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amulherqueamalivros

Seg | 15.06.15

Os livros já me ajudaram a superar maus relacionamentos

Cláudia Oliveira

Quando estou com algum problema refugio-me nos livros. Ontem aconteceu uma tragédia no meu grupo de amigos. Passei a noite em claro, sempre a pensar no assunto. Não foi comigo diretamente, mas sinto-o como se fosse. Aproveitei alguns momentos para ler enquanto questionava vezes sem conta o sucedido e a vida no geral. Acabei por ler até à página duzentos e dezasseis do romance A Capital.

Sempre fui assim. Um problema, mergulho nos livros. O marido costuma dizer que tenho mais facilidade em ultrapassar os assuntos. Não sei se isto é uma forma de fugir, visto que recolho-me na histórias de outros, mas não acredito que seja. Enquanto leitora sinto que a vida é relativa, não somos nada e aceito melhor os factos. É, acho que é isso. Somos pequeninos pequeninos. Reviravoltas estão sempre a acontecer. Nos meus dramas emocionais do passado, problemas com ex-namorados, foram sempre os livros a salvar-me. Enquanto lia, o tempo passava e as feridas cicatrizavam. Lembrei-me disso ontem à noite. 

Aliás, lembrei-me de um verão em especial. Fui para o Algarve passar férias com amigos depois do final de um relacionamento problemático. Num intervalo entre praia e piscina passei numa Feira do Livro à beira mar e comprei vários livros. Lembro-me que comprei dez livros da Marion Zimmer Bradley e trouxe-os em sacos de plástico na viagem de autocarro para Lisboa. Lembro-me da minha amiga ficar admirada com a velocidade com que terminava livros em manhãs de piscina. No final, a dor tinha desaparecido. O meu sorriso voltava enquanto fechava livros atrás de livros. 

Também recordo que foi nos livros que encontrei o refúgio necessário quando o meu pai faleceu. Com oito anos comecei a imaginar que o meu pai estava num mundo totalmente diferente do meu, à espera para ser salvo. Ou que tinha feito uma viagem especial e um dia ia regressar. É, na altura foi bom. Visto que ninguém teve uma conversa sincera comigo sobre o assunto. Até que percebi que as pessoas que mais amamos desaparecem e nós não temos culpa nenhuma. 

É, ultrapasso melhor os problemas. 

 

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