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Ter | 28.08.18

ESTOU VIVA, ESTOU VIVA, ESTOU VIVA | MAGGIE O'FARRELL

Cláudia Oliveira

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Nada me deixa mais feliz do que encontrar um escritora pelo qual me apaixono perdidamente. Ficar com as suas palavras na cabeça, a matutar, a matutar, com vontade de reler, de comprar tudo o que ela escreveu. Foi o caso recente da Maggie O'Farrell. Comprei o seu último livro por impulso, por causa de uma frase que eu li algures no site de vendas online, e foi uma leitura que me marcou bastante. Alguns livros encontram-nos. 

 

Primeiro, a proposta, a autora agarra em 17 experiências pessoais, onde conviveu de perto com a morte, e narra de forma visceral cada uma. É tudo muito visual, muito real. É como se ela me tivesse pegado ao colo e sentado ao seu lado ao longo de cada memória. Estamos juntas a assistir, de olhos esbugalhados e boca aberta (na maioria dos casos). Segundo, a forma como apresenta cada experiência com uma imagem e o ano, indicado qual será a parte do seu corpo afectada ou colocada em perigo. Terceiro, a escrita, meu deus, a escrita. É simples, a capacidade de agarrar nas palavras sem máscaras. Quarto, tudo. 

 

Não é um livro para agradar a toda a gente, mas em determinado momento o leitor vai sentir alguma conexão. É impossível não acontecer, porque as memórias dos outros, mexem com as nossas. Que mulher nunca foi abordada por um homem na rua, sem sentir o sexto sentido a alertar para o perigo? Que mulher nunca ultrapassou os seus limites e se viu envolta em problemas? Que mulher nunca apanhou profissionais pouco profissionais vendo o seu valor e palavras postas em causa? E as mulheres que perderam um filho, as suas vozes onde andam? E as mulheres que tiverem uma má experiência no parto, porque se calam? E a infância, quando é que percebemos que um dia vamos morrer? 

 

Se deixares passar este livro vais perder um grande livro, uma grande escritora. Este é capaz de ser o meu livro preferido de 2018. Dou por mim a pensar nele todos os dias, a querer escrever daquela forma e ainda a fazer listas das minhas experiências pessoais onde a morte me sussurrou aos ouvidos. Leiam, e se não gostarem, a culpa é vossa, deitados numa redoma de vidro sem pisar os perigos da vida. Viva à vida, estamos vivos!

 

O título pertence a um excerto do livro A Campânula de Vidro, de Sylvia Plath. Que me parece muito coerente. 

 

"Respirei fundo e ouvi o bater do meu coração

Estou viva, estou viva, estou viva"

 

Para além do que é dito, a autora tem várias mensagens para passar. Não são apenas histórias. Ora, espreita as entrelinhas, faz uma pausa entre cada texto. Não são apenas histórias. 

 

"Quando és criança ninguém te diz que vais morrer. Tens de descobrir isso por ti. Algumas pistas são: a tua mãe a chorar e depois a fingir que não estava a chorar; não deixarem os teus irmãos virem visitar-te; a expressão de preocupação, gravidade e um certo fascínio com que os médicos olham para ti; a maneira como as enfermeiras se esforçam por não te olharem nos olhos; familiares que vêm de muito longe para te verem."

 

"Cheguei a casa e limpei tudo da garagem: todos os cobertores de bebé, todos os cestinhos, todas as roupas de grávida foram despachadas para as lojas solidárias. Tinha tido um filho e não ia ter mais. "

 

"Não ser ouvida, não ter tida em conta, não ser considerada fidedigna a este ponto: não estava preparada para isso. Também me sentia indefesa, bloqueada."

 

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