Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

amulherqueamalivros

Qua | 03.10.18

CHEGA! NÃO FAÇO MAIS

Cláudia Oliveira

 

IMG_20181003_162248.jpg

 

 

Quanto mais uso as redes sociais mais percebo alguns comportamentos que me aborrecem, obrigam-me a um leve revirar de olhos. Esta lista é uma espécie de desabafo. Vou partilhar convosco o que já não faço mais nas minhas redes sociais (blog, instagram, facebook e twitter). Acho que ficou longo, mas quando começo a falar destas coisas é difícil calar-me. Sorry. Havia mais, mas fica para outro dia. Quem sabe alguns dos assuntos sirvam de mote para outras discussões e inspirações. 

 

Não indicar o colega

É aquela coisa fundamental para conviver em comunidade. Ajudar os outros bloggers a crescer e até motivar. É difícil ser original nos tempos que correm. Parece que está tudo inventado, mas não está. O cunho pessoal de determinada pessoa transforma tudo, mas algumas ideias são inspirações de terceiros. Se segues descaradamente, dá para perceber. Já me aconteceu por várias vezes fazerem isso comigo. Por ter um canal mais pequeno, por ser menos conhecida que A ou B, mas o meu orgulho mantém-me calada por saber que aquela ideia é minha. A pessoa diz a primeira vez, depois nunca mais menciona o meu nome e acaba por parecer que a ideia é dela. Tá bem. O projeto Ler Saramago já foi plagiado (sem nenhuma referência ao meu), 12 Livros e 12 Receitas também, Ler os Nossos várias vezes (só muda o nome), entre outros. Não causa mal na humanidade, mas incomoda. 

 

 Não ter cuidado

Uma vez, há muito tempo, quando um escritor morreu (não me lembro quem foi), escrevi um post com uma biografia dele e coloquei no blog, na ânsia de ser a primeira a dar a tal notícia. Não tive o cuidado de verificar os créditos. Acabei por plagiar um blog que eu gosto muito, ao pensar que a autora do blog tinha retirado de um site de notícias qualquer. Engano o meu, ela tinha criado aquele conteúdo e eu simplesmente fiz copy paste. Ela comentou na altura e eu retirei o post. Claro que aprendi a lição e hoje tenho o dobro do cuidado quando transcrevo algo, faço link ou indico. Atualmente trocamos algumas palavras, até já estivemos juntas num evento e parece que está tudo esclarecido. Às vezes, a pressa é muito inimiga. 

 

Ler blogues ou ver canais cujo as pessoas me incomodam

Não dá, não dá. Pode ser o vídeo mais polémico de todos, o texto mais destacado de sempre. Até podem vir perguntar se eu já vi o tal vídeo porque falam em mim ou porque o tema vale a pena ver, não sou curiosa ao ponto de ir ler ou ver. É como aqueles ex namorados que vão ver as fotos das ex namoradas diariamente. Ou andar a cuscar as fotos da ex melhor amiga. Nunca na minha vida fiz isso. E até acho estranho. Conheço casos reais em que as pessoas fazem destes gestos o prato do dia. Até criam perfis falsos. Juro! Quando acabou, acabou de vez. Admito que sou muito curiosa em relação a outras coisas, mas nestes casos não sinto o mínimo interesse em espreitar. 

 

 Tagar nas minhas fotos tudo o que mexe e mostrar mil prints

 Não sei com vocês, mas sinto alguma pressão vinda deste ar quente do outono, para andar sempre a tagar tudo o que mexe nas minhas fotos do instagram. As pessoas cada vez mais valorizam as arrobas no instagram e isso dá-me calor. Ou isso, ou partilhar fotos com conversas privadas com a tal referência. Parece que é obrigatório ou muito mais amigável se divulgares o vizinho. Imaginem, eu recebo fotos de leitores com um livro que acabaram de comprar por causa de mim ou recebo um elogio, segundo o comportamento de outras instagrammers sou muito mais querida se divulgar isso. E ainda indicar a pessoa em causa. Opah, não é assim. Primeiro porque acho uma patetice andar sempre a colocar prints das conversas privadas ou a mostrar quem compra livros por causa das minhas indicações. Isso deve ser orgânico, simples e eu não ganho nenhuma taça por me estar a vangloriar em frente das editoras ou dos outros. 

 

Opiniões de todos os livros

Pois é, não faço opiniões de todos os livros que eu leio. "Ah mas se é de parceria tens de fazer". Não tenho. Não sou paga para escrever sobre tudo o que leio. Eu escrevo aquilo que eu sinto ser útil. Como também não fazia vídeos sobre tudo o que lia. Escrevo sobre o que me apetece porque não tenho um patrão a dizer-me o que tenho de fazer com determinado livro. Continuo a divulgar muito os livros recebidos (mais do que uma simples opinião que muitas vezes ninguém lê/vê). Toda a gente sabe que as opiniões são os conteúdos menos apreciados. Basta fazer um inquérito. A maioria não quer spoilers, etc. Não digo que aconteça com todos os livros (há verdadeiras excepções, é preciso perceber o que os leitores querem), mas a verdade é essa. Prefiro dar corda à criatividade e fazer conteúdo que desperte mais curiosidade nos outros, do que fazer o que se andou a fazer estes anos todos. Os tempos mudaram. Eu não faço conteúdo só para outros bloggers ou booktubers, eu quero incentivar quem não lê a ler, ou quem lê pouco a ler mais. Eu não faço isto para agradar editoras e ter mais parcerias, faço porque continua a dar-me um gozo tremendo escrever no meu blog, partilhar e trocar ideias. E também porque gosto muito de redes sociais, a forma mais fácil de comunicar com as pessoas que estão longe e não podem vir a minha casa lanchar. 

 

Perfil público

Partilho coisas da minha vida que não quero partilhar com toda a gente. Também não partilho muita coisa porque não quero partilhar. Desta forma, bloqueei várias pessoas ou ignorei os vários pedidos de perfis (alguns falsos) na minha conta do Instagram. Também não tenho de contar a minha vida a toda a gente. E o facto de conhecer alguém não faz dessa pessoa minha amiga. Recebi mensagens desagradáveis a pedirem-me justificações ou com perguntas inconvenientes sobre a minha vida pessoal. Sem um "olá, tudo bem?". Aliás, houve uma pessoa que me disse com todas as letras "acabou-se a nossa amizade" porque não quis falar sobre o momento que eu estava a viver. Amizade? Se a pessoa não te conta, se és bloqueada, o mínimo que podes fazer pelo teu amor próprio é encaixares a ideia. Eu sei quem são as pessoas do bem, eu sinto quem me quer bem, não preciso de ser amiga de toda a gente. Não quero ganhar nenhuma taça.

9 comentários

Comentar post