HUNGRIA | A Porta, Magda Szabó

 

Editora Cavalo de Ferro

 

Lançamento Setembro 2017

 

 

 

Ainda não tinha terminado a leitura quando o livro entrou disparado para a lista de melhores leituras do ano. Colado ao primeiro lugar. É o que dá ser antecipada e despreocupada com isto dos lugares dos livros.

 

 

A Porta impactou-me tanto que não parei de falar nele enquanto fui lendo. O meu marido foi ouvindo e ficando curioso ao mesmo tempo que eu.

 

 

A narradora é uma escritora. Decido à sua vida atarefada, e com pouco espaço para afazeres domésticos, decide contratar uma empregada. Escolhe Emerence, uma senhora muito respeitada e discreta na sua forma de estar na vida, apesar da sua imponente presença. A história vai girar em torno desta empregada , e da relação que ambas têm. Ou não têm.

 

 

 

 

 

 

 

 

Emerence vive numa casa perto da casa dos patrões. Não deixa ninguém lá entrar. É proibido saber o que há por trás da porta. Daí o título. O que esconde? Também se sabe, desde o início, que a narradora é culpada pela morte dela. O que lhe fez? Que peso tão grande na consciência é este que a escritora carrega?

 

 

Este livro mexeu tanto comigo que me lançou num rio de perguntas sobre isto das relações, da verdade, da confiança. Sobre a mania dos outros acharem que sabem o que é melhor para nós, exigirem verdade por capricho. Também questionei sobre o que se baseiam as amizades, precisamos de contar tudo sobre nós? A confiança é baseada na entrega absoluta? Que espécie de pessoas somos nós se colocamos uma porta entre nós e o outro? Podemos ser duas ou três pessoas ao mesmo tempo? E no fim, o que sobra?

 

 

No fim, como leitora, tive de fazer o luto desta história. E acho que ainda vai levar uns bons anos. A Emerence é só a melhor personagem de sempre. Aquela que me parece mais real, me agarrou na cara e disse,  “Somos parecidas. Temos esta mania de salvar memórias e guardar segredos. A nossa forma de mostrar fidelidade é a forma como cuidamos dos outros. É assim que dizemos que amamos.” Uma mulher que me despertou sentimentos de pena, angústia, solidão e empatia. Adoro-a.

 

 

Fui apanhada de surpresa pela história, personagens e escrita. É aquele livro que tem os ingredientes todos para ser um livraço. Resta-lhe ter a sorte de apanhar um bom leitor. Bom, bondoso, que se deixe questionar enquanto se coloca no lugar das personagens.

 

 

Super recomendo. De olhos fechados. Um dos melhores livros lidos para o projeto Do Quarto para o Mundo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Faltam 185 países 185 escritoras para concluir este projecto.

 

 

 

 

Três palavras para este livro:

 

– Drama

 

– Fidelidade

 

– Impactante

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Para ver a lista completa dos livros para o projecto Do Quarto para o Mundo clica AQUI

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