Ninguém escreve sobre maternidade como Elena Ferrante. Foi exatamente esse talento inigualável que me conquistou à primeira. Posso dizer que já li tudo o que ela escreveu (excepto o conto infantil) e estou a sofrer por mais.

 

 

Recentemente foi para a televisão a adaptação da série Napolitana, um dos livros da minha vida com as personagens mais inesquecíveis da minha estante. Estou em ânsias para ver a série, para reler a obra, para sofrer tudo outra vez.

 

 

Para representar a Itália no projeto Do Quarto para o Mundo escolhi a minha escritora italiana preferida e não podia ter corrido melhor. Crónicas do Mal de Amor é a reunião de três novelas: Um Estranho Amor, Os Dias do Abandono e A Filha Obscura.

 

 

Tivesse sido eu a escolher a ordem das novelas, Um Estranho Amor passava para segundo, de forma a dar hipótese ao leitor para descansar um pouco o turbilhão das outras novelas. É o mais fraco, mas é bom. Elena Ferrante não sabe fazer a coisa por menos.

 

 

Todas as histórias remetem para sentimentos fortes do ponto de vista de mulheres. Mulheres traídas, abandonadas, mães, filhas, desarmadas, perdidas, amargas, em busca de respostas no meio dos seus pensamentos. Muitas vezes o desconforto, o incómodo, nas passagens cruas desta escritora. O sabor agridoce de tudo o que é dito com sinceridade. Muitas vezes, a minha verdade estampada na verdade dela.