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amulherqueamalivros

Seg | 09.07.18

OS LOUCOS DA RUA MAZUR | JOÃO PINTO COELHO

Cláudia Oliveira

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Ano: Novembro de 2017

Editora Leya

 

Sinopse

Quando as cinzas assentaram, ficaram apenas um judeu, um cristão e um livro por escrever.
Paris, 2001. Yankel - um livreiro cego que pede às amantes que lhe leiam na cama - recebe a visita de Eryk, seu amigo de infância. Não se veem desde um terrível incidente, durante a ocupação alemã, na pequena cidade onde cresceram - e em cuja floresta correram desenfreados para ver quem primeiro chegava ao coração de Shionka. Eryk - hoje um escritor famoso - está doente e não quer morrer sem escrever o livro que o há de redimir. Para isso, porém, precisa da memória do amigo judeu, que sempre viu muito para além da sua cegueira. 

Ao longo de meses, a luz ficará acesa na Livraria Thibault. Enquanto Yankel e Eryk mergulham no passado sob o olhar meticuloso de Vivienne - a editora que não diz tudo o que sabe -, virá ao de cima a história de uma cidade que esteve sempre no fio da navalha; uma cidade de cristãos e judeus, de sãos e de loucos, ocupada por soviéticos e alemães, onde um dia a barbárie correu à solta pelas ruas e nada voltou a ser como era.

Na senda do extraordinário Perguntem a Sarah Gross, aplaudido pelo público e pela crítica, o novo romance de João Pinto Coelho regressa à Polónia da Segunda Guerra Mundial para nos dar a conhecer uma galeria de personagens inesquecíveis, mostrando-nos também como a escrita de um romance pode tornar-se um ajuste de contas com o passado.

 

Opinião

 

Não é um livro que recomende a toda a gente. Não é aquele livro de leitura super fluida, para devorar nas férias, cheio de peripécias. Pelo contrário, a experiência é árdua. Pela espera, pelo desenvolvimento e pela narrativa. No entanto, se te deixares cobrir pelas personagens e não andares a cem à hora, terás direito a uma boa história sobre judeus perseguidos durante a Segunda Guerra Mundial. Feridas abertas, vozes ensurdecedoras, dramas tão fortes que tornam os nossos problemas em míseros pormenores. Preprarem-se para episódios muito violentos. 

 

Não tinha ficado rendida ao primeiro e aclamado livro do João Pinto Coelho, Perguntem a Sarah Gross. Sem pedido de desculpas, assumo que nunca me deixei envolver pela história, senti que o tempo de espera para o grande final fora muito longo. Andas, andas, e quando devias explodir de emoção, não sentes nada. Sei que foi o livro preferido de muita gente, mas sinceramente já li livros mais cativantes. Neste romance, vencedor do Prémio Leya em 2017, o autor volta à mesma formula, só tens direito à emoção no final. 

 

A escrita é riquíssima. O que me agrada. Tem personagens interessantes, algumas surpresas pelo meio e nada neste livro é cliché. Sabem quando não fazem ideia para onde o autor vos quer levar? É exactamente isso. Não sabes que história anda o Eryk a escrever há mais de vinte e dois anos. Não sabes qual é a importância do livreiro cego Yankel no meio disto disto. Mas queres descobrir e perceber o que se passou na Polónia. 

 

Gostei um bocadinho mais deste romance, mas não fiquei com os olhos a brilhar nem aos pulos por ter encontrado o livro da minha vida. Encontro claramente um grande talento, muito estudo relativamente a este pedaço da História Mundial e há uma evolução evidente em relação ao primeiro. No entanto, a história tem um ritmo lento, é aborrecida em determinados momentos e contém personagens imensos.

 

Recomendo para os leitores persistentes. 

 

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