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Novembro, 2013

Editora Antígona

Li este livro porque foi o livro vencedor do Clube dos Clássicos Vivos na primeira votação do ano. Aliás, foi uma releitura. Caso contrário, não teria relido. O próximo encontro aproxima-se, e para ter a história fresca na minha cabeça, senti necessidade de pegar nele. Se quiseres ir ao encontro, marca na agenda, dia 16 de Março, nos Jardins da Gulbenkian, pelas 15 horas.

 

Este livro é uma distopia. Ou seja, a sociedade deste livro está organizada de forma opressiva ou totalitária. No caso, a população deste livro, criado por Aldous Huxley, vive num mundo dominado através do comportamento. Ninguém pode estar infeliz, os afectos e sentimentos são anulados. A família não existe, sendo incentivada à poligamia. Não é normal manter relacionamentos monogâmicos. Os seres humanos são concebidos através da inseminação artificial, através de fábricas de reprodução. Este livro previu, e bem, a evolução de genética nesse campo. O que é extremamente genial por parte do autor. Relembrando que só foi possível conceber humanos através da inseminação nas décadas de 60/70 e o livro foi escrito na década de 30. Fascinante.

 

Não sendo a ficção científica um dos meus gêneros literários preferidos fico sempre com receio de ler. Mas acabo por ficar impressionada, sobretudo quando percebo que são clássicos como este os maiores influenciadores pela maioria dos livros distópicos conhecidos pelas massas. Desde histórias com sociedades dividas por castas, como acontece neste, a livros com governos muito semelhantes e ideias baseadas totalmente no grande Admirável Mundo Novo. É por isso, e não só, que acho necessário conhecer os clássicos. Desta forma consegues perceber onde nasceram as ideias base dos livros que hoje em dia fazem muito sucesso. Também acabas por criar padrões de maior qualidade relativas às tuas leituras.

 

Para além do fascínio que senti ao reler este livro, a releitura trouxe-me algumas reflexões que não aconteceu na primeira leitura. Mais uma vantagem de releitura dos maravilhosos clássicos, trazem novos questionamentos e outra visão sobre as personagens e a história no geral. E uma terceira leitura seria melhor ainda. É incrível. Tenho a certeza que a discussão do clube literário será muito interessante e proveitosa.

 

Desta vez, fiz uma relação da história com os tempos actuais. A necessidade extrema das pessoas estarem sempre felizes. No livro, as personagens tomam uma droga chamada SOMA para combater os conflitos internos e externos. Há uma fuga permanente relativa à solidão e sentimentos de angustia ou tristeza. Não vos faz lembrar nada? Eu lembrei-me logo das redes sociais e das fotos publicadas sempre muito felizes e perfeitas. Instagram será a SOMA dos nossos dias?

 

As personagens são frias, muito ao jeito da história contada. Não te vais sentir ligada a nenhuma. Talvez alguma pena do Selvagem, a minha personagem preferida. O conflito da história não é extraordinário, mas a mensagem que o autor pretende passar dá que pensar constantemente. A narrativa também não é das mais fáceis, o que torna o livro muito rico e complexo. Li o livro sempre com muito fascínio e interesse.  Talvez o final tenha sinto o que menos gostei.

Nunca um texto de opinião será suficiente para falar na complexidade desta história. Claro que recomendo este livraço. É um dos clássicos que eu considero indispensável na vida de todos os leitores.

 

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