Editora Alfaguara

 

Data de lançamento Setembro, 2018

 

 

Este é o quinto romance de James Bladwin, o primeiro publicado em Portugal. O escritor é considerado um dos nomes maiores da literatura americana do século XX e umas vozes mais influentes do activismo pelos direitos civis. Negro e gay, recusava ser rotulado. Os seus livros são conhecidos por abordar questões raciais e de sexualidade. Eu não sabia, mas Barry Jenkins inspirou-se nele para fazer Moonlight, e segundo as noticias, vem aí mais um filme baseado num dos seus romances.

 

 

 

Se Esta Rua Falasse (1974)  conta a história de Fonny, um jovem negro que é preso e acusado injustamente por crime de violação. Começa com a visita de Tish, a sua mulher grávida à prisão onde Fonny se encontra há três meses. É do ponto de vista dela que vamos conhecer a história de amor de ambos.

 

 

“Vou ter este bebé e também estou assustada, e não quero que aconteça alguma coisa ao pai do meu bebé, não o deixem morrer na prisão, por favor, oh, por favor!

 

 

A história é tão humana e carrega um sentimento de esperança tão forte que é impossível não ser amigo das personagens.Estive sempre com eles, a carregar as suas angústias e a vivenciar momentos de doçura. Diverti-me com a família do Fonny, apesar das atitudes intragáveis de alguns elementos. Emocionei-me com aquele amor. Esperei o julgamento, sofri com eles. E sempre que fechava o livro, para não chegar ao fim muito depressa, a minha mente acabava por ficar dentro daquela história. A narrativa tem algo de tão real que é possível visualizar cada episódio, é impressionante!

 

 

“Se parecermos incapazes, as pessoas reagem connosco de uma maneira; se parecermos fortes, ou agirmos como se fôssemos fortes, as pessoas reagem connosco de outra maneira e, como não vemos o que elas vêem, isso pode ser doloroso.”

 

 

O final é a cereja no topo do bolo. Intenso e perspicaz deixou-me completamente atordoada e emocionada. Obrigada à editora Alfaguara por ter trazido este autor para Portugal. Uma história fabulosa que ninguém deve perder. Um dos meus preferidos deste ano, sem dúvida. Livraço!