PAQUISTÃO | Conflito Interno, de Kamila Shamsie

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Editora Relógio D´Agua

 

Lançamento Dezembro 2017

 

 

Começo o projeto Do Quarto para o Mundo – 196 Países 196 Escritoras com o pé direito. Paquistão, um dos sextos países mais populosos do Mundo. Kamila Shamsie e o seu Conflito Interno é a primeira escolha. Já andava de olho neste romance antes de vencer o prestigiado prémio Women´s Prize for Fiction (2018). Culpa da capa e do título, sem ter noção da história que escondia. Só li a sinopse quando o livro chegou a casa e fiquei mais interessada. As expetativas criadas acabaram por ser superadas ao longo da leitura. É um livro bastante interessante, um maravilhoso retrato dos tempos atuais.  Portanto, todos os ingredientes necessários para começar em grande.

 

 

Conflito Interno recria a tragédia grega Antígona, numa versão moderna pela voz de uma família muçulmana britânica. Uma família composta por três irmãos, dois deles um casal de gémeos. A Isma, irmã mais velha, decide ir estudar para os Estados Unidos e deixar de tomar conta dos gémeos. Os gémeos Parvaiz e Aneeka parecem meio perdidos com a decisão da irmã. Os pais morreram muito cedo, foram viver para Londres e sempre foram só os três desde muito cedo. Parvaiz acaba por ser apanhado pelo radical estado islâmico. A sua irmã gémea sente-se incapaz de proteger  o irmão.

 

 

O título resume perfeitamente as emoções de todas as personagens. Ou de um povo em geral. Eles confrontados com uma realidade que nunca ninguém lhes tinha contado. Os muçulmanos carregam um estigma. Por mais que se lute pela igualdade, o islamismo continua a criar medo e a provocar curiosidade. O racismo e o preconceito é disfarçado até ao primeiro deslize. E basta um muçulmano provocar o pânico, que todos vão ser julgados. “Odeio que um muçulmano faça com que odeie todos os muçulmanos”. Os costumes e tradições diferentes suscitam muito estranhamento.

 

 

“Rindo-se, ele disse: “O cancro ou o islão – qual será o problema mais grave?”

 

Ainda havia momentos em que uma declaração daquelas podia apanhar as pessoas desprevenidas. Ele ergueu logo as mãos, pedindo desculpa. “Caramba. Quer dizer, desculpa. Isto soou mesmo mal. Quer dizer, deve ser difícil ser muçulmano nos dias que correm.”

 

 

 Ser mulher, usar hijab.

 

 

“Alguém te chateia por causa do hijab?

 

Ela inclinou a cabeça para trás, apoiando-a no peito dele e olhando para cima, para o ver. “Qualquer mulher de dezanove anos é chateada por algum motivo, independentemente da roupa que vestir. Em geral, é um comportamento fácil de ignorar. Mas às vezes acontecem coisas que aumentam a hostilidade das pessoas. Ataques terroristas com vítimas europeias. Ministros da Administração Interna que dizem que as pessoas se distinguem pelo modo como se vestem. Esse tipo de coisa.””

 

 

 E quando o terrorismo vem de onde menos se espera, de quem viste crescer, do próprio sangue? Como é viver com essa cruz? Como é enfrentar os olhares, as acusações dos jornais? Como é que se lida com o conflito interno causado por estes motivos? Como é terem dúvidas sobre ti e os teus?

 

 

Assumo que fiquei encantada com este livro. Abanou-me, deixou-me a pensar sobre os mais diversos assuntos. Tirou-me da minha zona de conforto. Comecei por estranhar os diálogos, acabei por mergulhar nesta história e mudar o meu olhar perante as personagens ao longo do romance. Tão próximo da realidade, tão profundo e sensível.

 

 

Livro recomendado e diretamente para o cantinho especial cá de casa. Já leram alguma escritora paquistanesa? Conheciam este livro? Querem ler? Faltam 195 países 195 escritoras para concluir este projeto.

 

 

Kamila Shamsie tem mais dois romances editados em Portugal:

 

– Sombras Queimadas (2010) – esgotado

 

– Um Deus em Cada Pedra (2015)

 

 

Três palavras para este livro:

 

– Preconceito

 

– Terrorismo

 

– Família

 

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O próximo país será os Estados Unidos da América. Escolhi um livro pouco conhecido, com uma proposta muito interessante. A autora só escreveu um romance, morreu bastante cedo. Não faltavam opções, mas quis escolher algo pouco previsível. E por aí, quais são as tuas escritoras americanas preferidas?

 

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