Elena, que já conta mais de trinta traduções. Se livros sobre mulheres estiveram na moda, e for um motivo para mais trabalhos criativos de mulheres serem divulgados, só pode ser uma boa motivação. Obrigada à Nuvem da Tinta por ter editado este livro em Portugal. 

 

Não desfazendo das outras histórias, houve uma que me fez pesquisar mais e ficou gravada na minha memória. Fiquei realmente impressionada com a coragem dela e como foi importante a sua atitude. Falo da Ruby, a primeira menina negra com seis anos que entrou  para uma escola com apenas crianças brancas. A forma como ela e a sua família combateram o racismo entranhado no sistema é de arrepiar, Existe um filme sobre ela no Youtube. Fui à procura de mais informações e encontrei várias coisas. Hoje ela é uma ativista dos direitos humanos. Mulher de garra. 

 

Já conhecia algumas, JK Rownling, Opray, Beyoncé, Ellen Degeneres, entre outras.  Mas a maioria são mulheres pouco populares que participaram fortemente para a mudança e seguiram a premissa de que podem ser quem quiserem. É essa a grande mensagem deste livro. É interessante ver que são mulheres de todo o mundo, com realidades tão diferentes, empenhadas em transmitir uma mensagem. Este livro mostra que ainda temos muito trabalho pela frente na mudança de pensamentos. A luta continua.

 

Estes livros são necessários na vida das crianças que serão os adultos de amanhã. Recomendo muito. Mensagens fortes numa edição cativante que prima pela qualidade do trabalho de várias mulheres. É um livro necessário nas estantes, nas bibliotecas e escolas. 

 

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RESPONDI ÀS VOSSAS PERGUNTAS

 

 

Neste vídeo eu respondo a algumas perguntas que me colocam regularmente. Espero que seja útil.

 

Perguntas:

1- Como surgiu o teu gosto pela literatura?
2- Os teus gostos literários mudaram ao longo da tua vida?
3- Como foi a tua adolescência enquanto leitora?
4- Quais os programas que utilizas para editar os vídeos? Sony Vegas e Movie Maker
5- Quanto tempo levas a ler?
6- Tens alguma técnica de leitura rápida?

 

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COMO É QUE EU LEIO TANTO COM DUAS CRIANÇAS PEQUENAS?

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A pergunta que mais me fazem é “como é que fazes para ler tanto com duas crianças?, ou “que raio de mãe és tu que passas tanto tempo a ler e não dás atenção aos teus filhos”? Hoje resolvi resumir tudo e escrever este texto para vos contar os meus segredos. Como é que eu faço para continuar a ler, respirar e ainda ter duas crianças ao meu cargo? É possível. Levem isto para a vida. Quando há vontade, há manobras.

 

Como fazes para ler tanto?

O dia tem 24 horas. Eu trabalho das oito às cinco. Menos oito horas. No entanto, durante a minha pausa de dez minutos do pequeno almoço costumo ler umas páginas. Leio sempre antes de dormir todos os dias. Normalmente das 22h às 23h, se o livro estiver muito bom ou se estiver quase a terminar avanço até ao fim. Tenho acordado às seis e leio vinte minutos. Durante o fim de semana, após o mais importante, durante algumas viagens mais longas ou pausas para relaxar durante as sestas ou brincadeiras deles leio algumas páginas. Quando não tenho aulas, leio um pouco antes dos miúdos chegarem do infantário e faço o jantar. Portanto, dedico meia hora no mínimo todos os dias à leitura. No mínimo. Todos os dias. É assim que eu faço. Eu não prescindo deste momento só meu. Sê inteira, diz Chimamanda. Concordo totalmente.

 

E quando eles eram mais pequeninos?

Durante a tarde ia ao jardim com eles ou a uma esplanada e levava um livro. Quando não tinha companhia, lia durante a sesta. Fazia isso várias vezes. Aproveitei bem o tempo que estive em casa. Que saudades!

 

O Gustavo sempre quis mais atenção que a Francisca, praticava fazia tudo com ele no sling. Não podia estar sozinho, chorava imenso. Lia no Kobo com a luz apagada um bocadinho antes de adormecer. Sempre fui muito ansiosa, não conseguia dormir no período das sestas dele à espera que acordasse para voltar a mamar. Com a Francisca, tornei-me uma mãe mais prática e relaxada. Fazia os mesmos passeios, mas ela era menos chorona, ajudou imenso. Nunca prescindi do tempo dedicado aos meus filhos, mas também nunca abandonei as minhas necessidades como dormir e cuidar de mim. Se tiveres ajuda de familiares, melhor! Pede, sem medos.

 

No fundo, a maior dica que posso dar é, perguntarem-se: porque quero ler com um bebé pequeno? Porque precisas de manter o ritmo de leitura na fase em que o teu filho ainda é bebé? A motivação tem de ser poderosa de forma a colocares no topo das tuas prioridades.

 

Para mim, a leitura está ligada ao meu desenvolvimento pessoal que por sua vez está ligada ao meu bem-estar emocional. Obviamente que passei por várias fases, lembro-me de ter lido um livro durante o mês nessa fase. Mas li tanto durante a gravidez e as malditas insónias.  Quando estão doentes, as dicas não valem nada. Se passar dias sem ler, está tudo bem. Não vou martirizar-me por isso. E lamento, não somos menos mães do que as mulheres que só se dedicam aos filhos e não fazem mais nada. Não somos menos mães porque não cozinhamos, limpamos, tratamos de tudo. Não somos menos mães se for o nosso marido a dar banhos, e vamos estudar. O pai tem a mesma responsabilidade. E se não tiver o mesmo jeito, está tudo bem!

 

A maternidade por mais bonita que seja, por mais importante que os meus filhos sejam, acho essencial estar bem, para eles estarem bem. A maternidade somente não chega para me deixar realizada. Assim como para o marido. Somos seres individuais com necessidades igualmente individuais. Não me resumo ao papel de mãe, sou outras mil coisas.

 

Nunca tive ajudas de ninguém para tratar dos meus filhos. Sempre fui eu e o meu marido a tratar dos dois. E sabem aquela equipa fantástica? Somos nós. O meu marido é peça importante, tal como eu, para tudo o que se passa nesta família. Não há ajudas, há cooperação. Muita coisa ficou de lado, mudou naturalmente. Claro que temos de fazer alguma ginástica. Temos de ceder muitas vezes. E está tudo bem!

 

E agora, quais são os segredos?

Sou organizada, não perco muito tempo na cozinha todos os dias, nem nos supermercados, nem a fazer quase nada. Como? Nos supermercados vou em períodos menos caóticos, final do dia, uma hora antes de fecharem. Preparo uma ementa quase semanal do que vou comer na semana seguinte. Nesse sempre. Faço receitas simples e fáceis. As mais complicadas ficam para os dias mais folgados. A casa é organizada ao longo da semana, no sábado gosto de fazer as limpezas maiores de manhã. Leio, priorizo a leitura, amo ler e coloco à frente de várias outras coisas. Eles brincam imenso, já querem o seu espaço, ficam mais tempo focados em tarefas. Eu sou prática, não complico. Fui aprendendo. Faço o que tiver de fazer com os dois. Não levo o mundo atrás quando saímos de casa. A casa, às vezes, está uma confusão e não stresso com isso. A casa é para viver. Outra coisa, não sou uma pessoa preguiçosa, sou metódica, e tenho um ritmo ligeiramente acelerado. E seria incapaz de passar os meus dias a lamentar sem fazer nada para mudar. Sou daquele tipo de pessoa que confrontada com problemas, procuro soluções. Se calhar, vou esquecer-me de algumas dicas, mas espero que estas sejam úteis na medida do possível.

 

Vamos ser práticos

Vamos ao lado prático das coisas. Com bebé ou sem bebé. Um dia tem vinte e quatro horas, menos dezasseis (oito para trabalhar, oito para dormir) sobram oito. Oito menos uma hora para necessidades básicas como comer, tomar banho, etc… sobram sete. Sete menos três horas que passo no curso sobram quatro. Ui, quatro horas, tratar dos miúdos, brincar, arrumar, lavar,… sendo duas horas, ainda me sobram duas horas. E o que eu faço com elas? Dedico-me às minhas metas pessoais, leio e escrevo. Às vezes, não faço nada, estou na internet, vejo imensos vídeos no YouTube, vejo séries, vou ao cinema, janto fora. Coisas de humano.

 

Gente, o tempo é igual para toda a gente. O meu dia não tem mais horas do que o vosso. Façam um diário do vosso dia, vejam quanto tempo gastam com certas atividades, vejam quanto tempo perdem na internet ou a ver televisão. Não deixem o mais importante para terceiro plano. Eu aprendi que o mais importante deve ser feito primeiro. Aposto que depois do diário de atividades vão descobrir maravilhas e encontrar meia hora para ler. Se o quiserem, realmente.

 

O desafio que eu lanço é: realiza um diário de atividades por três ou cinco dias. Se quiserem saber como fazer podemos falar melhor sobre isso num vídeo, o que acham?

 

VIAGEM AO SONHO AMERICANO | ISABEL LUCAS

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Tive a feliz oportunidade de ir ao evento na Fábrica das Palavras ouvir a Isabel Lucas sobre este trabalho editado pela Companhia das Letras o ano passado. O título e a capa tinha despertado o meu interesse, mas foram as palavras da autora, naquele dia, que colocou alguma urgência nesta leitura. Comprei o livro, não descansei enquanto não o li.  

 

Em 2016, Isabel Lucas saiu de Portugal com a missão de percorrer os Estados Unidos a partir da sua literatura. São doze reportagens, durante um ano, ou seja, uma por mês. O objetivo era passar determinado tempo entre a realidade e a ficção de forma a captar as mudanças, assim como descobrir a situação política e social. Viajou imenso, com um telemóvel, computador e alguma roupa. Com poucos planos. As reportagens foram publicadas no Público, onde trabalha e mais tarde compiladas neste livro. 

 

"Foi a literatura que me fez começar esta viagem e a partir dela tentar perceber mais sobre um país com o qual cresci, porque era com ele que inevitavelmente se crescia no Ocidente nos anos oitenta ou noventa. A amar muitos dos seus escritores, da sua música, do seu cinema, da sua arte, dos seus ideais de liberdade, possibilidade, aceitação da diferença, irreverência, energia criativa."

 

Esta viagem só foi possível com a ajuda da Fundação Luso Americana que patrocinou os custos. Segundo ela, o trabalho jornalístico só funciona assim hoje em dia.  Não há verbas. Partir à aventura, em busca de respostas, cheia de incertezas, é algo que eu sinto como um ato de coragem. A forma como transportou para a escrita essa experiência é comovente. Primeiro, é uma mulher com muita piada. Segundo, o seu olhar sobre o outro é de uma enorme generosidade. Terceiro, senti o tamanho do mundo e o quanto somos um milhão de coisas ao mesmo tempo. Impressionante como um país pode ter tantas culturas diferentes dentro dele. Não sei se gostei do que descobri em relação aos Estados Unidos. Acho que ficou muito claro o lado negativo, mas precisava de sentir algo mais positivo. 

 

Nesta altura, Obama acaba o legado e Trump está na corrida com Hilary. Isabel Lucas mostra como o povo pensa, reage e tem dúvidas. Aqueles que não votaram sentem-se culpados. Os emigrantes sentem medo. A organização do livro é perfeita. Inicialmente apresenta uma lista de obras literárias, sugestões de leitura, fotos, a reportagem e um Travel Log (notas postadas no Facebook ao longo da viagem).

 

Começa com um dos meus livros preferidos, Moby Dick, onde refere as maratonas literárias que fazem Simon's Bethel durante 25 horas seguidas. É feita uma ligação entre o clássico e o estado atual da cidade. É assim em todas as reportagens. Ao longo do livro vamos testemunhar os encontros entre a jornalista e alguns escritores. Vamos ouvir histórias de pessoas muito distintas, com realidades opostas. São experiencias que acrescentam. Tudo o que é dito, é necessário. Cada detalhe. Cada ironia e pormenores. 

 

"E vai sozinha?, perguntam-me mais uma vez, tantas vezes. Quase sempre é assim quando saio para um trabalho longo. Isso raramente se pergunta a um homem. Andar por aí, sendo mulher, é ter noção, não apenas do preconceito, mas de que somos um corpo exposto a mais perigos. Ainda é assim. "

 

Joan Didion, Susan Sontag, Rebecca Solnit, Toni Morrisson, Franzen, Philip Roth, Cormac McCarthy, entre outros nomes mundialmente conhecidos são referidos ao longo das doze reportagens. Fiquei com vontade de explorar mais a literatura americana e ir até ao Alasca. Super recomendo este livro para quem gosta de livros de não fição, tem um fascínio pela América e gosta de livros de road trip. Para quem não gosta também pode arriscar sair da zona de conforto, é um trabalho de muita qualidade que merece ser lido e partilhado. 

ENSINA-ME A VOAR SOBRE OS TELHADOS | JOÃO TORDO

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O mais recente livro do João Tordo chama-se "Ensina-me a Voar Sobre os Telhados", saiu no dia 20 de Março pela Companhia das Letras. Tem 486 paginas de pura melancolia e tristeza.

 

Entre o Japão e Portugal numa distância de 100 anos, o romance dá lugar a duas histórias distintas com algo em comum. Começa em Portugal, com um acontecimento trágico, o suicídio de um professor de Geografia em pleno Colégio Camões. O narrador é um homem que está divorciado, com um filho surdo, alcoólico, que decide reunir os colegas para conseguirem conversar sobre a tragédia. No Japão, a história também é trágica, dois amigos são separados devido a uma situação muito triste. O governador, pai de um dos amigos, castiga brutalmente o seu filho desprezando-o de forma a honrar a família. 

 

Durante todo o livro senti uma carga pesada de tristeza. Lia um bocadinho todos os dias, mas sentia que a história não avançava. Requer paciência. Perturba-me ler um livro tão triste em dias felizes. A escrita do João Tordo foi o elemento essencial para continuar a tentar conectar-me com as personagens. Gostei bastante das primeiras cem páginas, mas depois senti-me perdida e desconectada. O romance não cresce, tem tantas personagens e detalhes que acaba por ser frustrante não sentir nenhum entusiasmo por nada do que acontece. 

 

"Há quem diga que o suicídio é a forma suprema de egoísmo; que o suicida deixa, na sua esteira, um rasto indelével de dor. A verdade é que, para os que partem, as perguntas cessam."

 

Gostei particularidade da existência de diversidade e representatividade. As personagens são muito distintas do que costumamos encontrar nos romances contemporâneos. Vozes dos rejeitados e ignorados pela sociedade. Culturas e tradições ricas, sobretudo nas passagens dedicadas ao Japão. Questões de fé e esperança durante momentos de agonia e fracasso. Como lidam com a dor e a morte? Como continuam os seus dias afogados nos próprios erros?  A questão da surdez é abordada no romance através do filho do narrador e da relação que ambos têm. Como é ser pai de um filho surdo? 

 

Achei muito interessante a abordagem que o autor fez em relação à levitação, sendo uma prática difícil de acreditar como algo existente. O título é uma pequena referência a esse mundo incógnito e místico. Li numa das notas do autor sobre este romance, que esta história nasceu de uma conversa com um homem japonês. Transcrevo de seguindo um bocadinho:

 

"Eu tinha estado na China alguns anos antes, mais propriamente em Xangai, onde conheci um homem japonês que, durante um jantar, me confessou, embriagado, que descendia de uma linhagem de praticantes de levitação – que o seu trisavô pairara sobre a cordilheira dos Himalaias... Nunca sabemos de onde nos chegam estas associações e, no que diz respeito ao meu ofício, aprendi a não fazer demasiadas perguntas nem a sabotar as ligações inesperadas da imaginação. "

 

João Tordo tem uma escrita belíssima e bastante rica. Um romance primaveril, numa narrativa muito introspectiva. Não dá para resistir a um novo romance de um nossos escritores preferidos, não é verdade? Apesar de ter ficado pouco impactada, valeu a pena. 

RESUMO DE MARÇO

 

 

Neste vídeo faço o resumo das leituras de Março. Também falo na melhor e na pior leitura. Indico o melhor filme do mês assim como a melhor série. Digam-me, já viram o final de "This is Us", também sentiram o mesmo?

 

Livros mencionados:


Jane Eyre, Charlotte Brontë
Querida Yeawele, Chimamanda
Manhãs Milagrosas, Hal Elrod
A Pura Inscrição do Amor, Nuno Júdice
Mirror Mirror, Cara Delivingne
Mulheres, Carol Rossetti
Atos Humanos, Han Kang
36 Perguntas que me Fizeram Gostar de Ti, Vicki Grant
Viva a tua Luz, Inês Pimentel
Tudo é Possível, Elizabeth Strout
Ensina-me a voar sobre os telhados, João Tordo

Um bebé que Fez uma Birra, Rui Zink

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TUDO É POSSÍVEL | ELIZABETH STROUT

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Não sendo uma continuação, acaba por fazer parte de uma série ligada à protagonista do primeiro livro. E ao contrário de outras opiniões, não sendo obrigatório, acho necessário ler o primeiro.  “Tudo é Possível”, é a reunião de nove histórias, estão todas ligadas, de forma direta ou indireta, a Lucia Barton.

 

Lucia Barton é a protagonista do primeiro livro de Elizabeth Strout, “O meu nome é Lucia Barton”. Livro que eu amei e passei a recomendar a (quase) toda a gente. Em relação a este, estava com expetativas um bocado elevadas, mas apesar da história ser completamente diferente do que esperava, foi uma boa surpresa.

 

Numa das histórias, um homem recorda o momento em que abraça o corpo frágil da Lucia, assim como a história sofrida da família desta. Ao contrário do que esperam dela, Lucia ultrapassou os momentos difíceis. Será alguma réstia de esperança num meio tão pequeno? Lucia é uma escritora respeitada, lançou um romance e vai regressar à terra natal para o lançamento. Terá de enfrentar o passado e lidar com palavras duras, reprimidas por muito tempo vindas de quem menos espera. Atacamos quem admiramos por sermos mais exigentes? Ou não sabemos lidar com o sucesso dos outros?

 

Uma luta constante entre o presente e as lembranças do passado. Momentos mais intensos do que outros. A nossa experiência é inconstante, mas tem o mesmo ritmo melancólico do início ao fim. As personagens têm uma voz própria, isso agradou-me bastante. Não há como ficar perdido neste emaranhado de emoções. A escrita da Elizabeth Strout é tão poderosa que consegue dar vida a histórias que ficaram comigo depois de finalizada a leitura.

 

Não sendo um romance com uma estrutura linear e características comuns do romance tradicional pode causar algum estranhamento para os menos habituados. Eu adoro livros impactantes, daqueles em que o silêncio e a ausência fala mais do que os diálogos e as descrições. Elizabeth Strout é uma escritora que pretendo acompanhar, mais uma vez não defraudou as minhas expectativas e o encanto da sua escrita só tem tendência a melhorar. Que livro maravilhoso.

 

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