Ao longo dos anos recebo comentários de vários níveis, gosto e educação. O Bookstagram não é o nicho que mais recebe ódio, mas de vez em quando aparece. Não acreditas? Nem eu, mas a verdade é que as pessoas ainda discutem ou espalham a sua raiva quando batem de frente com uma opinião diferente da sua. Acalmou nos últimos meses os comentários referentes a alguns livros publicados no blog mas às vezes ainda recebo um ou ouro comentário das minhas redes sociais com juízos de valor relativamente às minhas escolhas ou à forma como lido com as minhas leituras. As minhas escolhas, as minhas leituras.

Por alto, um dos piores comentários que recebi foi quando disse que não sentia empatia nenhuma por determina personagem e a pessoa disse que eu devia ser mais sensível e que de facto era impossível eu senti empatia pela personagem devido à minha personalidade beca beca, também já me disseram que não entendi determinada leitura porque não gostei. Como se fosse possível não gostar e entender. Adoram passar atestados de estupidez na internet, não é verdade?

Não podemos gostar todos do mesmo. Eu sei, e apesar de eu discordar quando alguém diz que opiniões não se discutem, na verdade eu acho que é exatamente isso que se discute. Mas sem falta de educação, sem ódio. Podemos ter opiniões diferentes, mas não podemos ir contra a lei, dizer que quem te chama a atenção e te faz ver que estás errada, está a espalhar o ódio. Temos de saber separar as duas coisas. Assumo que sabes a diferença.

Chega o início do ano, é ver a malta do Bookstagram fazer desafios e traçar objetivos. Cada um no seu quadrado, ao seu jeito. Uns querem ler 12, outros 50, e os da elite (expressão que eu trouxe da corrida de são silvestre) 100 ou 150. Tudo bem. Querem definir metas, muito bem. Querem contabilizar livros, força. Querem definir TBR (to be read/livros para ler), à vontade. Morre um Harry Potter quando alguém se mete na forma como os outros escolhem ler. Ou mandam aqueles palpites que estamos cansados de ouvir e nos fazem revirar as pestanas, torcer a boca e encolher os ombros até à ponta das orelhas.

Posto isto, tenho algumas expressões que a malta dos livros está cansada de ouvir. Eu estou cansada de ouvir, a verdade é essa. Estou só a generalizar porque acredito que mais gente se irá identificar. Ou isso, ou forever alone.

Nesta altura já perdi uns quantos seguidores do projeto, mas é preferível irem no início do ano antes de serem apanhados na curva daqui a uns meses. Sou uma mistura de muita ironia, arrogância (assumida por quem me lê porque não vê os meus olhos fofos enquanto escrevo) e pouca paciência. Entende quem me conhece pessoalmente e também nem acha muita graça. E eu também já nem me esforço para cair em graça na internet. Face to face é que nos conhecemos e entendemos.

 

COMENTÁRIOS QUE A MALTA DOS LIVROS ESTÁ FARTA DE OUVIR

 

“Não contabilizo livros, o que mais importante é o conteúdo”

Até me arrepiei. O conteúdo é sempre o mais importante para os leitores. Nem consigo colocar a hipótese de alguém andar a ler às pressas só para dizer que no final do ano que leu 75 livros. Ninguém quer saber o número de livros dos outros. E se não tem interesse no conteúdo só posso ter pena dessa pessoa, mas tanto faz. Ela é que sabe o que anda a fazer nesta vida louca.

“Não faço TBR, leio o que me apetece”

Nenhum leitor tem uma pistola apontada à cabeça para ler seja o que for. O mundo também não acaba se o leitor mudar a TBR. E dentro da sua TBR ela pode escolher exatamente aquilo que lhe apetece. Traçar um objetivo é só isso. Ninguém é obrigado a nada. Estamos entendidos? Obrigada.

“Não gostaste porque não entendeste a história”

Santa paciência para este comentário cheio de absolutas certezas e zero verdade. É vinho e água. É branco ou preto. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Nem preciso de explicar, né?!

“Lês tão rápido, assim não consegues refletir sobre o livro”

Quem é que conhece o ritmo de leitura dos outros? Ninguém. O meu ritmo de leitura não tem de ser o teu ritmo. Se as pessoas parassem de se comparar, deixavam de fazer estes comentários. Somos nós que decidimos se refletimos sobre o livro, quando, como e onde. É um direito de leitor.

“Não sei como é que alguém gosta desta/deste autora/livro, só alguém muito (coloca aqui uma ofensa gratuita)”

Não compreendes, mas tens de respeitar. Só isto. Adeus, um pão e um queijo.

“Definir leituras? Ah não! Deixar de comprar livros? Ah não! Comprar muitos livros? Ah não!“

Inserir emoji dos olhos revirados

 

Se tiveres muita vontade de dizer isto a alguém através de comentários atrás de um computador ou telemóvel respira fundo, e não o faças. Fica quietinha nessa vida pelo bem da sociedade. É exatamente isso que eu faço quando me apetece dizer “tens péssimo gosto literário” ou “só lês cagadas”, “normal que não tenhas gostado, só gostas de livros da treta” ou “não tens tempo para ler, mas tens tempo para estar sempre a ver o que eu publico na internet”. Pois, eu sei, tenho pensamentos parvos. Ridículos, até porque não devemos fazer juízos de valor. Mas podemos, na nossa cabeça podemos. Um bom ano, saúde.

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