“Uma Estranheza em Mim” | Orhan Pamuk

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Este senhor não sabe escrever um livro mau, nem razoável. Muito menos livros pequenos. 

 

Orhan Pamuk começa a integrar a minha lista de autores preferidos da vida. Um lugar que alcançou apenas com o meu primeiro contacto com a sua escrita em “O Museu da Inocência”. De imediato decidi ler tudo escrito por ele. Assim que os meus olhos bateram neste seu último livro em Portugal na biblioteca, trouxe-o comigo. Um calhamaço de 640 páginas. Com capítulos longos e personagens intermináveis. Melhor de tudo? Acabou, e está quase a sair outro calhamaço pela mesma editora. Eu vou querer ler também. 

 

A forma como Orhan Pamuk escolheu para escrever esta história é bastante interessante. Primeiro conta a história principal, um romance iniciado de forma peculiar e dentro dos costumes de Istambul. Um homem apaixona-se pelo olhar de uma mulher durante uma festa, escreve-lhe cartas durante três anos até que combinam fugir juntos. Mas algo vai acontecer. Tenho lido opiniões no qual devendam este pormenor, ainda bem que não as li antes. O que acontece naquele momento deixou-me de queixo caído. Não posso dizer-vos, mas tenho muita vontade.

 

Achei bestial as voltas que o romance tem logo nas primeiras páginas. E as voltas que o romance tem durante o livro inteiro. Fui apanhada de surpresa várias vezes. Mas nem só de romance vive este livro. Como estava a dizer ele escreveu a história de forma a conhecermos os pontos de vista de todas as personagens ligadas ao romance principal. Ao inicio pode ser um bocadinho estranho, mas depois começa a ganhar fluidez e a história entranha-se. As personagens ganham vida. 

Mevlut é o nosso protagonista. Ele é vendedor de boza. Uma prática muito comum e tradicional em Istambul . Acaba por ser uma prática simbólica e muito importante para explicar o panorama geral vivo no país em relação ao comportamento e desenvolvimento do mesmo. 

 

É um retrato realista de Istambul entre 1969 e 2012. Desde a proibição do aborto, desenvolvimento tecnológico, entrada das mulheres na faculdade. É grandioso. Perturbador também. A nossa realidade é diferente, os choques culturais são inevitáveis. Os costumes e hábitos daquela sociedade não podiam estar mais detalhados. E talvez por isso tenha sentido algum cansaço ao longo da leitura. O livro parecia interminável. 

 

Adorei e recomendo. Sobretudo para leitores sem pressa.

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10 comentários

  1. Que gulosa, olha para essa fotografia
    Nunca li nada deste escritor, mas despertaste-me o interesse. Quanto aos pormenores ainda bem que não contas. É uma das coisas que adoro no teu blog, nunca preciso de ir lendo as coisas com cuidado porque sei que não vais revelar mais do que queremos saber.
    Além disso, fizeste-me ir pesquisar o que era boza

  2. a) – «É um retrato realista de Istambul entre 1969 e 2012.»
    Você conhece muito bem Istambul. Será turca? Cresceu lá?
    b) – «Os costumes e hábitos daquela sociedade não podiam estar mais
    detalhadas. »
    Português é que parece não conhecer lá muito bem…

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