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Dom | 22.07.18

MINDHUNTER - CAÇADOR DE MENTES | JOHN DOUGLAS/ MARK OLSHAKER

Cláudia Oliveira

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Data: Julho, 2018

Editorial Presença

Tenho de começar com esta passagem. 

 

"Perguntam-nos por que razão é o crime real tão empolgante para os leitores espectadores... Cremos que a reposta é que, pela sua própria natureza, o crime real lida com a essência e com os fundamentos daquilo a que de forma arrogante chamamos <a condição humana>. Ou seja, os instintos e as emoções que todos sentimos: amor, ódio, ciúme, vingança, ambição, lascívia, alegria e tristeza, terror, desilusão, desespero e sentimentos de grandiosidade e de legitimidade pessoal... em muitos casos acompanhados de medidas iguais de desajustamento profundo e de autoaversão."

 

Gosto cada vez mais de ver e ler sobre crimes reais. Costumo assistir a alguns canais no YouTube com relatados de crimes e sempre tive curiosidade sobre toda a história envolvente. O que aconteceu para o homem se transformar num monstro? Será que nascem assim? Será que todos passaram por um trauma na infância? Interessa-me sobretudo a psicologia da mente criminosa. 

 

Quando o livro "MIndhunter - Caçador de Mentes" chegou às minhas mãos fiquei em pulgas para pegar nele. Tinha assistido à série na Netflix baseada no livro, no inicio do ano, e adorado. Tinha visto opiniões no Youtube estrangeiro relacionadas com o livro e não podia ter ficado mais feliz por ver que a Editoral Presença tinha lançado a obra em Portugal. Acabadinho de ser editado, a edição está impecável e vale cada página. 

 

Quando John Douglas quis trabalhar a mente humana dos criminosos, de forma a estruturar uma analise detalhada e conseguir apanhar os assassinos antes de expandirem o terror, não teve o trabalho facilitado. O FBI não acreditava que a psicologia estava relacionada ou que podia ser traçado um perfil antes de apanharem o criminoso.  John Douglas revolucionou a investigação ao desenvolver métodos para saber como funcionava a mente dos serial killers. Começou a trabalhar na década de 70, antes de existir o termo "serial killer". Ele estudou diversos casos e investigou vários assassinos e torturadores. Esteve na prisão de frente com os mais temidos criminosos de forma aprofundar os seus conhecimentos e descobrir pormenores importantes para acrescentar à sua analise. Foi um homem muito importante na formação de vários agentes e na melhoria das investigações. Muitos casos foram solucionados devido à sua inteligência e perspicácia. 

 

Neste livro conhecemos a vida do John Douglas, informações sobre a sua vida pessoal. Casar com um agente do FBI, ausente de casa a maioria das vezes, com a mente sempre a fervilhar, não é de todo fácil. Percebemos isso ao longo dos capítulos, ele não tinha praticamente vida pessoal. Estava demasiado envolvido com o seu trabalho. 

 

OS casos relatados neste livro são imensos. Tem histórias macabras de fazer arrepiar qualquer leitor. É imaginável a forma doentia com funcionava a mente destes assassinos. Mas Douglas sabia como fazer cada um deles escorregar nas próprias palavras, entendia cada detalhe e acabava por ter bastante sucesso na resolução dos crimes.

 

O que mais me impressionou foram os padrões, os traumas de infância, a forma como os serial killers se relacionavam com a mãe. Cresciam em ambientes poucos hostis, com famílias disfuncionais. Na adolescência, através do comportamentos das suas mães, acreditavam não eram dignos de relações amorosas com outras mulheres por serem feios, rudes ou gordos. Douglas defende que estes homens não nascem monstros, considera que desenvolveram esse ódio contra as mulheres devido a traumas ocorridos na infância. Mas este é apenas um detalhe no meio de outras características desenvolvidas no livro. 

 

Optei por não focar esta opinião em nenhum caso em particular, mas os maiores crimes da história são relatados ao detalhe neste livro. Desde Kemper, Brudos, estrupador Ted Bundy, maníaco Charles Manson, assassino de crianças negras Wayne, Rissell que ficou conhecido por começar a matar aos 14 anos são uma pequena parte do que vão encontrar. Cuidado, contém descrições muito fortes e macabras. 

 

"Aquilo que tento fazer com um caso é recolher todos os indícios com que tenho de trabalhar - os relatórios do caso, as fotografias e as descrições do local do crime, os depoimentos das vítimas ou os protocolos da autópsia - e pôr-me mental e emocionalmente na cabeça do criminoso."

 

Uma mão cheia de psicologia, explicações e detalhes interessantíssimos. Este livro é excepcional, acrescenta conhecimento e deixa um fascínio pela mente humana em qualquer leitor. Um dos meus preferidos deste ano, super completo, instigante e com uma narrativa que nos prende do inicio ao fim. Super recomendo. 

 

Podem comprar AQUI

 

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