Sem medos, faço 35 anos. Festejei sempre o meu aniversário com um sorriso largo, e hoje não é exceção. Com uma ligeira borboleta esvoaçante no estômago. Coloco-me a pensar na vida, no que tenho e deixo o passado no lugar dele. Acho que deixei de pegar em lembranças e espremê-las até doer. E sem precisar de palmadinhas nas costas, como tenho precisado quase sempre, sei ser minha amiga mais do que nos anos anteriores. É o poder de conhecer o meu valor. Não sei se foi o facto de ter dado à luz duas meninas gémeas e ter formado uma família incrível de 4 pessoas pequeninas, mas acredito que depois disto sou mais forte e incrível. A maternidade não me mudou, mas eu mudei pela maternidade. Flexibilidade.

A moça apaixonada pela escrita continua a estar presente. E mesmo sabendo que não sou nenhum talento, as palavras são o meu mais profundo amor. E por isso, escrever é o maior presente que posso oferecer a mim mesma. Um quarto só para escrever. E apesar da confiança referente à minha imagem, vida, coração e assuntos arrumados ainda existem coisas que me deixam insegura. Como isto de ler pessoas maravilhosas e não acreditar tanto em mim como eles acreditam neles. Como costumo dizer, repetiram tanto as mentiras sobre mim que eu passei a acreditar e deixei de saber a minha verdade. Não mais. Eu sei, isso basta. Coragem.

Com o tempo ganhei o direito às minhas escolhas sem sufoco. Sem fazer fretes para sermos todos uma família fingida de amiguinhos da internet. Escolho com quem quero privar, manter conversas e a quem me entrego com absoluto conforto. Não tenho esófago para velhinhas dos gigabytes. Antes fazia tudo para manter a educada e paciente que há em mim. Agora só tenho paciência para a educada. Juízo.

E isto de ter mais idade, mas menos peso nas costas referente a balelas é outra conversa.  E eu lá imaginei que podia ser assim. Podemos estar a caminhar numa passadeira de gelo, enfrentando o gelo e os ecos da sombra, escapando entre os pingos cortantes e seguir sempre de mão dada com o amor. Firmeza.

Obrigada <3