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Laranja Mecânica | Anthony Burgess

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 Meu Feus*, como falar neste livro e passar a minha euforia ao indecisos?

Li este livro no fim de semana. Um clássico obrigatório na vida de um leitor interessado pelo género. Uma distopia  publicada em 1962. Este livro tem um dos melhores anti-heróis que já conheci. Não vou esquecer-me jamais deste personagem. Alex, narrador e protagonista, usa a maldade como fonte de divertimento. Adora espancar, violar, roubar para passar o tempo. Ele e o seu grupo de amigos percorrem as ruas com um objectivo: fazer maldades.

Ao longo da leitura criei uma ligação com Alex e a sua forma de falar. Anthony Burgess criou uma linguagem totalmente nova- Nadsat, com termos russos e calão à mistura. O objectivo do autor é mostrar ao leitor que pode ler um livro com termos desconhecidos e no final aprender palavras sem a necessidade de um dicionário.  Objectivo cumprido, caro Anthony. Não recorri ao glossário no final do livro, preferi não interromper o ritmo de leitura e entranhar o estranhamento inicial. Talvez muitos leitores desistam nas primeiras páginas, mas vale muito a pena insistir. 

O livro está dividido em três parte, cada parte tem sete capítulos. Dá um total de 21, a idade em que os adolescentes atingem a maioridade na Inglaterra. O último capitulo foi abolido da edição estadunidense, pelos vistos no filme também não está presente. Eu só ainda vi trinta minutos do filme, mas quero ver até ao fim brevemente. Estou apaixonada, é um obra-prima do Kubrick. Precisam de ver. 

O livro tem uma discussão interessante e bastante reflectiva acerca da liberdade de escolha, do bem e do mal. Coloco de forma ilustrativa duas citações que gostei bastante. 

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O que mais gostei no livro, para além da parte reflectiva do enredo, foi o protagonista. Muito bem construído, cheio de nuances interessantes. Nunca faz o papel de coitadinho, nem tenta convencer o leitor de nada. Não justifica os seus actos. É directo, trata-nos por “meus irmãos”, ama a beleza e a arte. O humor agridoce está bastante presente neste romance. Nunca senti pena dele (vão perceber na segunda parte o que quero dizer), mas tive curiosidade em saber o que ia acontecer com ele. Não larguei o livro até chegar ao fim do mesmo. Ao escrever este texto, fiquei cheia de vontade de reler o livro. 

Li-o sem nenhuma espectativa. Felizmente. Quando terminei a leitura estava na dúvida em relação à avaliação. Esperei mais uma horas até decidir. O livro está muito presente na minha cabeça, acabei por sonhar com ele. Só sonho com livros que mexem comigo Fico eufórica só de pensar nele. Não podia de deixar de dar cinco estrelas. O livro entrou para os meus preferidos de sempre. O Alex entrou para a lista dos meus vilões preferidos. 

A edição da Alfaguara é super recomendada. Tem extras fantásticos! Notas explicativas, monólogos, entrevistas. Comprei-o por metade do preço (Hora H) na banca da Alfaguara na Feira do Livro deste ano.

Não vou falar mais sobre o livro para não estragar a experiência de leitura a ninguém. Havia mais para dizer, muito mais. Fico-me pela recomendação sem reservas. No entanto, a experiência de leitura é pessoal e muita gente não irá gostar deste livro como eu. Não é um livro para agradar a gregos e troianos. Divide opiniões, é controverso mas incrível. Incrível. 

 

*Deus é chamado de Feus neste livro.

8 comentários em “Laranja Mecânica | Anthony Burgess

  1. Fiquei muito curiosa, tenho que ler.
    Beijocas.

  2. Termino até o final do mês e volto aqui para ler o que você escreveu. Já viu o filme do Kubrick?

  3. Vi meia hora do filme depois de terminar a leitura e fiquei encantada, é uma obra-prima. Preciso de terminar para tirar mais conclusões.

  4. Quando li acerca da nova linguagem presente no livro, lembrei-me logo do 1984. Na edição que li, estavam incluídos uma espécie de pequeno glossário e a suposta História da Oceânia, com explicação dos conliftos em que se envolviam e etc. Sendo 1984 um dos meus livros preferidos e, tal como este que indicaste, um romance distopiano, não podia ter ficado mais curiosa. Fica, com certeza, na minha lista.

  5. Adoro 1984, é um livro que pretendo reler. Talvez para o próximo ano.
    Espero que gostes, depois diz o que achaste quando leres.

  6. Olá
    Eu sou uma das indecisas. Ou era. Gostei da tua opinião. Acho que vou ter mesmo de ler.
    Beijinhos e boas leituras

  7. Na tradução que li Deus é Bog. Fiquei imaginando como deve ser difícil ler esse livro em inglês, sem saber o que é nadsat e o que é uma palavra em inglês que eu não conheço.
    Eu já conhecia a história pelo filme, então já sabia o que ia acontecer, mas mesmo assim o livro me prendeu do começo ao fim.
    Achei genial essa divisão em 21 capítulos e isso me deixou ainda mais revoltada com a decisão das editoras americanas.
    Para mim, que estudo Direito e Criminologia, esse livro foi perfeito! As discussões do livro sobre as políticas carcerárias ainda são muitos atuais.
    Enfim… Podemos conversar horas sobre ele. Também virou favorito.

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