“A ILHA DAS QUATRO ESTAÇÕES” | MARTA COELHO

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Antes de avaliar um livro tenho em consideração o público alvo. Este livro é para adolescentes e muito distante das minhas escolhas habituais. No entanto, recebi o livro do Clube do Autor e fiquei curiosa com o título e a promessa de uma aventura com sabor a verão. “Aqui não são permitidos telemóveis, computadores, nem tablets. Só resta viver.”, anuncia a capa sobre esta ilha misteriosa. 

 

Através dos capítulos intercalados conhecemos dois pontos de vista, da Cat e do Santi. Ambos vão para a ilha para embarcar numa mudança e aventura por motivos muito distintos. Assim que se conhecem sentem uma enorme empatia e acabam por criar uma ligação. A história tem ritmo, devido à forma como a autora Marta Coelho decidiu contar a história. Conhecemos mais adolescentes e juntamente com os protagonistas conhecemos as suas motivações, segredos e dramas.

 

Infelizmente o ambiente ficou para segundo plano e foi mal aproveitado. Uma ilha com câmaras, adolescentes, quatro estações do ano. Panorama perfeito para um livro cheio de pormenores e camadas. Havia tanto para desenvolver e explorar. Os romances e as ligações entre as personagens têm mais destaque. Tive a sensação que o pano de fundo não fez grande diferença nos acontecimentos e até considero que algumas situações foram muito incoerentes. 

 

O ponto forte são os  diversos temas abordados: amizade, família, depressão, relações abusivas, entre outros.  Assuntos reais que precisam estar nos livros dos adolescentes como uma chamada de atenção. Os protagonistas são muito lineares o que dificultou a minha envolvência nesta história. Precisavam de mais camadas, defeitos, profundidade como os seus dramas. Lamentavelmente tive dificuldade para terminar o livro e emocionar-me.

 

Marta Coelho foi guionista da série Morangos Com Açúcar, é notória essa faceta da escritora nos constantes diálogos criados na maioria dos capítulos para desenvolver o enredo. É de louvar uma editora apostar neste género literário direccionado ao público mais novo e ganharmos assim uma nova voz dentro da literatura juvenil portuguesa. 

 

Não fiquei convencida. Ficou muito aquém dos livros que já li para o mesmo público alvo. 

 

(livro cedido pelo Clube do Autor)

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6 comentários

  1. É muito interessante ouvir outras opiniões diferentes da minha 😀
    Fiquei tão “embasbacada” com o final e com as reviravoltas que estavam a acontecer com as personagens que acabei por não dar tanta atenção ao mundo em si eheh , beijinhos

  2. Sou mãe e um adolescente que não se deixa impressionar por qualquer livro. Tem 15 anos. Ele leu o livro da Marta Coelho e gostou imenso. Sentiu que os conflitos que as personagens viviam eram interessantes, identificou-se com personagens. O livro, desde então, tem andado a circular entre os colegas de turma. Tudo adolescentes que gostam de ler e que têm critério nas escolhas literárias que fazem. Que não viram os Morangos com Açúcar. O meu filho apresentou o livro na escola e a apresentação que fez cativou tanto os colegas que, durante meses, o livro não voltou a casa. Passou pelas mãos de vários, andou por aí a ser lido. Chegou agora, no início das férias. Acho que o que cativa os adolescentes é o pensamento das personagens, o seu mundo interior. Não é fácil conquistar os adolescentes e a Marta conseguiu atingir esse objetivo. Outro aspeto na escrita da Marta, que tem a ver com a própria autora, é a bondade das personagens. A forma como, através da bondade, conseguem ir resolvendo as dificuldades e sofrimento que enfrentam. Penso que é apressado considerar que o livro ou as personagens não têm camadas. Elas estão lá, mas são subtis. É verdade que a bondade não está na moda, mas, nos tempos que vivemos, conquistar adolescentes exigentes com uma história que vive do pensamento/mundo interior das suas personagens e da sua bondade, é algo precioso. Se calhar valia a pena pensar sobre isso…

  3. Também sou mãe e tenho irmãos adolescentes, eles leram o livro e não acharam nada de especial. Obrigada pela sua opinião, mas já li livros para adolescentes que me fizeram pensar mais e com uma narrativa mais interessante.

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