Publicado em Deixe um comentário

Li “As Aventuras de Augie March”, de Saul Bellow

Este calhamaço de 709 páginas foi o meu primeiro contacto com a escrita de Saul Bellow. Que bela forma de começar o ano. Acabei apaixonada pela narrativa, pela construção e envolvimento do enredo.

Augie, é o narrador, confessa no inicio que nem os pais são importantes para ele, embora gostasse da sua mãe. Aliás, tive dificuldades em gostar dele, era bastante cruel na forma como explorava as relações com os outros. Contudo, identifiquei-me com ele em alguns aspectos. E ao longo da história fomos ficando mais próximos.

Ele é o o filho do meio de uma família americana que aprendeu sozinho o jogo da vida. A única pessoa que ele ouvia era a sua avó. Aliás, uma personagem muito cativante com os seus ensinamentos e muito pragmática. O epqueno Augie tinha noção das dificuldades da vida e tentou ajudar sempre a família. O pai havia abandonado aquela família, mas eles lutavam como ninguém desde cedo. Não sei se foi por causa da sua infância, acredito que sim, ele acabou por se transformar num adulto muito empático em relação aos outros, mas pouco focado em relação a si mesmo. Teve as suas oportunidades e caminhou sempre no limiar das oportunidades, muito morno em relação às suas decisões. Parece que poucas coisas tinham impacto nele. Só procurava amor nos outros.

O livro envolveu-me até ao fim. Teve momentos mais aborrecidos e outros muito interessantes. Confesso que adorei o capitulo XII e depois dele a minha relação com a história mudou. Foi preciso entrar uma carismática mulher, decidida a abortar numa altura que aborto era ilegal. Augie mostrou-se um verdadeiro amigo.

“-Porreiro para ti; talvez gostes de ser como és, mas a maioria das pessoas sofre com isso. Sofrem pelo que são, como são- Há mulheres que sofrem porque estão a ficar com rugas e os maridos não deixam de querer fazer amor com elas…”

O humor é um traço interessantíssimo da sua narrativa dramática. Um livro que conta a vida, sem floreados e que nos deixa com um certo sentimento de incômodo em relação à roda viva do mundo. Situações que também vivi, ligeiramente diferente e longe da realidade dos Estados Unidos no período da Grande Depressão, mas vivi.

Saul Bellow escreve como ninguém, é um autor que pretendo explorar novamente. Tem uma história potente, tricotada por situações com um núcleo de personagens cheias de camadas.  Aos poucos, entramos na histórias e queremos mais.

Leiam Saul Bellow, o seu livro pode ser comprado aqui

apoio-escolar-billboard