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Qua | 26.09.18

ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA | Oreo, de Fran Ross

Cláudia Oliveira

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Editora Antígona

Lançamento Julho, 2016

 

Depois de passar pelo Paquistão, fui até aos Estados Unidos da América. Dei de caras com o romance da escritora afro americana Fran Ross através de um passeio pela internet. Tudo me chamou a atenção, o titulo, a sinopse, a capa e o facto de ser um título inusitado nas minhas escolhas. Não faltavam escolhas para dar como concluído este país. Este talvez seja o país com maior oferta. A minha estante está cheia de títulos modernos e clássicos de escritoras americanas. Oreo (1974), o único romance de Fran Ross foi a escolha da vez para o projeto Do Quarto para o Mundo.

 

Fran Ross(1935-1985) foi repórter da Saturday Evening Post, trabalhou em várias editoras nova-iorquinas nos anos 60, e colaborou com as revistas Essence e Titters - esta última caracterizada pelo seu humor feminista. Neste romance, a autora faz uma paralelismo entre a protagonista e  uma peça acerca de Teseu, na mitologia grega um herói ateniense. Oreo, como lhe chama a sua avó é a Christine, a heroína do romance. Vive em Filadélfia, é filha de mãe negra e pai judeu. "Oreo é uma versão moderna do mito de Teseu, um hilariante viagem de autodescoberta e, sobretudo, uma inteligente visão de estereótipos raciais e da construção da identidade americana": O enredo não é explicito, sabemos que Oreo parte em busca do pai judeu por terras nova-iorquinas. São relatadas as gerações dos avós e pais da Oreo até à sua adolescência. Famílias muito diferentes que se misturam entre a cultura pop dos anos 70 num retrato muito minucioso do que se passava nas mentes e casas daquelas gerações. 

 

Por ignorância não consegui entender todas as referências. A escrita muito característica da autora, a lembrar um romance pós moderno, entre diálogos imprevisíveis. dentro de uma estrutura pouco vulgar e nada linear. Títulos para os capítulos a desvendar as próximas peripécias, com uma ironia refinada, este livro foi uma experiência inigualável. 

 

"Neste livro não existe estado do tempo propriamente dito. Numa ou noutra ocasião, fazem-se vagas alusões às condições meteorológicas. O leitor deverá, ao longo da narrativa, imaginar o estado do tempo que mais lhe agradar. O Verão é  que faz mais sentido num livro desta extensão. Assim, não é preciso gastar páginas e páginas a descrever pessoas a despedir e a vestir o sobretudo."

 

O que se destaca é a ironia e a inteligência narrativa da Fran Ross. Não senti muita ligação com Oreo, apesar das respostas sempre na ponta da língua, da ingenuidade e rebeldia. Gostei imenso dos avós, do desfilar de momentos narrativos impressionantes. A originalidade e a forma como desenvolve o enredo é cativante. Não queria largar o livro, apesar de não me sentir completamente conectada.

 

Os Estados Unidos e a geração dos anos 60 está totalmente neste romance. É isso que eu quero sentir, sempre que escolher um país diferente, viajar no tempo e no espaço. Foi uma boa escolha, por trazer a realidade de um país gigante que define as pessoas pela sua cor de pele ou as suas escolhas religiosas. Onde é evidente as diferenças nas classes sociais e a forma como o país encara essas diferenças. 

 

"Imagina que o teu dentista é branco e imagina que ele nutre lá no íntimo, sem disso se aperceber, um ódio inconsciente aos negros, e imagina que ele está de mau humor quando lhe entras no consultório. Não poderá dar-se o caso de ele carregar na broca com um bocadinho de força a mais, de ele ir ligeiramente mais fundo do que seria indispensável?

 

Livro recomendado, para leitores que gostem de um livro desafiante.  Faltam 194 países 194 escritoras para concluir este projeto. Quais são as tuas escritoras americanas preferidas? Já conhecias este livro?

 

Fran Ross não tem mais romances, morreu antes de completar o segundo.

 

Três palavras para este livro:

- Racismo

- Ironia

- Cultura pop 

 

O próximo país será o país do meu marido, Angola. Consequentemente um dos que mais me atraem pela sua beleza e cultura. Pela temática e experiência de vida da escritora, espero que seja um bom romance para juntar a este leque que até ao momento não tenho razões de queixa. 

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