PORTUGAL | Campo de Sangue, Dulce Maria Cardoso

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Editora Tinta da China

 

Lançamento Agosto 2018 

 

Este livro chegou às livrarias em 2002, a Tinta da China recuperou esta história com uma nova edição (linda!) este ano. Estou cada vez mais apaixonada pela edições desta editora.

 

 

Nunca tinha lido nada desta escritora portuguesa, mas sempre esteve debaixo de olho. Decidi começar por este, apesar do seu O Retorno (2011) ser bastante elogiado pela crítica. Talvez seja o próximo.

 

 

A sinopse anuncia um crime e quatro mulheres como as grandes protagonistas desta história. Quatro mulheres juntas numa sala. Uma sala de tribunal? Afinal o que tinham elas em comum? Quem seria julgado? O que estavam ali a fazer?

 

 

A história desconstrói-se ao longo dos capítulos. Lentamente. Muito lentamente. Tão lentamente que demorei mais de duas semanas para terminar a leitura. A banalidade descrita com muitos detalhes. Todos os movimentos das personagens ao pormenor. Personagens que sou capaz de conhecer se me cruzar com eles na rua. Senti-me várias vezes a ler um filme, a ver um livro. Faz sentido? Alguém deve ter pensado o mesmo, porque a história vai virar filme, segundo as notícias. O narrativo é multifacetado, sabe tudo, está ausente, próximo, uma imensa variedade.

 

 

O que mais me agradou neste livro foi a escrita da autora portuguesa. Riquíssima. Também gostei da forma subtil como ela escolhe contar a história. Nunca tinha lido nada igual, nem semelhante. O único nome na história inteira é a Eva, mais nada tem nome, nem lugares, nem pessoas. Dulce Maria Cardoso não deixa nada ao acaso. Algumas cenas são tão realistas que me deram agonia. Por exemplo: quando o homem está junto da sua mãe que mastiga de boca aberta; ou quando ele vai à praia e corta do pé.

 

 

O livro não me impactou. Nunca me senti mergulhada, nem conectada.  Reconheço o grande valor, fiquei com vontade de ler mais livros da autora, mas tive dificuldades durante a leitura. Faltou o entusiasmo.

 

 

“Na mesa, uma garrafa de vinho branco quase vazia e um cinzeiro cheio de cigarros que Eva tinha desperdiçado. Na cadeira estavam os sacos com a roupa nova de Verão. Pousando a mão esquerda pousada na mesa tornou a ver as horas, 18h17. O relógio era um objeto tão inútil no pulso dele, tinha o tempo que quisesse, a única coisa que fazia era decidir onde gastar o tempo.”

 

 

Faltam 186 países 186 escritoras para concluir este projecto.

 

 

 

 

Três palavras para este livro:

 

– Mulheres

 

– Superficialidade

 

– Quotidiano

 

 

 

 

Para ver a lista completa dos livros para o projecto Do Quarto para o Mundo clica AQUI

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