Opinião | Uma Educação | Tara Westover

 

Editora Bertrand

Lançamento Setembro 2018

Comprar livro

Ler as primeiras páginas

Uma Educação é um livro de memórias, escrito na primeira pessoa por Tara Westover. Filha de um pai que se opunha a tudo o que viesse do governo, desde escolas aos hospitais. Tara revela detalhes da sua vida e dos seus seis irmãos de quando viveram com os pais, numa montanha longe da civilização. Proibida de estudar, ela só pisa a escola pela primeira vez aos dezasseis anos.

 

Tara, menina de 7 anos, numa enorme família disfuncional de nove elementos. Sem registo clinico, nem certidão de nascimento. Só aos 9 anos será emitida a sua certidão de nascimento. Até lá, ela não existe para o governo. Vivem todos na montanha, inclusive os avós. A Avó é a única que incentiva os netos a irem às escola e contrariam as ideias do pai. O pai acreditava que a escola era uma estratégia do governo para afastar as crianças de Deus. Sendo ele extremamente religioso, a educação é orientada para cultivarem o amor a Deus e aos seus mandamentos.

 

O livro está dividido em três partes. A primeira é a infância, a segunda a adaptação da Tara ao ensino, à sociedade. Quando começa a frequentar a escola, Tara terá de dividir o quarto com colegas e nota-se uma enorme diferença nos costumes e hábitos entre elas.

Para além da importância da educação, este livro mostra o poder da persistência e do foco. Tara claramente é uma mulher com os objetivos sólidos e a sua perante a vida é corajosa e potente. Desta forma, ela atingiu os seus objetivos e contornou os obstáculos impostos pelo seu fraco conhecimento inicial. Vários anos a viver na montanha longe do mundo colocou-a num nível inferior aos seus colegas da escola. Não foi isso que a impediu de ir à luta. Que história inspiradora. Esta mulher é um exemplo!

 

Outra coisa que pensei diversas vezes foi na importância que temos na vida dos nossos filhos. A importância dos valores que transmitimos e os transformamos à nossa imagem.

 

“É estranho como damos às pessoas que amamos tanto poder sobre nós.”

 

Ser mulher num mundo machista que defende tarefas distintas para os homens e para as mulheres.

“…Mill afirmava que as mulheres haviam sido levadas, através da persuasão, da lisonja, da rejeição e da aniquilação, a fazer, durante tantos séculos, uma série de contorções femininas, que agora era quase impossível definir as suas aspirações ou capacidades naturais.”

 

O livro tem momento de grande emoção. Não consegui ficar indiferente à carga emocional em determinados momentos. Eu torci pela Tara até ao fim e vibrei com as suas conquistas. O livro é incrível e eu super recomendo! É aquele livro que se lê com muito entusiasmo, de uma ponta à outra. A narrativa da autora é fluida, cativante e a sua história de vida é interessante. Leiam, não se vão arrepender. Foi o primeiro livro deste ano que eu dei cinco estrelas.

 

Para além desta recomendação, tenho dois filmes para vos recomendar que me vieram várias vezes à cabeça; Educação, não sendo uma adaptação, mas também aborda a importância dos estudos e Capitão Fantástico, a história de um pai que também vive longe da sociedade e é contra as leis do governo. Ambos maravilhosos.

 

 

 

Pode também gostar de...

6 comentários

  1. Eu ouvi a autora num podcast (julgo que o Read it Forward) em meados do ano passado e confesso que achei que poderia passar sem mais um livro de memórias.
    Porém, as sucessivas referências à qualidade da escrita fizeram-me repensar a decisão.
    Este post selou a coisa.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *