Opinião | A Grandeza das Coisas Sem Nome, de Enrique Arce

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Editora Esfera dos Livros

Fevereiro, 2019

 

Para quem viu a série televisiva Casa de Papel, irá reconhecer a cara deste autor espanhol. Enrique Arce faz de Arturo, uma personagem que divide opiniões. Recentemente escreveu A Grandeza das Coisas Sem Nome, lançado em Portugal pela Esfera dos Livro, com uma capa lindíssima e uma sinopse promissora.

 

Do ponto de vista de um ator chamado Samuel, vencedor de um prêmio Tony, que o destaca com ator na Broadway, recebe a notícia da morte da sua irmã em Madrid. Isso fará com que Samuel regressa ao seu país  e enfrente o pai com quem não fala há mais de 30 anos.

 

Quis ler este livro por curiosidade, não fugiu muito das minhas expetativas. Foi uma leitura irregular, entre momentos bons e outros que não me fascinaram. Sinceramente não esperava um livro grandioso (apesar do título), e foi isso mesmo que encontrei.

 

O protagonista Samuel é um homem solitário apesar da sua vida de luzes e glamour. O regresso às raízes vão trazer à tona vários fantasmas e colocar a sua vida de cabeça para baixo. Nesses momentos, a leitura ganha folego e um ritmo avassalador. Peripécias para os leitores nunca caírem no tédio. O momento que mais esperei, o encontro entre ele e o pai, foi pouco real. Acho que num momento dramático, como o funeral de um familiar,  ninguém teria uma conversa daquele mote. A falta de emoção está de acordo com as personagens, mas o diálogo não me convenceu. Que pai parvo este. Desvaloriza o filho, manda bocas tristes e é de uma arrogância imensa.

 

O livro aborda diversos assuntos. Violência doméstica, fama, morte, droga e álcool, relações abusivas, entre outras. O autor Enrique quis fazer desta história uma série espanhola de dez episódios, condensada num único volume. Algumas personagens são esquecidas, algumas pontas ficam soltas e nada é aprofundado. Saí desta leitura, onde os assuntos são todos tratados de forma superficial, com pouca ligação às personagens e aos acontecimentos dramáticos. No entanto, senti alguma empatia pelo Samuel quando são relatados alguns momentos de violência entre o pai e a mãe. Situação rara ao longo desta leitura onde os dramas são constantes.

 

Ao longo do livro pensei na importância do equilíbrio emocional. Acho o Samuel um homem desequilibrado, amargurado e vitima do pior lado da fama.  Não gostei nada das suas constantes atitudes arrogantes. Não tratava ninguém de forma educada. Não consegui aceitar que era somente um homem com fortes necessidades de carinho por parte do pai.

 

Se queres um livro leve, cheio de diálogos sobre a vida. Com algumas passagens sobre o vicio das drogas e do álcool. Onde a fama se cruza com o lado menos bonito. Que fale de uma quantidade imensa de assuntos e não deixa marcas, este é o livro certo.

 

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