“A Outra Metade de Mim” | Affinity Konor

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 Este livro desfez o meu coração em mil pétalas. 

 

Contado na primeira pessoa pela gémea Stasha, uma menina com muita imaginação, descreve horrores vividos em Auschwitz pela visão ingénua de uma criança. A sua irmã Pearl é metade de si. A ligação entre as duas é forte e inquebrável. Estariam juntas para o pior. Depois da mãe partir, ambas são deixadas ao cuidado de um homem vestido de branco para vários testes e experiências. Diz que Auschwitz tinha um lugar especial para os gémeos e que eles eram muito preciosos. 

 

Este livro deixou-me boquiaberta com a capacidade da escritora californiana em transmitir com delicadeza as atrocidades que as crianças passavam no campo de concentração durante a segunda guerra mundial. Reli algumas passagens de tão belas e cruéis. 

 

“…Porque devíamos ter visto os que amávamos desaparecerem, devíamos ter podido vê-los deixarem-nos, devíamos esquecer o momento exacto da perda. Se ao menos tivéssemos visto as suas caras voltarem-se, um olhar breve, a curva de uma face! Uma cara a voltar-se…nunca nos dariam tal coisa…”

 

Stasha acreditava ser a guardiã do tempo e da memória. Queria registar todos os seus dias. Ela vê a sua vida mudar quando acontece o pior com a sua irmã. Enquanto a imaginação a ajuda a salvar-se no meio do inferno, ela buscar acreditar e vive no seu mundo de esperança e papoilas. As papoilas são flores importantes para a Stasha. Não vos revelo o motivo. Acreditem que a capa foi muito bem escolhida. 

 

A maldade da humanidade está descrita nesta história. O pior que o ser humano consegue fazer aos da sua espécie quando não aceitam as diferenças. O mal não nos torna mais fortes, pelo contrário. “É um erro popular”. É um livro triste, cheio de morte. Fiquei várias vezes envolvida pela melancolia das palavras. O meu pensamento não deixava estas crianças quando pousava o livro. 

 

É um dos livros sobre o Holocausto mais difíceis de ler. Pela crueldade e pela lentidão dos acontecimentos. Misturar as duas características fez desta experiência de leitura profunda e intensa. Não é um livro para agradar a todos. De certo, não agrada à maioria. Eu fiquei fascinada.

 

Fiz várias marcações, reli passagens e a história ainda está em mim. Claro que recomendo. De preferência, leiam devagar. 

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4 comentários

  1. O Holocausto e a Segunda Guerra Mundial são temas que me despertam bastante curiosidade embora, habitualmente, não me debruce muito sobre eles.
    Em parte penso que isso se deve ao facto de haver uma carga emocional extremamente forte e que mexe muito com qualquer ser humano.
    No entanto, a obra pareceu-me bastante interessante até porque acaba por ser contada de uma forma algo diferente.

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