Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

amulherqueamalivros

Ter | 17.04.18

BANGLADESH, TALVEZ E OUTRAS HISTÓRIAS | ERIC NEPOMUCENO

Cláudia Oliveira

InstaFit_20180409_14180892.jpg

 

Bangladesh, talvez e outras Histórias é um livro de contos do brasileiro Eric Nepomuceno lançado este ano pela Porto Editora durante o Correntes d'Escritas.

 

São histórias sobre o comum, de fácil empatia e alguma comoção. Os finais são em aberto, deixando o destino das personagens entregues ao leitor. Não são histórias muito conclusivas, mas foi exatamente isso que me fascinou. A responsabilidade fica do nosso lado, a imaginação faz o resto do trabalho. 

 

Uma das histórias mais marcantes é um dos contos mais curto. O autor consegue de forma muito conscisa colocar várias emoções. O meu conto preferido chama-se História de pai e Filho, foi o que mais me comoveu. A lágrima ao canto do olho apareceu. O filho é levado pelo pai durante várias tardes para almoçar num restaurante, mas é sempre interrompido por amigos e conhecidos. Um dia, chateado, o filho decide que não quer ir mais almoçar àquele restaurante. Acaba por ir contrariado. O que acontece depois irá marca-los para o resto das suas vidas. 

 

A corrida contra o tempo, as memórias de infância, as histórias que nos fazem sorrir ou chorar. Os putos curiosos espreitam a vizinha pela janela, os homens crescidos com as suas fragilidades durante a conquista. São momentos que nos intensificam os dias. A felicidade ali, presente, e nunca descansamos em procurar por ela. 

 

Gostei bastante. Confesso que a força dos primeiros contos foi superior à força dos últimos. Prefiro os mais curtos e intensos. O autor não subestima a nossa inteligência em momento algum, não explica. Adoro quando é assim. Recomendo, fiquei muito contente por conhecer mais um autor brasileiro.

 

Histórias curtas para quem quer usufrir do prazer da leitura de sorriso na cara. 

Dom | 15.04.18

ENTRE A REVOLTA E A DESCOBERTA

Cláudia Oliveira

IMG_20180124_150816.png

 

 

Vamos para mais uma edição do Leitores em Viagem. Um cantinho onde falo brevemente sobre os lugares que visitei. No último mês, tive a oportunidade de conhecer lugares interessantes e surpreender-me (alguns pela positiva, outros nem tanto). Escolhi quatro. Há espaços para todos os gostos. Leitores curiosos, divertidos, mini leitores e apreciadores de um bom café. 

 

InstaFit_20180415_16045915.jpg

 

 

Verde Amarelo, Costa da Caparica

Quando fui passear à Margem Sul fui almoçar ao Verde Amarelo. É um lugar que serve pizzas, comida italiana, sushi, fast food. Eu adoro as pizzas deles e o espaço é agradável. Costumo lá ir algumas vezes. Aliás, sempre que vou à Costa da Caparica almoço por lá. Nunca experimentei o sushi, mas tem tão bom aspeto. Fica junto à praia, a equipa é rápida e apesar de não serem os reis da simpatia, eu volto sempre. Acho que na próxima visita experimento outro lugar. A esplanada é gigante, em dias de calor é ótimo para um sumo natural e um livro divertido.

 

InstaFit_20180415_16065038.jpg

 

Arco Íris, Avenida da Liberdade

O espaço não é bonito, nem acolhedor. Mas os preços e a comida superam isso. Só de me lembrar das bolinhas de lentilhas fico com água na boca. A simpatia das funcionárias é contagiosa e fiquei com vontade de voltar para experimentar novos pratos. Não é um cantinho muito propício para ler um livro, as cadeiras são rijas, mas se queres comida vegetariana e vegana, este lugar merece uma visita. Leitores curiosos este é o vosso spot. Provam pratos diferentes e podem ler um livro sem muita confusão.

 

The Juice, Chiado

A ideia era ir a outro lugar comer um brunch, mas infelizmente tínhamos de esperar 40 minutos. No way. A barriga estava a roncar e precisamos urgentemente de outro lugar. De frente, estava o The Juice. 15 euros, um brunch bem recheado, com um espaço mega instagram. No entanto, a comida é toda do supermercado. Esqueçam. Como fiquei perto da cozinha vi tudo. Fiquei cheia? Fiquei. Fiquei satisfeita? Não fiquei. Éramos três pessoas numa mesa redonda pequena. Falavam comigo em inglês e metade em português, sendo que eram portugueses. Não me deram fatura com contribuinte porque “a conta já estava fechada”, quando pedi antes de estar fechada. No entanto, têm bebidas da marca mais famosa, sempre podem lá ir para ler o jornal e beber um cafézinho. Eu não regresso. Não encontro nada sobre este lugar na internet. Nem tirei fotos. Estava revoltada.

 

InstaFit_20180415_16060016.jpg

 

Gelataria Italiana, Costa da Caparica

Estava a chover neste dia, mas isso não é impedimento para comer um gelado. Pois não? Eu cá adoro gelados em dias de chuva. Dá aquele toque alegre nos dias melancólicos. A gelataria italiana tem sabores diversos, mas os gelados não são extraordinários. O espaço é confortável e espaçoso. Têm muita oferta, com nutella e tal, mas não fiquei a babar. Ideal para entreter os miúdos com uma história infantil entre duas ou três colheres de gelado.

 

 goodreads twitter instagram facebook 

Sab | 14.04.18

HISTÓRIAS DE ADORMECER PARA RAPARIGAS REBELDES 2 | FRANCESCA CAVALLO E ELENA FAVALLI

Cláudia Oliveira

InstaFit_20180409_11502659.jpg

Numa edição primorosa, por ordem alfabética, este livro contém 50 extraordinárias ilustradoras que dão vida a mulheres igualmente fantásticas. Um trabalho de duas italianas, a Francesca e Elena, que já conta mais de trinta traduções. Se livros sobre mulheres estiveram na moda, e for um motivo para mais trabalhos criativos de mulheres serem divulgados, só pode ser uma boa motivação. Obrigada à Nuvem da Tinta por ter editado este livro em Portugal. 

 

Não desfazendo das outras histórias, houve uma que me fez pesquisar mais e ficou gravada na minha memória. Fiquei realmente impressionada com a coragem dela e como foi importante a sua atitude. Falo da Ruby, a primeira menina negra com seis anos que entrou  para uma escola com apenas crianças brancas. A forma como ela e a sua família combateram o racismo entranhado no sistema é de arrepiar, Existe um filme sobre ela no Youtube. Fui à procura de mais informações e encontrei várias coisas. Hoje ela é uma ativista dos direitos humanos. Mulher de garra. 

 

Já conhecia algumas, JK Rownling, Opray, Beyoncé, Ellen Degeneres, entre outras.  Mas a maioria são mulheres pouco populares que participaram fortemente para a mudança e seguiram a premissa de que podem ser quem quiserem. É essa a grande mensagem deste livro. É interessante ver que são mulheres de todo o mundo, com realidades tão diferentes, empenhadas em transmitir uma mensagem. Este livro mostra que ainda temos muito trabalho pela frente na mudança de pensamentos. A luta continua.

 

Estes livros são necessários na vida das crianças que serão os adultos de amanhã. Recomendo muito. Mensagens fortes numa edição cativante que prima pela qualidade do trabalho de várias mulheres. É um livro necessário nas estantes, nas bibliotecas e escolas. 

 

goodreads twitter instagram facebook 

 

Sex | 13.04.18

RESPONDI ÀS VOSSAS PERGUNTAS

Cláudia Oliveira

 

 

Neste vídeo eu respondo a algumas perguntas que me colocam regularmente. Espero que seja útil.

 

Perguntas:

1- Como surgiu o teu gosto pela literatura?
2- Os teus gostos literários mudaram ao longo da tua vida?
3- Como foi a tua adolescência enquanto leitora?
4- Quais os programas que utilizas para editar os vídeos? Sony Vegas e Movie Maker
5- Quanto tempo levas a ler?
6- Tens alguma técnica de leitura rápida?

 

goodreads twitter instagram facebook 

 

Qua | 11.04.18

COMO É QUE EU LEIO TANTO COM DUAS CRIANÇAS PEQUENAS?

Cláudia Oliveira

InstaFit_20180411_13201288.jpg

 

A pergunta que mais me fazem é “como é que fazes para ler tanto com duas crianças?, ou “que raio de mãe és tu que passas tanto tempo a ler e não dás atenção aos teus filhos”? Hoje resolvi resumir tudo e escrever este texto para vos contar os meus segredos. Como é que eu faço para continuar a ler, respirar e ainda ter duas crianças ao meu cargo? É possível. Levem isto para a vida. Quando há vontade, há manobras.

 

Como fazes para ler tanto?

O dia tem 24 horas. Eu trabalho das oito às cinco. Menos oito horas. No entanto, durante a minha pausa de dez minutos do pequeno almoço costumo ler umas páginas. Leio sempre antes de dormir todos os dias. Normalmente das 22h às 23h, se o livro estiver muito bom ou se estiver quase a terminar avanço até ao fim. Tenho acordado às seis e leio vinte minutos. Durante o fim de semana, após o mais importante, durante algumas viagens mais longas ou pausas para relaxar durante as sestas ou brincadeiras deles leio algumas páginas. Quando não tenho aulas, leio um pouco antes dos miúdos chegarem do infantário e faço o jantar. Portanto, dedico meia hora no mínimo todos os dias à leitura. No mínimo. Todos os dias. É assim que eu faço. Eu não prescindo deste momento só meu. Sê inteira, diz Chimamanda. Concordo totalmente.

 

E quando eles eram mais pequeninos?

Durante a tarde ia ao jardim com eles ou a uma esplanada e levava um livro. Quando não tinha companhia, lia durante a sesta. Fazia isso várias vezes. Aproveitei bem o tempo que estive em casa. Que saudades!

 

O Gustavo sempre quis mais atenção que a Francisca, praticava fazia tudo com ele no sling. Não podia estar sozinho, chorava imenso. Lia no Kobo com a luz apagada um bocadinho antes de adormecer. Sempre fui muito ansiosa, não conseguia dormir no período das sestas dele à espera que acordasse para voltar a mamar. Com a Francisca, tornei-me uma mãe mais prática e relaxada. Fazia os mesmos passeios, mas ela era menos chorona, ajudou imenso. Nunca prescindi do tempo dedicado aos meus filhos, mas também nunca abandonei as minhas necessidades como dormir e cuidar de mim. Se tiveres ajuda de familiares, melhor! Pede, sem medos.

 

No fundo, a maior dica que posso dar é, perguntarem-se: porque quero ler com um bebé pequeno? Porque precisas de manter o ritmo de leitura na fase em que o teu filho ainda é bebé? A motivação tem de ser poderosa de forma a colocares no topo das tuas prioridades.

 

Para mim, a leitura está ligada ao meu desenvolvimento pessoal que por sua vez está ligada ao meu bem-estar emocional. Obviamente que passei por várias fases, lembro-me de ter lido um livro durante o mês nessa fase. Mas li tanto durante a gravidez e as malditas insónias.  Quando estão doentes, as dicas não valem nada. Se passar dias sem ler, está tudo bem. Não vou martirizar-me por isso. E lamento, não somos menos mães do que as mulheres que só se dedicam aos filhos e não fazem mais nada. Não somos menos mães porque não cozinhamos, limpamos, tratamos de tudo. Não somos menos mães se for o nosso marido a dar banhos, e vamos estudar. O pai tem a mesma responsabilidade. E se não tiver o mesmo jeito, está tudo bem!

 

A maternidade por mais bonita que seja, por mais importante que os meus filhos sejam, acho essencial estar bem, para eles estarem bem. A maternidade somente não chega para me deixar realizada. Assim como para o marido. Somos seres individuais com necessidades igualmente individuais. Não me resumo ao papel de mãe, sou outras mil coisas.

 

Nunca tive ajudas de ninguém para tratar dos meus filhos. Sempre fui eu e o meu marido a tratar dos dois. E sabem aquela equipa fantástica? Somos nós. O meu marido é peça importante, tal como eu, para tudo o que se passa nesta família. Não há ajudas, há cooperação. Muita coisa ficou de lado, mudou naturalmente. Claro que temos de fazer alguma ginástica. Temos de ceder muitas vezes. E está tudo bem!

 

E agora, quais são os segredos?

Sou organizada, não perco muito tempo na cozinha todos os dias, nem nos supermercados, nem a fazer quase nada. Como? Nos supermercados vou em períodos menos caóticos, final do dia, uma hora antes de fecharem. Preparo uma ementa quase semanal do que vou comer na semana seguinte. Nesse sempre. Faço receitas simples e fáceis. As mais complicadas ficam para os dias mais folgados. A casa é organizada ao longo da semana, no sábado gosto de fazer as limpezas maiores de manhã. Leio, priorizo a leitura, amo ler e coloco à frente de várias outras coisas. Eles brincam imenso, já querem o seu espaço, ficam mais tempo focados em tarefas. Eu sou prática, não complico. Fui aprendendo. Faço o que tiver de fazer com os dois. Não levo o mundo atrás quando saímos de casa. A casa, às vezes, está uma confusão e não stresso com isso. A casa é para viver. Outra coisa, não sou uma pessoa preguiçosa, sou metódica, e tenho um ritmo ligeiramente acelerado. E seria incapaz de passar os meus dias a lamentar sem fazer nada para mudar. Sou daquele tipo de pessoa que confrontada com problemas, procuro soluções. Se calhar, vou esquecer-me de algumas dicas, mas espero que estas sejam úteis na medida do possível.

 

Vamos ser práticos

Vamos ao lado prático das coisas. Com bebé ou sem bebé. Um dia tem vinte e quatro horas, menos dezasseis (oito para trabalhar, oito para dormir) sobram oito. Oito menos uma hora para necessidades básicas como comer, tomar banho, etc… sobram sete. Sete menos três horas que passo no curso sobram quatro. Ui, quatro horas, tratar dos miúdos, brincar, arrumar, lavar,… sendo duas horas, ainda me sobram duas horas. E o que eu faço com elas? Dedico-me às minhas metas pessoais, leio e escrevo. Às vezes, não faço nada, estou na internet, vejo imensos vídeos no YouTube, vejo séries, vou ao cinema, janto fora. Coisas de humano.

 

Gente, o tempo é igual para toda a gente. O meu dia não tem mais horas do que o vosso. Façam um diário do vosso dia, vejam quanto tempo gastam com certas atividades, vejam quanto tempo perdem na internet ou a ver televisão. Não deixem o mais importante para terceiro plano. Eu aprendi que o mais importante deve ser feito primeiro. Aposto que depois do diário de atividades vão descobrir maravilhas e encontrar meia hora para ler. Se o quiserem, realmente.

 

O desafio que eu lanço é: realiza um diário de atividades por três ou cinco dias. Se quiserem saber como fazer podemos falar melhor sobre isso num vídeo, o que acham?