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Os livros já me ajudaram a superar maus relacionamentos

Quando estou com algum problema refugio-me nos livros. Ontem aconteceu uma tragédia no meu grupo de amigos. Passei a noite em claro, sempre a pensar no assunto. Não foi comigo diretamente, mas sinto-o como se fosse. Aproveitei alguns momentos para ler enquanto questionava vezes sem conta o sucedido e a vida no geral. Acabei por ler até à página duzentos e dezasseis do romance A Capital.

Sempre fui assim. Um problema, mergulho nos livros. O marido costuma dizer que tenho mais facilidade em ultrapassar os assuntos. Não sei se isto é uma forma de fugir, visto que recolho-me na histórias de outros, mas não acredito que seja. Enquanto leitora sinto que a vida é relativa, não somos nada e aceito melhor os factos. É, acho que é isso. Somos pequeninos pequeninos. Reviravoltas estão sempre a acontecer. Nos meus dramas emocionais do passado, problemas com ex-namorados, foram sempre os livros a salvar-me. Enquanto lia, o tempo passava e as feridas cicatrizavam. Lembrei-me disso ontem à noite. 

Aliás, lembrei-me de um verão em especial. Fui para o Algarve passar férias com amigos depois do final de um relacionamento problemático. Num intervalo entre praia e piscina passei numa Feira do Livro à beira mar e comprei vários livros. Lembro-me que comprei dez livros da Marion Zimmer Bradley e trouxe-os em sacos de plástico na viagem de autocarro para Lisboa. Lembro-me da minha amiga ficar admirada com a velocidade com que terminava livros em manhãs de piscina. No final, a dor tinha desaparecido. O meu sorriso voltava enquanto fechava livros atrás de livros. 

Também recordo que foi nos livros que encontrei o refúgio necessário quando o meu pai faleceu. Com oito anos comecei a imaginar que o meu pai estava num mundo totalmente diferente do meu, à espera para ser salvo. Ou que tinha feito uma viagem especial e um dia ia regressar. É, na altura foi bom. Visto que ninguém teve uma conversa sincera comigo sobre o assunto. Até que percebi que as pessoas que mais amamos desaparecem e nós não temos culpa nenhuma. 

É, ultrapasso melhor os problemas. 

 

14 comentários em “Os livros já me ajudaram a superar maus relacionamentos

  1. Que texto bonito e que amor ainda mais bonito que tens pelos livros. É por isso que gosto do teu blog 🙂
    Diz-me uma coisa, quando lês um livro numa altura má, de desgosto, mais tarde esse livro vai sempre lembrar-te dessa má fase, como alguns sítios, músicas, etc ficam marcados ou nem por isso? Tenho livros que me marcaram pela altura em que os li, o que estava a sentir na altura, inevitavelmente o meu estado de espírito marcou-os também.

  2. Obrigada! 🙂
    Sim, os livros marcam momentos, etapas, tragédias e conquistas. Sem dúvida!

  3. Muito bonito, Cláudia. Acho que a literatura é sim um refúgio, mas é um refúgio de que precisamos. E é extremamente saudável, né?

  4. Gostei

  5. Gostei mesmo muito deste teu texto e revi-me em alguns pontos. Quem ama livros é assim mesmo! Beijinho grande

  6. Tão bonito e tão verdade…

    Se não se importar gostava que me esclarecesse uma dúvida. Sente, assim como eu, algum “odiozinho” de estimação a um livro lido numa altura péssima? A minha Mãe faleceu o ano passado e, na altura, lia “A Sentinela” de Richard Zimler. O livro é manifestamente bom, mas não consegui “saboreá-lo” da melhor forma. Já i tentei reler depois disso e, simplesmente, não consigo…

  7. Obrigada 🙂
    Beijinho grande!

  8. Estive a pensar e não consegui encontrar resposta para esta questão.
    Entendo perfeitamente esse teu ódiozinho. 🙂

  9. É uma boa forma de desviares a atenção daquele problema que te pode destruir por dentro. Se viras a atenção para a estória do livro, acabas por ter a cabeça ocupada e não crias cenários e aventuras sobre aquele problema.
    Em situações dramáticas, como a última que referes, um livro pode segurar-te longe de tudo o que se passa à tua volta e as recordações que te podem levar a cantos sombrios, muitas vezes que nem davas que existem.
    No entanto (no teu caso eras muito nova e acabaste por fazer isso), em situações dessas a melhor escolha é mesmo um livro de ficção (NUNCA COISAS REAIS) que seja baseado naquilo que estás a passar. Acabas por estar a ler sobre coisas parecidas mas, tens a tua atenção dividida. Muita gente devia fazer isso, abrem-se caminhos que estão mesmo à nossa frente e não os vemos porque nos perdemos com tudo o que nos rodeia.

    Acerca de relações amorosas… trato-as como se fossem o bolo de chocolate que estava em cima da mesa. Enquanto são boas, o bolo vai sobrevivendo, acabam-se, faz-se outro bolo de outra coisa qualquer.

  10. Eu prefiro recomendar em situações semelhantes um livro de fantasia por exemplo, completamente diferente do que se está a passar na vida real. acho que funciona melhor. 🙂

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