A minha vida está ligada aos livros. Recentemente pus-me a pensar verdadeiramente no assunto. Tenho histórias sem fim sobre o assunto. Talvez sejam sinais que eu tento colar aos episódios da minha vida. 

 

Ao longo da minha primeira gravidez sempre que ia uma consulta levava um livro para a sala de espera. Quando entrava no gabinete do médico, ele fazia sempre um pequeno comentário sobre o livro. Normalmente já tinha ouvido falar naquele título e queria saber a minha opinião ou já tinha lido e contava-me a sua opinião. Ficávamos três minutos a conversar sobre a minha leitura. Acredito que ele me conhecesse pelos livros. Assim como o carteiro em dias de entregas. Durante quase nove meses vários livros acompanharam o crescimento da minha barriga. Barriga essa que serviu de suporte quando os braços não aguentavam mais a posição de leitura e o desconforto. 

 

Recentemente engravidei e estou actualmente com três meses e duas semanas de gestação. Mas nem sempre os tempos foram rosas bonitas. Anteriormente sofri um aborto no apogeu da felicidade. Eu e o marido não podíamos estar mais felizes, cheios de projectos e sonhos renascidos quando a nuvem cinzenta passou inesperadamente em minha casa . Não foram tempos fáceis. Mas continuei sem reclamar. Não vale a pena reclamar e baixar os braços. Confesso que o medo instalou-se e cheguei a pensar que não ia conseguir engravidar. Felizmente, engravidei na semana seguinte. 

 

O livro que levei na primeira ( e única) consulta dessa gravidez interrompida antes do previsto é do Pepetela, A Gloriosa Família. Livro esse com um título peculiar para a situação. Livro que o médico elogiou com muito entusiasmo e disse-me que é excelente. Livro que ficou inacabado, coincidência ou não, tal como esse episódio.