“CAFÉ AMARGO” | SIMONETTA AGNELLO HORNBY (texto + vídeo)

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“Café Amargo” é uma saga familiar passada na Sicília nos finais do século XIX e inicio do século XX. Atravessa períodos históricos importantes como a entrada da Itália para a segunda guerra mundial. Este livro é muito rico em informações sobre o contexto político e social, é um prato cheio para os amantes do romance histórico. É uma leitura muito agradável, as páginas voam e somos levemente transportados para o ambiente siciliano. 

 

A histórica vai focar-se na história de Maria. Acompanhamos a sua vida desde o momento em que o Pietro se apaixona perdidamente por ela, a pede em casamento, até à fase adulta. Maria é uma mulher com vontade de aprender a ler e escrever e adora música. Paixões que não quer abrir mão após o casamento. Entre outras condições que anuncia antes de aceitar o pedido. 

 

Não sendo eu uma grande apreciadora do género fiquei presa ao enredo e acabei por ligar-me às personagens. Confesso que não gostei de algumas escolhas da protagonista, nem adorei o romance central. Não posso revelar detalhes para não escapar informações fulcrais sobre o desenvolvimento do enredo. É tão bom quando somos surpreendidos, não é? O meu interesse foi de facto o contexto político-social e toda a informação que absorvi. Desde o papel da mulher dentro e fora de casa, assim como a maternidade, temas com uma abordagem histórica interessante e pouco maçuda. No entanto, bem explorados, na quantidade certa. 

 

Fiquei ligeiramente triste porque a personagem mais interessante aparece três vezes no máximo. A primeira cena é tão maravilhosa que fiquei a desejar por mais. É uma mulher louca, internada num hospício. Gostaria de ter lido mais sobre ela. Em relação às restantes personagens, consegui imaginar cada uma. São personagens com caracteristicas muito realistas, palpaveis. A Maria tem defeitos e qualidades, o que a torna mais próximas dos leitores. Tem sonhos que considero importantes e pouco comuns para mulheres na sua posição. 

 

“Haveria de criar uma escola onde os serviçais pudessem estudar. A começar pelos da sua própria casa. Sim, aquela era a sua missão: ensinar os adultos a ler e a escrever.”

 

Ao longo da vida, em silêncio, bebemos alguns cafés amargos com a certeza de um dia adoçarmos a amargura dos momentos. Nem sempre quem está calado, aceita. Nem sempre quem aceita pretende continuar a aceitar o resto da vida. É um livro para saborear de duas formas. De um só trago, como um café amargo ou devagar, se gosta de um bom café quente. 

 

Recomendo. 

 

(livro cedido pela editora)

 

 

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